O Greenpeace Brasil manifestou preocupação, no começo desta semana, com a falta de adequações necessárias no Rio Grande do Sul para o enfrentamento dos temporais que estavam previstos e que, de fato, atingiram o Estado desde a última sexta-feira (17). A organização ativista ambiental afirma que o governo gaúcho e os municípios não realizaram a adaptação necessária e, com isso, a população sofre os graves impactos das chuvas volumosas.
Até o momento, sete municípios decretaram situação de emergência por conta do alto volume de chuvas. O Greenpeace afirma que seguirá acompanhando a situação no Rio Grande do Sul e alerta para a urgência de ações de adaptação climática justa e inclusiva nos municípios gaúchos.
A coordenadora de Justiça Climática do Greenpeace Brasil, Leilane Reis, além de lamentar as famílias gaúchas, atingidas pelas tempestades destes últimos dias, relembra que muitas delas ainda não haviam se recuperado da tragédia de 2024. A representante da organização afirma que os últimos anos têm mostrado que eventos extremos seguirão atingindo o Rio Grande do Sul, mas o tamanho dos impactos desses eventos na vida da população gaúcha dependerá de quanto o poder público se preparou para enfrentar a realidade imposta pela crise do clima. “Os danos materiais e humanos causados por eventos climáticos extremos têm mostrado ao poder público o quanto é caro e triste não investir em ações de adaptação climática, prevenção, resposta rápida e reconstrução”, diz.
Semana de Ação Climática
Em meio às tempestades que afetam o Estado, Porto Alegre está sendo palco da sua primeira Semana de Ação Climática. O evento global é organizado pelo Pro Natura International, em parceria com a Themis, a Anistia Internacional, o Instituto Clima e Sociedade (iCS), a Coalizão pelo Clima do Rio Grande do Sul, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e a Defensoria Pública, e acontece até o próximo domingo, 26.
A proposta é construir uma agenda diversa e integrada, alinhada aos principais temas da COP30, realizada em novembro do ano passado. A programação reúne debates, oficinas, ações comunitárias, eventos culturais, aulas abertas e iniciativas de inovação em diferentes pontos da capital, como o Instituto Caldeira, a UFRGS, a Unisinos, a PUCRS e o Theatro São Pedro.
Sendo realizado desde a segunda-feira, quando os estragos das chuvas já eram contabilizados pelo governo gaúcho, o professor Fernando Meirelles, da Ufrgs, afirmou em um dos painéis que o Estado não está preparado para novos eventos climáticos extremos. “Sempre que me perguntam o que sabemos sobre enchentes e sobre o cenário, o fato é que estamos realmente perdendo muito tempo e muitas oportunidades. […]Precisamos ter as informações hidrológicas necessárias, que são poucas”, disse.
Já a procuradora de Justiça e presidente do Gabinete de Clima do MPRS, Silvia Capelli, afirmou durante o evento que prefeitos resistem em incluir mapeamento de risco nos Planos Diretores, como o de Porto Alegre, por pressões políticas e econômicas.
Ainda em seu pronunciamento pelo Greenpeace Brasil, Leilane afirma que a Semana de Ação Climática tem potencial para ser um marco nas discussões de agenda climática no Rio Grande do Sul, “mas também é preciso que os governos municipais e estadual implementem ações de adaptação e reconstrução justa e inclusiva em todo o território gaúcho”, reforça.