A “Roda dos Expostos” era o mecanismo de socorro aos órfãos recém-nascidos

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

A “Roda dos Expostos” era o mecanismo de socorro aos órfãos recém-nascidos

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Há 175 anos

Na calada da noite, o silêncio urbano era rompido pelo choro abafado e pelo eco de uma sineta. Em 10 de julho de 1851, entrava em funcionamento o sistema da “Roda dos Expostos” no Hospital da Santa Casa, um mecanismo que marcou profundamente a história da assistência social e da infância desvalida em Pelotas.

O mecanismo era simples, mas carregada de dramas humanos: quatro folhas de tábuas que giravam como uma cruz, cravadas no vão de uma janela. Ali eram depositados os “expostos”, recém-nascidos, filhos de mulheres, que não poderiam assumir a maternidade, pela extrema miséria ou pela necessidade de ocultar uma gravidez fora dos padrões sociais da época. Ao girar a roda, o badalo da sineta avisava as irmãs de caridade e enfermeiras de que um bebê pedia socorro.

Logo naquele primeiro ano de 1851, 22 crianças cruzaram o vão daquela janela. Muitas chegavam em severo estado de desnutrição. Diante do desafio, o Hospital recorria a “criadeiras” e amas de leite pagas, mulheres que frequentemente se apegavam aos pequenos que relutavam em entregá-los para a adoção. À medida que cresciam, os meninos e meninas recebiam instrução gratuita no Colégio União, graças ao suporte de beneméritos locais.

Com o tempo, o fluxo de crianças exigiu novas frentes de amparo. As meninas eram encaminhadas ao Asilo Nossa Senhora da Conceição, com subvenção do Hospital até completarem dezesseis anos. Foi nesse cenário que emergiu a figura quase lendária de Luciana de Araújo, que fundou o Asilo São Benedito para acolher especificamente as meninas negras, preenchendo uma lacuna de exclusão institucional.

Refúgio para os meninos

Os meninos encontraram refúgio graças a Pepita Alsina, filha do vice-cônsul espanhol Francisco Alsina. Sua incansável dedicação em recolher os garotos da Roda culminou, com o apoio do bispo Dom Joaquim Ferreira de Mello, na criação do Asilo dos Meninos Desvalidos, instituição que deu origem ao Instituto de Menores.

A Roda cumpriu seu papel em tempos de extrema vulnerabilidade, registrando queda expressiva no fim do século 19. Em 1904, apenas dois meninos ingressaram pelo dispositivo. Entre 1911 e 1912, o sistema foi definitivamente extinto.

Fonte: Guardiões da Memória (2008), por Zênia de Leon

Há 184 anos

Chegava ao fim oficialmente a República de Piratini

Palácio do Governo Farroupilha foi instalado no sobrado construído em 1826 por Manuel Jacinto Dias (Foto: Paulo Backes)

Em 15 de julho de 1842 chegava definitivamente o encontro histórico entre Piratini e os revolucionários Farroupilhas, que transformaram a então vila na primeira capital da República Rio-grandense, conhecida também como República de Piratini. Foi o general Antônio de Sousa Neto, quem proclamou em 11 de setembro de 1836 a nova República. O ato surgiu em consequência direta da vitória na Batalha do Seival (1836), durante a Revolução Farroupilha (1835-1845).

Em 10 de novembro de 1836, Piratini foi eleita a primeira sede e capital dos farrapos. O Palácio do Governo ficava em um sobrado de 1826, construído por Manuel Jacinto Dias. No dia 20 de novembro de 1837, chegou a Piratini o então general Bento Gonçalves da Silva, para ser elevado ao cargo de presidente da recém-fundada República.
Em 9 de janeiro de 1839, as intercorrências da guerra obrigaram a mudança da capital para a Vila de Caçapava. O que ocorreu de fato a partir de 14 de fevereiro.

Período de itinerâncias

Porém Caçapava foi tomada pelos imperiais em março de 1840, a partir deste momento, a sede do governo passou a ser onde estivesse o Tesouro, fazendo com que a capital itinerasse por diferentes localidades, até que voltou para Piratini. Mas por pouco tempo, seguindo para São Gabriel, depois Bagé, em agosto de 1841. Por lá, Domingos José de Almeida, no Ministério da Fazenda, passou a tomar as providências para reorganizar o que havia sido perdido durante essa sequência de transferências.

Até abril de 1842, a capital ficou provisoriamente em Bagé. Entretanto, os revolucionários escolheram Alegrete para sediar oficialmente a capital da República, o que ocorreu até o fim da Revolução Farroupilha, em 1845.

Fontes: artigos As capitais farroupilhas e Piratini – A Primeira Capital Farroupilha , de Diones Franchi; Biblioteca IBGE; wikipedia.org

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