Com o CNPJ formalizado desde fevereiro, a SAF do Grêmio Esportivo Brasil permanece cercada de incertezas. Enquanto o Rubro-Negro está prestes a estrear na quarta competição profissional nesta temporada, o controle acionário da nova empresa continua totalmente pertencente ao clube associativo, contrariando o acerto que envolve a transferência de 90% das ações para os investidores.
O impasse engloba a Recuperação Judicial (RJ) em que o Brasil, como associação, encontra-se desde agosto de 2025. O processo é fiscalizado pelo escritório Feversani, Pauli & Santos, de Santa Maria, responsável pela Administração Judicial (AJ). E é da passagem dos ativos para a Xavante Participações, empresa criada em dezembro, que vêm as preocupações e os questionamentos que travam os avanços esperados.
A última manifestação da AJ se deu em 21 de julho, com uma indicação ao Juizado Regional Empresarial da Comarca de Pelotas para que a Xavante Participações seja intimada a prestar esclarecimentos relativos à operação. A razão tem a ver com o fato de que a dívida do clube será quitada pelos investidores após uma renegociação chancelada via Assembleia Geral de Credores (AGC).
Agendada para ocorrer em primeira e segunda chamada respectivamente nos dias 5 e 14 de maio, a AGC foi cancelada pelo juiz Alexandre Moreno Lahude “para que os credores possam ter pleno e adequado conhecimento dos atos relacionados à constituição da SAF e à pretendida alienação de 90% de suas ações para a Xavante Participações”, segundo o escritório da AJ.
O papel da AGC
Em sua mais recente publicação, a AJ destaca a falta de representantes da empresa gestora da SAF na reunião realizada em 7 de julho. “A atual ausência de transparência compromete a fiscalização por esta Administração Judicial, gerando preocupação quanto ao efetivo acompanhamento e ao cumprimento futuro das obrigações assumidas”, diz trecho do último relatório.
Em junho, foram apresentados um novo plano de recuperação judicial e um reformulado laudo de viabilidade econômico-financeiro, com proposta de redução da dívida (exceto a tributária) de R$ 28,7 milhões para R$ 4,7 milhões. A intenção é que o documento seja apreciado na assembleia, com a presença dos credores, mas o evento continua sem data para ocorrer.
Em entrevista à Rádio Pelotense 99,5 FM, Fernando Ferreira, um dos gestores da SAF, que toma as decisões no clube via procuração, falou sobre o assunto.
“Precisa-se chegar a um acordo e se pagar aquele negócio ao longo do tempo. E o Brasil é o devedor; não é a SAF. Mas quem vai pagar a conta? A SAF. Qual é o ativo que permite que isso aconteça? É a SAF. Acho que não é o usual nas outras operações de SAF, mas é muito nessa linha. O que a gente espera: convoquemos a assembleia, façamos a negociação, cheguemos a um acordo”, afirmou.
De acordo com Fernando Ferreira, os investidores têm injetado recursos no clube mesmo sem a posse dos 90% das ações. O cenário, entretanto, causa preocupação. Segundo ele, projetos importantes para a SAF estão travados em função disso – como o estudo para construir um centro de treinamento e a implementação de um gramado sintético no Bento Freitas, por exemplo.
“Já fui mais otimista. Quem paga a conta está na incerteza – e não é uma conta pequena. Tem um limite de tempo e um limite do próprio investimento”, disse o gestor.
Quem são os investidores?
A Xavante Participações tem em seu quadro societário a Greenfield Gestão Esportiva Ltda, a Lay SA e Jociane de Oliveira. O capital social declarado é de R$ 100 mil. A empresa está sediada em Barueri, região metropolitana de São Paulo, com o CNPJ 64.254.541/0001-29.
A Greenfield é um braço da Pluri Sports, empresa em que Fernando Ferreira é sócio-fundador. A Pluri fechou com o Brasil em 2024 para iniciar o processo de colocação da marca do clube no mercado de olho em uma transformação em SAF.
A Lay SA tem sede formal em Barueri e também em Capão da Canoa, litoral norte gaúcho. Seu representante legal é Fábio Bampi, o Nettuno, um dos investidores e gestores da SAF.
Jociane de Oliveira aparece como sócia-administradora da Xavante Participações. Ela também integra o quadro societário da Pluri e da Greenfield.
