Percebi que a vida havia mudado completamente, virado de pernas para o ar, quando nada ao meu redor guardava mais lembrança de você.
No dia seguinte, pintei as paredes do quarto. Foi como se cada gota de tinta fosse uma lágrima, inundando cada canto da casa.
Ao perceber que as cores do meu quarto haviam mudado, entendi que você, oficialmente, havia ficado no passado.
Tudo guardava histórias.
Um dia, éramos nós dois montando minha estante, apaixonados, entre beijos calorosos e risadas. Felizes, construíamos juntos um novo cenário.
No outro, era apenas eu, tentando descobrir como faria tudo sozinha.
Descobrindo como viver sem ajuda, encarando a solitude e me agarrando como se fosse minha maior virtude.
Sempre tive dúvida para saber se o mundo seria grande o suficiente para me esmagar enquanto me afogava nas lembranças da gente.
Fui retirando os móveis do lugar, desfazendo-me das memórias, da nossa cama.
Tudo se renovava, mas meu coração ainda se agarrava ao que éramos.
As cores do quarto mudaram, mas meu coração continua azul.
Meu lar mudou no instante em que você partiu.
Pois me obriguei a fazer as malas, doar suas roupas, encarar a vida.
Nas primeiras semanas, eu não conseguia dormir sem ser assombrada pela felicidade que um dia habitou minha casa.
Hoje, vejo uma renovação, como se algo estivesse finalmente te expulsando do meu coração.