Movimento duplo

Opinião

Pedro Petrucci

Pedro Petrucci

Jornalista

Movimento duplo

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O vereador Carlos Júnior, do PSD de Pelotas, foi escolhido pelo governador Eduardo Leite para assumir como secretário adjunto da Secretaria do Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul. A previsão é que permaneça no cargo até dezembro.

A movimentação tem leitura política. A Secretaria do Esporte e Lazer é comandada por Joel Maraschin, do MDB, nome ligado ao vice-governador Gabriel Souza. Maraschin assumiu a pasta após a saída de Juliano Franczak, o Gaúcho da Geral, que migrou para o PP e deve disputar o governo do Estado.

Com Carlos Júnior, o PSD, partido de Leite, passa a ocupar espaço no segundo escalão de uma secretaria hoje vinculada ao campo do vice. Ao mesmo tempo, o movimento não é apenas partidário. Em Pelotas, Carlos construiu boa parte da trajetória pública na pauta do esporte. Foi assessor especial da área no governo Paula Mascarenhas, levou o tema para o mandato na Câmara e também teve influência na indicação da Secretaria de Esporte de Pelotas, hoje comandada por Paulo Lobo.

Nos bastidores, a escolha é vista como uma forma de colocar na secretaria estadual um nome mais identificado com projetos esportivos e lideranças do setor. Também representa um aceno a Pelotas e à base do PSD no sul do Estado.

A mudança teve reflexo imediato na Câmara. Com a saída temporária de Carlos Júnior, assumiu nesta manhã o primeiro suplente do PSD, Fágner Feijó. Em 2024, ele recebeu 1.536 votos. Feijó já passou pelo Legislativo na legislatura anterior, também como suplente, e tem atuação ligada à cultura popular, ao carnaval e a movimentos comunitários.

Na prática, o PSD mantém o mesmo tamanho de bancada, mas muda o perfil da representação. Sai um vereador com atuação mais institucional e vinculada ao esporte. Entra um suplente de base comunitária, com identidade mais próxima da cultura e do carnaval.

Mas a primeira consequência política apareceu no plenário. No mesmo dia da posse, Fágner Feijó votou com a oposição no projeto de mudanças na Lei Orgânica, aprovado por 13 votos favoráveis e sete contrários. A proposta amplia o poder da Câmara em relação ao Executivo e foi combatida pela base do governo municipal, que alegou inconstitucionalidade e falta de debate sobre um tema considerado delicado.

BR-116 na conta política

Rafael Sochi, do Sicepot, trouxe à Rádio Pelotense uma leitura do setor da construção pesada sobre a duplicação da BR-116. O sindicato representa empresas ligadas a obras de infraestrutura, entre elas rodovias, pavimentação, terraplanagem, pontes e viadutos. A observação é importante porque Sochi não fala pelo Dnit nem pelo Ministério dos Transportes, fala pelo sindicato e pela impressão que trouxe das conversas em Brasília. Ainda assim, segundo ele, a tentativa é de alinhamento com os dois órgãos para garantir a continuidade da obra. Sochi afirmou ter se reunido com o ministro dos Transportes, George Santoro, na semana passada para tratar do tema. Pela sinalização recebida, haveria recursos garantidos, pelo menos, até a metade do ano que vem. Por isso, disse não enxergar, neste momento, perspectiva de interrupção da duplicação.

A ressalva veio logo depois. “Vai cair a qualidade”, afirmou. A frase parece tratar da força e da capacidade de execução se a pressão política e orçamentária diminuir. Sochi também usou uma expressão política para medir o tamanho do problema, dizendo que seria um “tiro no pé” interromper a duplicação em ano eleitoral. Na leitura dele, sindicato, Dnit e Ministério estariam, ao menos nesta pauta, do mesmo lado da trincheira: evitar que a BR-116 volte a perder fôlego.

A conclusão da duplicação já passou de promessa antiga para uma questão quase emergencial da Metade Sul. Antes mesmo do debate sobre a nova concessão, há uma necessidade mais imediata: garantir recursos para a obra andar.

Sul mais bolsonarista

A nova pesquisa BTG/Nexus reforça uma diferença importante no mapa eleitoral do país. Na média nacional, Lula (PT) aparece à frente: tem 42% no 1º turno, contra 34% de Flávio Bolsonaro (PL). No 2º turno, o petista também lidera, mas por margem menor: 47% a 44%. O quadro muda bastante quando o recorte é o Sul. Na região, Flávio marca 51% no primeiro turno, contra 29% de Lula. No segundo turno, a vantagem cresce: 63% a 33% para o filho do ex-presidente.

O dado mostra que o Sul já começa a eleição em outro ambiente político. Não é apenas uma vantagem pontual de Flávio Bolsonaro, é uma região onde o campo bolsonarista aparece mais consolidado e onde Lula tem mais dificuldade de entrada. A aprovação do governo ajuda a explicar: no Sul, 58% desaprovam o trabalho do presidente e 38% aprovam. Também no recorte regional, a pesquisa aponta 29% de bolsonaristas convictos, contra 21% de lulistas convictos.

Governo fora das redes

O governo do Estado vai desativar seus perfis oficiais nas redes sociais a partir de sábado, 4 de julho. A medida ocorre por causa da legislação eleitoral. A regra vale para Instagram, Facebook, X, TikTok, YouTube e Threads. Os canais ficarão fora do ar até o fim do período eleitoral.

A comunicação não será totalmente suspensa. O Estado manterá perfis temporários para divulgar informações de utilidade pública, serviços essenciais e situações de emergência. Na prática, o governo precisa reduzir a exposição de ações, obras e programas oficiais durante a eleição. A mesma lógica vale para órgãos e estruturas vinculadas ao Estado. É uma regra simples: serviço público continua, propaganda institucional para.

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