Pela minha visão de vida, não existe nada mais interessante do que uma sala cheia de pessoas. Cada história, cada olhar de mundo, cada personalidade. E eu faço questão de conhecer quem encontro com alegria. Os leitores que já me pararam provavelmente notaram isso. Faço piadas, às vezes sem graça, abraço e procuro me tornar amiga de todos. Gosto de uma casa lotada. Para mim, é a vida.
Nós, mulheres do Brasil, temos isso como garantido: conversar sobre o que quisermos, poder abraçar alguém em público. Diferentemente de alguns países, onde não se pode sequer mostrar o rosto, imagine um sorriso.
Recentemente, uma amiga me contou sobre alguém que nos descreveu como “abertas demais a qualquer um, com intimidade muito rápida com as pessoas”. Ao ouvir, essa menina passou a integrar a minha lista de “conhecidos”. Fiquei brava, com vergonha. Senti-me exposta e considerei mudar.
Depois de um tempo, voltei a pensar em como não importava. Porque, em outras regiões do mundo, ela seria considerada promíscua apenas pelo fato de não cobrir as pernas. Em outras, por não esconder o rosto.
Nós temos um privilégio, não um direito. Condição esquecida com o passar do tempo e pela falta de informação que chega à população. Pessoas lutaram e seguem lutando para que mulheres tenham seus direitos garantidos. Essa menina não pensou nisso. Normalmente, nos escapa da cabeça no dia a dia. Como “punição”, ela não ouvirá mais minhas piadas sem graça e pesadas demais para serem colocadas em um jornal — provavelmente ficará grata. E, então, esse sentimento passou.
Brinco com qualquer pessoa que fale comigo, recebo todos com um sorriso no rosto e faço amigos por um único motivo: porque eu posso e farei o máximo que puder com meu privilégio.