Projeto do engenheiro-arquiteto Fernando Rullmann previa cidade dividida em oito áreas

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

Projeto do engenheiro-arquiteto Fernando Rullmann previa cidade dividida em oito áreas

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Atualizado terça-feira,
16 de Junho de 2026 às 11:10

Há 102 anos

O então intendente de Pelotas, Pedro Luís Osório, encomendou ao engenheiro-arquiteto Fernando Rullmann um plano para evitar o crescimento “natural” e desordenado do município, em 1924. O projeto chegou a ser publicado na imprensa, ilustrado com planta e alicerçado pelas justificativas técnicas e teóricas, relembra a pesquisadora Cíntia Essinger, autora da dissertação Entre a Fábrica e a rua – A Companhia Fiação e Tecidos Pelotense e a criação de um espaço operário. Bairro da Várzea, Pelotas, RS (1953-1974).

O projeto dividia a cidade em oito “quarteirões” por atividade e classe social. Entre os destaques da proposta de Rullmann, estavam o Centro Industrial localizado na zona da Várzea devido à proximidade com o porto e a ferrovia. Ao Sul da cidade, previu a instalação de um centro comercial.

As habitações do operariado foram projetadas ao norte e contígua ao centro industrial. O que o projetista considerava vantajoso tanto para o operário quanto para o industrial.

Localizadas ao norte e oeste, separadas das zonas industriais e operárias, ficaria a área urbana. O projeto previa a instalação de um quarteirão destinado aos habitantes da alta classe e a Cidade Jardim, com lotes diferenciados e construções de casas sob determinados regulamentos.

Ainda havia o centro de cultura cívica e intelectual, composto de edifícios da administração pública, teatro municipal, biblioteca, museu, escolas de ensino superior, no plano mais alto da cidade, junto a praça Júlio de Castilhos, atual Dom Antônio Zattera.

Engavetado

O plano previa mudanças extremas que não ocorreram, como a transferência de prédios da administração pública, do teatro e da biblioteca para um novo “centro de cultura cívica” no plano mais alto da cidade. Além disso, um grande estádio para 15 mil espectadores não saiu do papel, e o bairro Simões Lopes não se consolidou como área de moradia burguesa conforme planejado.

A pesquisadora avalia que, apesar de não ter sido executado fisicamente, o zoneamento proposto por Rullmann acabou por oficializar e legitimar a segregação social que estava ocorrendo de forma orgânica. O plano, que destinava a zona alagadiça da Várzea para as indústrias e para a habitação operária, enquanto as áreas mais altas ao norte foram reservadas para a elite, de algumas formas se concretizou.

Novo plano

Apenas três anos depois, em 1927, o novo intendente Augusto Simões Lopes contratou o escritório de Saturnino de Brito para realizar novos estudos de saneamento e expansão. Pesquisadores sugerem que isso ocorreu tanto pela ambição do novo governante em deixar sua própria marca quanto pelas pretensões excessivas do projeto original de Rullmann.

Fonte: dissertação Entre a Fábrica e a rua – A Companhia Fiação e Tecidos Pelotense e a criação de um espaço operário. Bairro da Várzea, Pelotas, RS (1953-1974), de Cíntia Essinger (2009) – PPG em Memória Social e Patrimônio da UFPel.

Há 50 anos

Espetáculo musical e coreográfico, Sonho campeiro é apresentado no Teatro Gonzaga

Com o patrocínio do Departamento de Assuntos Culturais da Secretaria de Educação do Estado (DAC/SEC), 5ª Delegacia de Educação trouxe a Pelotas o espetáculo Sonho campeiro, um musical coreográfico. A apresentação ocorreu na noite de 16 de junho de 1976, no Teatro Gonzaga.

Carlinhos Hartlieb, compositor das letras e músicas inéditas do espetáculo, comentou na época que Sonho campeiro era um depoimento prestado em uma série de alfinetadas palpitantes, “percebidas na circulação do sangue renovado”. Além da música e da coreografia, o espetáculo contava com projeção de slides e efeitos de iluminação.

Elenco

Além de Hartlieb, tocava o violão de 12 cordas, harmônica e cantava, também participaram o contrabaixista Hugo Silveira e os dançarinos Gerry Marquez, Mônica Schmidt e Nizinha Venturella. A direção era de Luiz Arthur Nunes, com coreografia das próprias bailarinas.

No enredo, a dificuldade do ser humano em conseguir se adaptar à realidade da vida urbana, repleta de padrões pré-estabelecidos.

Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense.

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