Quem passa pelo Pavilhão da Agricultura Familiar na 32ª Fenadoce dificilmente resiste à curiosidade. O barulho da máquina em funcionamento e o modo artesanal de preparar a erva mate fazem muita gente parar para assistir. Mais do que vender o produto, o expositor Pedro Brizola, de Novo Barreiro, apresenta um pedaço da história da cultura gaúcha.
A máquina utilizada nas demonstrações acompanha a família há mais de duas décadas. Segundo Brizola, o equipamento começou a ser utilizado em 1999, durante a Expointer, e até hoje desperta o interesse do público. O funcionamento é simples: a erva é colocada no equipamento e, conforme vai sendo socada, ganha uma coloração mais verde e perde parte dos resíduos de madeira.
Toda a produção é própria. A família cultiva cerca de 26 hectares de ervais, o equivalente a aproximadamente 100 mil pés plantados. O maquinário também foi desenvolvido pelos próprios produtores, inspirado nos antigos modelos de madeira utilizados no beneficiamento da erva-mate. Com a evolução das normas sanitárias, os equipamentos passaram a ser fabricados em ferro galvanizado, mas a versão original segue sendo levada às feiras para mostrar como era feito o processo antigamente. “O objetivo é mostrar para as pessoas, principalmente para as crianças, como a erva era produzida. Muita gente nunca viu esse processo de perto”, explica.
Outro destaque é a erva defumada, produzida novamente há cerca de dois anos após pedidos dos consumidores. O processo resgata uma técnica tradicional praticamente abandonada pela indústria e exige muito mais tempo de fabricação.
Enquanto uma erva convencional fica pronta rapidamente, a versão rústica leva entre três e quatro dias para ser concluída. O processo inclui o sapeco das folhas, a defumação por aproximadamente um dia, nova secagem e, por fim, o beneficiamento. O resultado é um produto de sabor mais marcante e com características bastante diferentes das ervas industrializadas.
Segundo Brizola, a diferença também aparece no valor agregado. A erva tradicional comercializada pela família custa R$ 15, enquanto a versão defumada é vendida por R$ 25. “A matéria-prima é a mesma. O que muda é a quantidade de trabalho e o tempo de produção”, afirma.
O sucesso da erva artesanal confirma que muitos consumidores voltaram a procurar sabores mais tradicionais. “Com o avanço das máquinas, esse tipo de produção praticamente desapareceu. Mas o pessoal começou a pedir de novo e nós voltamos a fazer. Hoje vende muito bem”, destaca.
Além da procura pela erva, a máquina artesanal também desperta outro tipo de interesse. Em praticamente todas as feiras, segundo o produtor, aparecem visitantes fotografando e até medindo o equipamento na tentativa de reproduzi-lo. “Sempre tem alguém querendo copiar, mas acertar o funcionamento dela não é fácil”, brinca.
