Há 41 anos
O então prefeito de Pelotas, Bernardo de Souza, oficializou em 4 de julho de 1985 o decreto que tombou a Chácara da Baronesa e suas edificações como patrimônio histórico e cultural do município. A patrimonialização ocorreu três anos após a criação do Museu Parque da Baronesa, avenida Domingos de Almeida, 1.490, em 25 de abril de 1982.
A história da antiga chácara começa no início do século 19, entre as décadas de 20 e 30, quando no terreno em que funcionava a charqueada de Joaquim Manoel Teixeira. O local era conhecido por Sotéa do Joaquim Manoel. Posteriormente, de 1840 a 1871, a propriedade passou a pertencer ao Coronel Annibal Antunes Maciel e sua esposa, Felisbina da Silva Antunes, pais de Anibal Antunes Maciel Júnior. O casal foi responsável pela construção do solar de 1863.
Aníbal Antunes Maciel se destacou por ter sido o primeiro no Brasil a conceder alforria a seus escravos em 1884. Por este ato, recebeu o título de Barão dos Três Serros decretado pelo Imperador Dom Pedro II.
Melhorias e manutenção
Em 1887, com a morte do barão, a viúva Amélia Hartley Antunes Maciel herdou a propriedade, que passou a ser administrada, a partir de 1890, pela filha Amélia Annibal Antunes Maciel (Sinhá) casada com Lourival Antunes Maciel, filho de Elyseu Antunes Maciel.
O casal passou a dividir a moradia da chácara com a baronesa Amélia e iniciou um período de constantes serviços de melhorias, reformas e manutenção. Com a morte da baronesa Amélia Hartley Antunes Maciel, em 1919, Amélia Annibal e Lourival assumiram a conservação da chácara.
Família fez doação a Pelotas
A partir de 1948, com a viuvez de Amélia Annibal e a maioria dos familiares morando no Rio de Janeiro, a chácara passou a ser usada como residência de verão. Porém com a morte da filha dos barões, a propriedade herdada pelos filhos e netos de Sinhá e Lourival, entrou em decadência.
Em 1978, uma parte da propriedade foi entregue, pela família, à tutela do município. A doação foi condicionada: o parque e a casa teriam de ser abertos ao público. A partir desse ano até 1982, o local recebeu obras de restauração orientadas por arquitetos da Prefeitura, para que o Museu pudesse ser aberto.
O reconhecimento da sua importância histórica e cultural foi ampliado em maio de 2018, quando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tombou o Parque da Baronesa como integrante do Conjunto Histórico de Pelotas.
Fontes: Projeto de Visibilidade do Negro: Outras histórias no Museu da Baronesa, de Fabiane Rodrigues Moraes, Annelise Costa Montone, Marcelo Hansen Madail e Aline de Mesquita Duarte; sites A casa senhorial e Associação de Amigos do Museu da Baronesa
Há 110 anos
Companhia Cristiano de Souza faz temporada de sucesso em Pelotas

Português Cristiano de Souza abandonou a carreira jurídica pela arte (Foto: Reprodução)
Há exatos 110 anos, entre o final de junho e o início de julho de 1916, Pelotas reafirmava sua vocação cultural ao receber uma memorável temporada artística no Teatro Polytheama. A atração da vez era a aplaudida Companhia Cristiano de Souza, que atraiu a comunidade e deixou o público local “agradavelmente impressionado”, como registrou a imprensa da época, com espetáculos marcados pelo refinamento e pela vivacidade.
Ocupando as páginas dos jornais, a trupe comandada pelo refinado ator, encenador e empresário português Cristiano de Souza, figura aristocrática que abandonara a magistratura na Europa pelo amor à arte, trouxe à Princesa do Sul um repertório de comédias movimentadas e de linguagem delicada, perfeitamente adaptadas à cena brasileira. Entre as peças apresentados no município estava O primeiro marido de França, Precisa-se de crianças e a comédia ligeira Puf?, tradução de Castro Lopes para a obra de Clairville, principal pseudônimo de Louis-François Nicolaïe (1811–1879), um dos dramaturgos mais famosos e prolíficos da França no século 19.
Brilho no elenco
O êxito da temporada deveu-se não apenas à liderança de Cristiano de Souza, descrito como “um artista no verdadeiro senso da palavra”. Ao lado do português estavam seis atores, nomes que se tornaram importantes na história do teatro nacional.
Entre os talentos estavam a jovem e “festejada” Abigail Maia (atriz e cantora) arrebatou a plateia pelotense com sua extrema graça e naturalidade e talento fulgurante. A carioca se tornou um sucesso nacional nas décadas de 1920 e 1930. Ao seu lado, brilhava também Augusto Aníbal, que despontou como um dos primeiros e mais populares comediantes do país.
Fontes: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense; wikipedia.org