O Theatro Sete de Abril reabre dez anos depois. Dez? Proximidade do bicentenário?

Opinião

Luís Rubira

Luís Rubira

Professor de Filosofia

O Theatro Sete de Abril reabre dez anos depois. Dez? Proximidade do bicentenário?

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Em carta endereçada a Dom Manuel Oribe, Presidente do Estado Oriental (Uruguai), o General Bento Gonçalves da Silva comunica, no dia 25 de Outubro de 1835: “Tenho a grata satisfação de anunciar a V. Exa., a total dispersão dos facciosos na cidade de Pelotas, Rio Grande e Vila de S. José do Norte, obtidas pelas forças de meu comando” (Coletânea de documentos de Bento Gonçalves da Silva, 1985, p. 28). Elevada a cidade em junho de 1835, Pelotas seria palco a partir de então de conturbados acontecimentos que durariam dez anos, dentre os quais o fechamento do Theatro Sete de Abril.

Anos antes, após longo período de esforços locais para a criação do Theatro (cujo nome evocava o dia 7 de Abril de 1831, data em que Dom Pedro I abdicara do reinado e que seu jovem filho D. Pedro II “ascendia ao trono de imperador do Brasil”), o lugar foi “Inaugurado no dia 2 de dezembro de 1833 com a apresentação de um elogio dramático (…). As obras, contudo, só foram concluídas em 1834”. Fechado durante o período da Revolução, foi somente em 25 de abril de 1845 que ele voltou novamente “a abrigar apresentações teatrais” (Santos, Sete de Abril, 2012, p. 12 e 20).

Embora seja difícil saber o que se passou no Theatro Sete de Abril durante aqueles anos e também nos imediatamente seguintes, pois houve um “lamentável extravio” dos arquivos de documentos “durante o longo período decorrido desde o início de seu funcionamento em 1834, até junho de 1869” (Echenique, Histórico do Theatro Sete de Abril de Pelotas, 1934, p. 17), fato é que houve suntuosa reinauguração no início do ano de 1846, com a presença do Imperador Dom Pedro II. Conforme testemunha um correspondente do Jornal do Comércio, que vem da capital do Império para cobrir a comitiva, no dia 6 de fevereiro de 1846, “no Theatro houve grandíssima enchente [de pessoas], e depois de serem SS. MM. saudados com entusiásticos vivas, recitou o Dr. Mendonça, presidente da Câmara Municipal, um elogio, uma composição de Antonio José Domingues”.

A programação de recepção do Imperador no Theatro Sete de Abril (o qual nas palavras do respectivo correspondente “é o quarto Theatro do Brasil”), dividia-se em duas partes, sendo que no “intervalo do primeiro para o segundo ato, ceou a corte no salão do Theatro, magnificamente alfaiado”. Nesta cidade que tão calorosamente recebia o Imperador, o jornalista ainda registra que no sul do Brasil “foi esta a povoação que mais sofreu da revolução”, mas “dois anos bastaram para tudo se recuperar; tal é o interesse que tem o comércio de a ver bela, como a que tem de disputar a primazia sobre suas irmãs do Rio Grande e de Porto Alegre, donde espera vir a arrancar a sede do governo da província”. O correspondente ainda informa que no dia 9 de fevereiro o “violinista Robbio deu no Theatro o concerto anunciado, acompanhando-o no piano o emigrado Argentino Veloz. Um foi digno do outro, pois é este estrangeiro apregoado como insigne pianista, e o mesmo Robbio diz que no Rio de Janeiro mui dificilmente se achará quem o iguale” (Jornal do Commercio, RJ, 20/02/1846, p. 1-2).

Cento e oitenta anos depois, período em que passamos de um Império escravista para uma República Federativa, estamos novamente para reabrir o Theatro Sete de Abril no dia do aniversário da cidade de Pelotas. Por certo, além do período da Revolução Farroupilha, houve outros em que o Sete ficou fechado para reformas e reparos, sendo os mais longos de 1870 a 1872 e em 1916 (Echenique, Op. cit., p. 23 e 35). Mais tarde, em agosto de 1981, a Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional “assinou com a Prefeitura Municipal de Pelotas convênio para o projeto de restauração do Teatro Sete de Abril” (SPHAN, Boletim, RJ, 1981, p. 17). As obras duraram alguns anos, sendo que em breve seria “entregue à população: foi restaurado recentemente” (Jornal da Orla, SP, 11/11/1984, p. 13). Do mesmo modo, quando o prefeito Fernando Marroni assumiu a prefeitura em janeiro de 2001, o Theatro encontrava-se novamente fechado, mas com a equipe da recém-criada Secretaria Municipal de Cultura (Secult), tendo à frente a professora Renata Requião, houve a reinauguração no dia Sete de Abril deste mesmo ano com o projeto “O sete abriu”, com a apresentação do cantor e compositor Vitor Ramil e do pianista Gabriel Victora.

Fechado entre os anos de 2010 e 2026, período no qual passou por uma profunda restauração (cabe aqui lembrar dos esforços do então secretário Giorgio Ronna), o Theatro Sete de Abril será reinaugurado no próximo dia 7 de Julho. Reassumindo a prefeitura em 2025, o prefeito Fernando Marroni e sua equipe da Secult, dirigida agora pela arquiteta e urbanista Carmen Roig, convidaram o músico Vitor Ramil e DJ Helô para fazerem a reabertura. Sob a direção de Alexandre Mattos, produtor e gestor cultural pelotense, esperamos que o Sete de Abril tenha vida longa e intensa programação, como sempre de caráter popular e erudito, nos anos que precedem a data de seu honroso bicentenário.

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