Há 100 anos
Em 25 de junho de 1926, chegou à imprensa local a notícia da fundação da primeira loja maçônica mista em Pelotas, sob o nome de Cruzeiro do Sul número 655. Na época, as casas maçônicas eram de exclusividade masculina e ter uma que congregasse ambos os sexos foi uma grande novidade. Inclusive, este modelo foi também pioneiro no Rio Grande do Sul.
Na divulgação da loja, um articulista exaltou a novidade ao escrever que a loja: “contando já em seu seio regular número de excelentíssimas senhoras, de real conceito em nossa sociedade”. A loja era apadrinhada pela Ordem Maçônica Mista Internacional Le Droit Humain (O Direito Humano), com sede em Paris, alegavam os fundadores.
Na primeira diretoria apareciam nomes como Silvino Joaquim Lopes, Rubens de Freitas Weyne (um dos principais nomes e grande incentivador), Maria Luiza Bojunga Kremer (1ª Vigilante), Anna Cândida Job Lopes (2ª Vigilante), Anna Velloso da Silveira, Lourival Carneiro, Eduardo Francisco dos Santos, Miguel Eleutério Mendes, João José de Ávila Brum, Maria C. Carneiro e Maria Esther de Freitas Weyne, entre outros.
Oito meses antes
Apesar da notícia ter sido divulgada amplamente em 1926, de acordo com a dissertação “As sociedades teosóficas e a maçonaria mista – espiritualidade e poder em Pelotas no princípio do século 20 (1902-1939), do pesquisador Márcio Dillmann de Carvalho, para o obter o grau de mestre, no Programa de Pós-Graduação em História do Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal de Pelotas, a loja foi oficialmente fundada oito meses antes, em 25 de outubro de 1925.
A reunião de fundação ocorreu na secretaria da Loja Maçônica Fraternidade, onde funcionou por mais de uma década. Membros influentes da Loja Fraternidade nº 3 foram os “padrinhos” da co-irmã. Embora a Maçonaria regular (masculina), como o Grande Oriente do Brasil (GOB), não reconhecesse lojas mistas, a Cruzeiro do Sul se manteve ativa por mais de uma década.
O grupo fundador incluía maçons de altos graus, como Silvino Joaquim Lopes (seu primeiro presidente ou “Decano”), Rocco Felippe, Horminio Francisco Lopes e Lourival Carneiro. Embora fundada por homens, as mulheres assumiram papéis administrativos fundamentais em poucos anos. Figuras como Maria Luiza Bojunga Kremer, Anna Candida Job Lopes e Stella Felippe (que chegou a ser Venerável Mestre) ocuparam cargos de destaque.
Fim das atividades
Ao contrário do que se poderia supor, o fim da loja não foi causado por pressão da maçonaria masculina tradicional, a extinção foi um movimento natural, após o esvaziamento da “casa”. Pesquisando atas e correspondências, Márcio Dillmann Carvalho descreve que a loja “adormeceu” por volta de 1938/1939 devido à falta de novos iniciados e à doença constante de membros assíduos (como o AVC sofrido pelo marido da “venerável Stella Felippe”), o que teria inviabilizado o quórum necessário para as reuniões.
Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense; dissertação As sociedades teosóficas e a maçonaria mista–Espiritualidade e poder em Pelotas no princípio do século 20 (1902-1939), de Márcio Dillmann de Carvalho (PPG em História do Instituto de Ciências Humanas da UFPel)
Há 25 anos
Pianista Marcelo Cazarré lançou livro no Conservatório de Música da UFPel

Cazarré levantou elementos da cultura africana na composição erudita brasileira (Foto: Reprodução)
O professor universitário e pianista Marcelo Cazarré lançou o livro A trajetória das danças dos negros na literatura pianística brasileira: um estudo histórico-analítico (Gráfica Universitária). A obra surgiu da dissertação de mestrado em Piano, título que Cazarré obteve em 1998, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “Quase todos os compositores brasileiros, de 1857 a 1990, compuseram peças eruditas com elementos da cultura africana”, disse o pelotense, na época.
Recital e convidados
O lançamento ocorreu em 27 de junho de 2001, juntamente com um recital, no Conservatório de Música da Universidade Federal de Pelotas, onde Cazarré foi professor por mais de 30 anos, até sua morte em 21 de maio do ano passado. O concerto contou com a participação dos pianistas Isabel Nogueira, Maria Elizabeth Salles, na época, professoras da UFPel, Marcelo Brum, Patrícia Weber, Andressa Guerra e Laira Campos. No repertório estavam composições de Alberto Nepomuceno e Valter Schultz.
Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense