Prefeito eleva confronto com a Câmara

Opinião

Pedro Petrucci

Pedro Petrucci

Jornalista

Prefeito eleva confronto com a Câmara

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O prefeito Fernando Marroni (PT) reagiu às derrotas na Comissão de Constituição e Justiça e prometeu recorrer para tentar levar os projetos ao plenário. Em entrevista à Rádio Pelotense, acusou partidos de utilizarem argumentos de inconstitucionalidade para bloquear políticas públicas e lançou a pergunta mais forte da conversa.

“Qual negociação o prefeito pode fazer com vereadores ou com partidos? O que esses partidos querem da prefeitura? Qual é a demanda? Qual é a pedida?”, questionou.

Marroni não disse que recebeu uma exigência específica, nem acusou qualquer vereador de condicionar votos à entrega de cargos. Mas a expressão não foi usada por acaso. Ela toca no centro do conflito entre Executivo e Legislativo: a disputa pela participação dos grupos políticos na estrutura da Prefeitura.

Essa relação se deteriorou no final de 2025, quando Michel Promove, do PP, e César Brisolara, do PSB, foram afastados da base do governo. Michel havia indicado a Secretaria de Desenvolvimento Rural. Brisolara tinha influência nas áreas de Esporte e Desenvolvimento, Empreendedorismo e Inovação. Os dois perderam esses espaços, além de outras posições ocupadas por seus grupos na administração.

Hoje, Michel preside a Câmara e participa diretamente da definição da agenda política da Casa. Brisolara comanda a CCJ e é um dos principais articuladores de bastidores do Legislativo. Dois vereadores que perderam espaço no governo passaram a ocupar postos decisivos para definir quais projetos avançam e quais enfrentam dificuldades.

Isso não significa que as derrotas sejam resultado de uma cobrança direta por cargos. Não há prova de troca de votos por posições na Prefeitura. O que existe é uma disputa de poder conhecida: vereadores possuem grupos, apoiadores e compromissos políticos, enquanto o governo precisa decidir quanto espaço está disposto a dividir para construir sustentação parlamentar.

Ao perguntar qual é a “pedida”, Marroni sugere que as justificativas jurídicas apresentadas na CCJ não explicam sozinhas a sucessão de derrotas. A Câmara poderá cobrar que ele diga se houve alguma demanda concreta. O prefeito, por sua vez, tenta obrigar os adversários a explicar por que projetos de áreas tão diferentes estão sendo interrompidos pelo mesmo núcleo político.

Na entrevista, Marroni concentrou a reação na contratação temporária de profissionais para a Educação. Segundo ele, o déficit de 90 auxiliares de educação infantil já provoca interrupções no atendimento e no envio de crianças para casa. Também destacou a sobrecarga das merendeiras.

“Qual é a inconstitucionalidade de contratar profissionais para a área da Educação?”, perguntou. O prefeito ainda citou a reorganização de 63 cargos no Samu e a contratação de 12 cadastradores sociais, pagos com recursos federais, para localizar famílias que ainda não estão no Cadastro Único.

“Eu não estou pedindo contrato para ter mais CC na Prefeitura. Não estou pedindo para extrapolar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Estou pedindo coisas que são absolutamente necessárias para a vida do povo”, afirmou.

A referência aos CCs reforça a mensagem política. Marroni tenta separar as contratações destinadas aos serviços públicos da disputa por cargos e espaços entre governo e vereadores. Na leitura do prefeito, o conflito político está contaminando propostas que atingem diretamente Educação, Saúde e Assistência Social. Os recursos anunciados fazem parte dessa estratégia. O governo quer retirar as decisões da CCJ e levar a votação para o plenário, onde cada vereador terá de se posicionar diante das categorias afetadas. Marroni pretende trocar a discussão jurídica pelo custo político de rejeitar merendeiras, auxiliares de educação infantil e outros profissionais.

Nas contratações, o governo considera que os argumentos de inconstitucionalidade são frágeis e que eventuais problemas poderiam ser corrigidos. A repetição das derrotas, no entanto, mostra que a CCJ passou a ser o principal campo de disputa entre Marroni e a Câmara.

A fala sobre a “pedida” foi mais um capítulo do conflito. De um lado, o prefeito não quer ampliar a participação de grupos que deixou de considerar aliados. Do outro, Michel e Brisolara comandam estruturas capazes de dificultar a agenda do Executivo.

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