Desde maio em Pelotas, o paquistanês Abdul Latif, de 25 anos, veio a cidade para realizar seu doutorado em fitopatologia junto à Faculdade de Agronomia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). E ele encontrou no município uma fonte para produzir conteúdo para suas redes sociais. A produção de “vlogs”, como são chamados os vídeos curtos sobre a rotina, é extremamente popular em seu país natal e, aqui, o jovem traz a visão de um estrangeiro que se encanta com os detalhes que passam muitas vezes despercebidos pelo olhar dos pelotenses.
“Se eu comparar o Brasil com o Paquistão, é um país muito bom. As pessoas são muito legais, ajudam”, avalia. Em visita à sede do Grupo A Hora – que inclusive rendeu um “vlog” para as plataformas Instagram, YouTube, Facebook e TikTok, ele apontou as surpresas e percepções da vida em Pelotas. Para Latif, os dois meses aqui já foram suficientes para reconhecer que a cidade tem características completamente diferentes do estereótipo que um estrangeiro espera do Brasil.
Ainda assim, alguns pontos se mantêm, como a hospitalidade e a paixão pelo futebol, sobretudo durante a Copa do Mundo, que ele aproveitou para assistir jogos em bares da cidade. O Paquistão, aliás, chamou atenção na internet recentemente por ter torcedores apaixonados pelo Brasil e Argentina. “O futebol paquistanês não é muito bom, mas espero que se qualifique para a Copa de 2030”.
Por outro lado, o frio em um país tropical foi surpreendente. Pelo lado positivo, destaca a segurança de viver em um lugar com baixos índices de criminalidade, sobretudo diante do temor que a família tinha quando ele falou que viria para cá, mesmo tendo passado no doutorado em faculdades também da China e da Austrália, países mais perto de casa. Ainda assim, escolheu o país pela experiência e pela tecnologia do agronegócio. Por isso, para aprofundar seu estudo sobre nematóides, vermes microscópicos que atacam a raiz da soja, passará os próximos quatro anos aqui.
Conexões culturais
Feliz pelo contato com os cerca de 15 outros paquistaneses que também vieram para Pelotas para estudar, ele celebra que a cidade conta também como uma mesquita, para manter sua rotina de orações. No local, ele já aproximou-se de árabes e palestinos, que também seguem a religião muçulmana.
Já na comida, duas surpresas: por aqui, a tradição dos doces encantou o jovem estrangeiro. O chimarrão se tornou bom aliado no frio. Já as refeições, em geral, são muito suaves para um paladar acostumado à tradição dos temperos tradicionais do sul da Ásia. “Brasileiros gostam de comida leve. Todo sábado, organizamos um jantar de paquistaneses para experimentar comidas e dividir experiências, mas durante a semana, vou aos restaurantes de Pelotas e exploro a comida e a cultura”.
Ele aponta que já é reconhecido nas ruas pelos vídeos feitos para o Instagram. E, mesmo com a dificuldade de contato, já que não fala português, elogia o esforço dos brasileiros para se comunicar. “A maioria das pessoas não falam inglês aqui, mas nos comunicamos através do tradutor. As pessoas são muito cooperativas”, comemora. Ele projeta, porém, que ao longo dos quatro anos aqui aprenda português, mas reforça que a estrutura da linguagem é muito diferente. “Escrita, fala, é muito diferente. Tento entender”, aponta.
Depois de conhecer a praia do Laranjal e se encantar com os cafés da cidade, os objetivos turísticos, agora, são conhecer a praia do Cassino, aprofundar os conhecimentos sobre a cultura local e explorar as cidades do entorno.
