Porque eu posso

Opinião

Helena Tomaschewski

Helena Tomaschewski

Estudante de Direito

Porque eu posso

Por

Pela minha visão de vida, não existe nada mais interessante do que uma sala cheia de pessoas. Cada história, cada olhar de mundo, cada personalidade. E eu faço questão de conhecer quem encontro com alegria. Os leitores que já me pararam provavelmente notaram isso. Faço piadas, às vezes sem graça, abraço e procuro me tornar amiga de todos. Gosto de uma casa lotada. Para mim, é a vida.

Nós, mulheres do Brasil, temos isso como garantido: conversar sobre o que quisermos, poder abraçar alguém em público. Diferentemente de alguns países, onde não se pode sequer mostrar o rosto, imagine um sorriso.

Recentemente, uma amiga me contou sobre alguém que nos descreveu como “abertas demais a qualquer um, com intimidade muito rápida com as pessoas”. Ao ouvir, essa menina passou a integrar a minha lista de “conhecidos”. Fiquei brava, com vergonha. Senti-me exposta e considerei mudar.

Depois de um tempo, voltei a pensar em como não importava. Porque, em outras regiões do mundo, ela seria considerada promíscua apenas pelo fato de não cobrir as pernas. Em outras, por não esconder o rosto.

Nós temos um privilégio, não um direito. Condição esquecida com o passar do tempo e pela falta de informação que chega à população. Pessoas lutaram e seguem lutando para que mulheres tenham seus direitos garantidos. Essa menina não pensou nisso. Normalmente, nos escapa da cabeça no dia a dia. Como “punição”, ela não ouvirá mais minhas piadas sem graça e pesadas demais para serem colocadas em um jornal — provavelmente ficará grata. E, então, esse sentimento passou.

Brinco com qualquer pessoa que fale comigo, recebo todos com um sorriso no rosto e faço amigos por um único motivo: porque eu posso e farei o máximo que puder com meu privilégio.

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