Abandono da praça Coronel Pedro Osório preocupava a comunidade

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

Abandono da praça Coronel Pedro Osório preocupava a comunidade

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Há 50 anos

Nem só as celebrações e as homenagens ao 7 de julho de 1976, quando Pelotas completou 164 anos, foram registradas pela imprensa local. A data foi marcada também pelo desabafo de um morador da cidade que, sob o pseudônimo de “Pelotense Sexagenário”, escreveu à imprensa para protestar contra o abandono e a demora nas obras da praça Coronel Pedro Osório, bem em frente ao Paço Municipal. O que era uma tristeza para a comunidade.

Mesmo com verbas já liberadas, o principal cartão-postal da cidade agonizava. O relato detalhava o “estado lastimável” do local após um passeio de domingo: bancos quebrados, alamedas deterioradas e cascalho jogado às pressas em buracos para tentar disfarçar as mazelas. Do outrora famoso Roseiral Iolanda Pereira, que inspirou gerações de poetas, não restava mais nada.

Falta de entusiasmo

A indignação do morador aumentava ao ver a calçada destruída justamente diante da “Casa do Governo”, como ele se referiu, o que gerava uma péssima impressão para os turistas, na visão do crítico. Em pleno aniversário da Princesa do Sul, o leitor lamentou a falta de entusiasmo nas celebrações e cobrou a prometida remodelação do logradouro.

Fonte: Acervo da Bibliotheca Pública Pelotense

Há 106 anos

Companhia Clara Weiss relembra a Queda da Bastilha com opereta no Sete de Abril

Famosa companhia de operetas fez temporada no Theatro, em julho de 1920 (Foto: Reprodução)

No início do século 20, as óperas e operetas, uma derivação da ópera bufa, eram de gosto popular e atraíam público das cidades, que lotavam os teatros. Uma das características das artes cênicas desta época era lembrar datas históricas, especialmente as estrangeiras. A aposta era chamar a atenção das plateias e aumentar o faturamento da bilheteria.

Em uma temporada no Theatro Sete de Abril, em 1920, a famosa companhia da atriz e cantora italiana Clara Weiss, aproveitou a data de 14 de julho, quando se lembra a Queda da Bastilha, para apresentar a obra do maestro Dali’Argine, intitulada Madame Sans Gêne, relembrando a Revolução Francesa, deflagrada a partir daquele evento histórico em Paris, no ano de 1789.

Mas a estreia de Clara Weiss naquela temporada foi com a peça Duquesa de Bal Tabarin, no início do mês de julho. O espetáculo teve lotação máxima. Porém, essa não foi a única vez que a soprano italiana passou por Pelotas. Ao menos em agosto de 1924, a trupe voltou à cidade para outra temporada, mas no Theatro Guarany.

Empunhando a batuta

Nos espetáculos havia um detalhe importante: o momento em que o maestro atravessava a plateia e ia empunhar a batuta. “Os espectadores silenciavam. O regente esperava que a orquestra terminasse a afinação dos instrumentos. Ouvia-se o leve besourar dos violinos, a voz grave do violoncelo, mais do que em surdina, o experimentado baixo silvar da flauta. Sabendo prontos os músicos, o Maestro batia de leve com a bututa na estante da partitura, sinal para começarem. E era atacada a abertura”, relembra a historiadora, escritora e cronista Heloisa Assumpção Nascimento, no livro Nossa cidade era assim (1989).

Cantora lírica Clara Weiss (Foto: Reprodução)

A festa do 14 de julho, segundo a autora, foi pródiga nas execuções de começo, primeiro com o Hino Nacional, ouvido pela plateia que se postou de pé, depois com a sinfonia do Guarani, do brasileiro Carlos Gomes e, finalmente, recebida com muito entusiasmo, a Marselhesa (hino francês).

Também foi levada ao palco e estrelada pelo tenor Raimondo de Angelis, a peça O sonho de valsa, de Strauss. Como números extras, o Angelis cantou o prólogo dos Palhaços, agradando em cheio a plateia, que pediu bis.

A Companhia de Operetas e Óperas Cômicas Clara Weiss despediu-se de Pelotas, alguns dias depois. Mas não antes de encenar as operetas Cavalheiros da Lua, Bocaccio e Os três desejos.

Fonte: Nossa cidade era assim, de Heloisa Assumpção Nascimento

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