Há 110 anos
A imprensa local dava destaque à Companhia Fiação e Tecidos Pelotense, exibindo imagens do interior do prédio e sua produção. A indústria foi fundada em 5 de fevereiro de 1908, durante uma Assembleia Geral realizada na Praça do Comércio em Pelotas.
A ideia de fundar a fábrica partiu de Alberto R. Rosa, Arthur Rios e Plotino A. Duarte. Alberto Rosa e Arthur Rios ficaram responsáveis por providenciar o maquinário na Europa, enquanto Plotino Duarte encarregou-se de angariar o capital necessário na cidade.
Os incorporadores oficiais da companhia foram Alberto R. Rosa (que se tornou diretor-gerente), Eduardo Sequeira e Joaquim Assumpção. De acordo com a pesquisadora Cintia Essinger, na dissertação Entre a fábrica e a rua: A Companhia Fiação e Tecidos Pelotense e a criação de um espaço operário. Bairro da Várzea, Pelotas,RS (1953-1974), para o Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Patrimônio da UFPel, uma versão relatada por descendentes de operários indica que a fábrica nasceu de uma solução logística: os navios que transportavam charque de Pelotas para o Nordeste retornavam vazios, o que gerava o chamado “frete morto”. A instalação da fiação e tecelagem permitiria que esses navios retornassem carregados de algodão, otimizando os custos de transporte.
O capital inicial foi de mil contos de réis, dividido em cinco mil ações. Entre os acionistas estavam instituições como o Banco da Província e o Banco Pelotense, além de figuras influentes da sociedade local, como Carlos Ritter e Augusto Simões Lopes.
As obras do complexo fabril na rua Tamandaré iniciaram em junho de 1908, sob a responsabilidade do engenheiro Benjamin Gastal. O prédio foi considerado inovador para a época, utilizando estruturas metálicas importadas da Inglaterra e um sistema de iluminação zenital (sheds). As caldeiras também foram trazidas da Inglaterra e pesavam 25 toneladas cada.
Inauguração em 1910
Embora tenha começado testes em fevereiro de 1910, a inauguração oficial ocorreu em 15 de novembro de 1910. O evento foi uma grande celebração social que contou com a presença de autoridades civis, militares e religiosas, culminando com a abertura simbólica da válvula do motor a vapor que movia as máquinas.
A criação da fábrica foi vista na época como um marco de progresso que valorizaria a zona da Várzea, atraindo moradores e outros investimentos para a região portuária.
Fontes: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense; dissertação Entre a Fábrica e a rua – A Companhia Fiação e Tecidos Pelotense e a criação de um espaço operário. Bairro da Várzea, Pelotas,RS (1953-1974), de Cíntia Essinger (2009) – PPG em Memória Social e Patrimônio da UFPel
Há 50 anos
Secretaria de Obras e Viação começa a cobrir o canalete da Argolo

Obra foi bem-vista por parte da comunidade (Foto: Reprodução)
Foi em junho de 1976 que teve início a obra de cobertura do canalete da rua Argolo, em Pelotas. O trabalho da Secretaria Municipal de Obras e Viação, da época, foi bem-recebido pela maioria da comunidade. De acordo com a imprensa, havia muitas reclamações registradas há décadas. “Xingado, amaldiçoado, passivo de impropérios, o canalete está, enfim, deixando de existir”, registrou um articulista, no dia 24 daquele mês.
O canalete de cimento armado com muretas verticais da rua General Argolo começou a ser construído em 1928. O projeto era do engenheiro sanitarista Francisco Rodrigues Saturnino de Brito.
Rua da Vigia e arroio Pepino
O historiador Mario Osorio Magalhães, registrou em livro que a rua General Argolo foi projetada em 1885 e se chamou rua da Vigia. Sobre o canalete escreveu: “..em todos os cruzamentos das longitudinais possuía bueiros, porque ao longo do seu percurso corria uma sanga, na direção do arroio Pepino. Sendo profundo e repleto de atoleiros, esse valo havia de constituir permanente ameaça à integridade física dos nossos caros avós. Exatamente por causa desse fato é que foi construído, um dia, o famoso canalete da já então rua Argolo, com as suas decorativas, suas lindas floreiras”.
O trabalho de cobertura do canalete se estendeu entre as ruas Marechal Deodoro e Andrade Neves. Do projeto de Brito restaram as estruturas construídas entre Andrade Neves e avenida Ferreira Viana. Hoje, 98 anos após sua construção, a obra é uma das peças integrantes do patrimônio histórico de Pelotas.
Fontes: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense;Os passeios da cidade antiga – Guia histórico das ruas de Pelotas (2000), Mario Osorio Magalhães