Artesãos joalheiros de Pelotas exibem presente especial ao Visconde de Ribeiro Magalhães

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

Artesãos joalheiros de Pelotas exibem presente especial ao Visconde de Ribeiro Magalhães

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Há 110 anos

A família do charqueador e latifundiário Antônio Nunes Ribeiro Magalhães (1841-1926), Visconde de Ribeiro Magalhães, encomendou aos artesãos joalheiros da empresa Hirsh e Gross, de Pelotas, um cartão de ouro. A jóia era um presente ao Visconde e à esposa dele, Teresa Pimentel Magalhães, com quem teve nove filhos, pela passagem dos 50 anos de união do casal. Quem contou essa novidade à imprensa foi o próprio comerciante Hirsh.

O presente criado pelos joalheiros locais pesava mais de 500 gramas. Ao centro, simbolizando um escudo, estavam as iniciais V.R.M. Sobre o monograma foi desenhada uma coroa adornada com três pérolas. Cercando o monograma, dois ramos, representando a árvore genealógica da família, sendo cada membro representado por um brilhante.

Os 53 brilhantes, indicavam as diferentes gerações. Em cima do carão estava a inscrição: “Aos queridos papai e mamãe. Na longa estrada da vida, que cinquenta anos trilhastes tivestes risos e lágrimas…na prece a Deus seus corações elevam pelas graças concedidas vosso feliz júbilo.–1866.” Abaixo estavam gravados os nomes dos membros da família que ofereciam o presente.

Na época, o cartão estava avaliado em 300 mil contos de réis. Antes de ser entregue aos presenteados, a raridade ficou em exposição na loja dos joalheiros Hirsh e Gross.

Quem era o homenageado

O Visconde de Ribeiro Magalhães foi o título nobiliárquico de Antônio Nunes Ribeiro Magalhães. O português era um proeminente comerciante, industrialista e criador de gado e charqueador português que desempenhou um papel crucial no desenvolvimento econômico de Bagé e da região sul do Rio Grande do Sul.

Magalhães nasceu em Castelões de Cepeda, Portugal, em 5 de outubro de 1841. Chegou ao Brasil pobre, aos 12 anos, em 1853, desembarcando no porto de Rio Grande. Seu primeiro trabalho

foi como caixeiro em um armazém no Mercado Público de Rio Grande. Posteriormente, tornou-se sócio de seu patrão e estabeleceu firmas próprias em Pirahy e, finalmente, em Bagé.
O pecuarista fundou a charqueada Cotovelo (1894) e, posteriormente, o Saladero Santa Teresa em 1897. Em 1907, adquiriu a Charqueada Industrial, chegando a abater quase 95 mil animais em uma única safra entre os dois estabelecimentos.

Em 1893, fundou com seu filho a firma Magalhães & Filho em Bagé, que operava em diversos ramos, desde tecidos e ferragens até transações bancárias. Magalhães chegou a ser o segundo maior contribuinte de imposto de todo o Estado.

O charqueador também foi o pioneiro na introdução de animais de pura raça importados da Inglaterra (como as raças Durham e Hereford) no município de Bagé, a partir de 1899.

Atuação diplomática

Atuou como Vice-cônsul de Portugal em Bagé de 1888 até o fim de sua vida, auxiliando a integração e o trabalho da colônia portuguesa na região. Em 29 de agosto de 1906, foi agraciado pelo rei Dom Carlos I de Portugal com o título de Visconde de Ribeiro Magalhães.

Chegou a fundar a Sociedade Beneficente Santa Teresa, que incluía um hospital com sala de operações e enfermaria para seus operários, além de um colégio para os filhos dos trabalhadores. Antônio Nunes Ribeiro Magalhães morreu em 11 de janeiro de 1926.

Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense; microblog Família “Visconde de Ribeiro Magalhães ; blog Claudio Antunes Boucinha

Há 50 anos

Colégio Lemos Júnior celebra 70 anos de fundação, em Rio Grande

Instituição foi criada em 16 de julho de 1906, como uma entidade privada (Foto: Reprodução)

O município de Rio Grande celebrou em 16 de julho de 1976, o aniversário de 70 anos do Colégio Estadual Lemos Júnior. O ponto alto das comemorações, iniciadas no dia 10 daquele mês, teve homenagem póstuma na praça Tamandaré ao professor Luiz França Pinto. No mesmo dia, juntou-se à comunidade escolar o secretário de Educação e Cultura, Airton Vargas, para descerrar uma placa alusiva a data, no saguão do Colégio, e um jantar no Clube do Comércio.

O ato número 452, de 16 de julho de 1906, baixado pelo então prefeito Juvenal Octaviano Miller, criou o Ginásio Municipal Lemos Júnior. Apesar do subsídio municipal, era naquele momento uma instituição privada. O regime adotado foi uma consequência do aumento do fluxo de capital e ao enriquecimento da burguesia riograndina, envolvida nos negócios portuários.

Recurso via testamento

O movimento que deu origem ao Colégio foi iniciado pelo português Antônio Manoel de Lemos Júnior, cujo filho, Demócrito, morreu no Rio de Janeiro, vítima da febre amarela, quando cursava a Escola Politécnica. Em seu testamento, Lemos Júnior deixou 200 contos de réis para a criação de uma Escola de Engenharia.

Porém o valor não cobria a criação de uma instituição desse porte. Com o consentimento de familiares, o valor foi destinado à criação do ginásio. Em 1922, o prefeito, Alfredo Soares do Nascimento, conseguiu que a escola fosse equiparada ao Colégio Nacional. Dessa forma passou a ser reconhecida como um estabelecimento secundário oficialmente.

Neste mesmo ano foi lançada a pedra fundamental para o prédio que hoje ocupa. Em 1947, o Lemos Júnior passou a ser Estadual.

Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense

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