Arrumo suas malas enquanto vejo você secar as lágrimas que escorrem pelo rosto. As limpo delicadamente, como se fosse um consolo.
Teu olhar grita despedida, e tuas lágrimas se encontram com as minhas, escrevendo poesias sobre a tua ida.
Acaricio tua pele e sinto o arrepio. Me aproximo, procurando teu cheiro, para que eu possa sempre lembrar.
Decoro cada pinta das tuas costas como se fossem trilhas traçadas. Nelas, quero desvendar cada ponto e traço, descobrir mais detalhes da tua trajetória nessa vida insana.
Das tuas cicatrizes, quero sentir a textura do que ocorreu, para que eu consiga ressignificar cada parte tua.
Do teu calor, quero dividir, para que estejas sempre aqui e eu consiga sentir o sabor que existe em ti.
Percebo que meu peito se revela fraco.
Minha mente se escurece com tua ausência, causando-me algo que quase se compara à abstinência: do teu corpo, do teu ser, da tua energia que se encaixa perfeitamente com a minha.
Então, vivo de vestígios: do teu corpo, do teu sotaque gostoso que se esconde no meu, das tuas manias que se prendem às minhas, das tuas palavras gravadas em mim.
Te procuro nas ruas, nas esquinas,
mas só te toco em minhas fantasias.
– Partida