CPI da Saúde entra na fase prática

Opinião

Pedro Petrucci

Pedro Petrucci

Jornalista

CPI da Saúde entra na fase prática

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Instalada nesta semana, a CPI da Saúde da Câmara de Pelotas começou a desenhar o caminho que pretende seguir nos próximos meses. Em reunião realizada na quarta-feira, a comissão presidida pelo vereador Daniel Fonseca (PSD), tendo como relator Cristiano Silva (União Brasil) e vice-presidente Paulo Coitinho (Cidadania), apresentou o plano de trabalho que norteará a investigação sobre possíveis irregularidades na gestão da saúde pública municipal.

O roteiro prevê uma ampla coleta de informações. Entre as medidas anunciadas estão a requisição de documentos à Secretaria Municipal de Saúde e demais órgãos públicos, análise de folhas de pagamento, escalas de trabalho, registros de frequência e atos funcionais, além da solicitação de informações ao Tribunal de Justiça, Ministério Público, Tribunal de Contas e outros órgãos de controle. A comissão também pretende ouvir pacientes, familiares, servidores, gestores, profissionais da saúde e representantes sindicais.

Um dos pontos que mais chama atenção no plano é a previsão de diligências e inspeções presenciais nas unidades de saúde do município. A intenção é que os vereadores não fiquem restritos à análise de documentos e possam confrontar as informações oficiais com a realidade encontrada nos serviços. As visitas devem ocorrer na mesma fase das oitivas, considerada pela comissão como uma das etapas centrais da investigação.

O cronograma foi dividido em cinco fases. As duas primeiras serão dedicadas à estruturação dos trabalhos e à análise documental. Na sequência virão as oitivas e diligências, seguidas pela consolidação das provas produzidas. A última etapa será a elaboração do relatório final, documento que poderá apontar responsabilidades, recomendar mudanças administrativas e, eventualmente, encaminhar informações a órgãos de controle e fiscalização.

Na prática, a CPI começa agora a sair do campo político e ingressar na fase técnica. Até aqui, a discussão esteve concentrada na criação da comissão e na sua composição. A partir do plano de trabalho, o foco passa a ser a produção de provas e a busca por respostas para questionamentos que motivaram a investigação, como denúncias relacionadas às filas do SUS, transparência nas escalas de profissionais, pagamento de horas extras, gestão de pessoal e possíveis casos de assédio moral dentro da estrutura da Secretaria Municipal de Saúde.

A próxima reunião ainda deverá ser marcada pela presidência da comissão. Será ela que dará início à fase de requisição de documentos e permitirá uma leitura mais clara sobre o ritmo e a profundidade que a CPI pretende adotar ao longo dos próximos meses.

Caso Cauê avança

A ação que pede a perda do mandato do vereador Cauê Fuhro Souto Martins avançou no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul. O processo movido pela Federação Brasil da Esperança e pelo PV foi encaminhado ao Ministério Público Eleitoral para parecer. Depois da manifestação do MPE, o caso retorna ao relator e fica mais próximo de julgamento no TRE-RS.

Para quem não lembra, Cauê deixou o PV e se filiou ao Podemos no último dia do prazo legal de filiação para as eleições de 2026, em movimento ligado ao projeto de disputar uma vaga de deputado federal. A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, pede a perda do mandato por infidelidade partidária. Cauê, por sua vez, afirma que saiu amparado por carta de anuência assinada pelos presidentes estadual e nacional do PV. Se perder no tribunal, a vaga poderá passar ao primeiro suplente da Federação, Ronaldo Quadrado Gomes, do PT.

De volta

Anderson Garcia voltou à Câmara. Não pelas urnas, mas pelos bastidores. Ex-vereador, ex-presidente da Casa e figura conhecida nos corredores do Legislativo nos últimos anos, ele agora integra o gabinete de Cristiano Silva, do União Brasil. Anderson está vinculado ao Podemos e retorna em uma função discreta, mas politicamente simbólica para quem acompanha a movimentação interna da Câmara.

Mandato remoto

Romário, senador pelo PL do Rio de Janeiro, manteve a titularidade do mandato durante a Copa do Mundo, mesmo estando nos Estados Unidos para trabalhar como comentarista da CazéTV e colunista do O Globo. A ideia do Baixinho é simples, quase um toque de bico na saída do goleiro: acompanha a Copa de lá, vota de forma remota por aqui e segue com o salário parlamentar na conta — coisa de R$ 46 mil por mês. Tudo, claro, com o Senado em ritmo semipresencial.

É o velho Romário em versão Congresso: pouco treino, muita resenha e presença decisiva só quando a bola chegar redonda. O problema é que, nesse jogo, quem paga o ingresso é o contribuinte. Para o trabalhador comum, atuar em dois campeonatos ao mesmo tempo daria bronca do chefe, desconto no salário ou cartão vermelho. Para uma parte da classe política, vira jogada de craque: o senador comenta a Copa, vota no sapatinho, recebe sem impedimento e ainda sai dizendo, com cara de quem acabou de fazer gol de placa, que está tudo normal, peixe.

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