Há 110 anos
Foi a partir de 1916 que os questionamentos sobre a qualidade e o prazo de validade das vacinas para o gado ficaram cada vez mais frequentes. As denúncias sobre os imunizantes que vinham do Rio de Janeiro chegavam direto para o diretor da Escola de Agronomia, Manoel Luiz Osorio. A solução encontrada seria preparará-las em Pelotas. Começava aí a origem do Instituto de Hygiene de Pelotas.
Foi o próprio Manoel Luís Osorio que passou a articular a criação de um espaço para tratar especificamente desse tema. Na época, o trabalho foi realizado em conjunto com cientistas do Instituto Butantã, como Oswaldo Cruz, que morreu em 13 de fevereiro de 1917, e seu sucessor, Arthur Neiva, diretor do Serviço Sanitário de São Paulo.
Oficialmente criado em 28 de fevereiro de 1918, durante a gestão do intendente Cypriano Barcellos, o Instituto começou as atividades em 1º de abril do mesmo ano. Além da defesa sanitária animal, o instituto conduzia pesquisas de políticas de saúde e análises de água e alimentos.
O instituto possuía áreas dedicadas à Veterinária (zoonoses), Antiofídica (soros antipeçonhentos), Raiva, Química (análise de água, leite e carnes), Antivariólica (controle da varíola) e Microbiologia Geral. Além da produção científica, a entidade também prestava atendimento gratuito a pessoas de baixo poder aquisitivo.
Inicialmente foi implantado na rua Andrade Neves, junto à Escola de Agronomia e Veterinária.
A mudança para o Fragata
Em 1928, dois anos após a morte do industrial Carlos Ritter, o sobrado onde ele morava com a esposa foi adquirido pela intendência, que realocou o Instituto de Hygiene. Na época, a antiga sede estava pequena e os cientistas precisavam de um espaço mais amplo.
A residência, construída entre 1908 e 1913, na avenida Vinte de Setembro, no bairro Fragata, foi o local escolhido para a ampliação dos serviços.
Porém, em 1929, o Instituto passou para a tutela do Estado após um acordo entre o intendente João Py Crespo e Getúlio Vargas, ampliando sua produção de soros e vacinas para todo o Rio Grande do Sul. O que de fato aconteceu e, um dos marcos, ocorreu em 1936, quando inaugurou uma seção de vacinação antituberculosa. Em 1958 a propriedade foi doada à futura Faculdade de Medicina de Pelotas, fundada em 1959, e instalada definitivamente em 1963, onde permanece até hoje.
Fontes: Dicionário de História de Pelotas; Álbum de Pelotas de 1922; UFPel
Há 50 anos
Geólogo amador põe em dúvida a existência de jazidas de cobre em São José do Norte
O geólogo amador José Anélio Saraiva afirmou que eram mínimas as possibilidades de existência de minas de cobre no município de São José do Norte. Em julho de 1976, chegou à imprensa que o pesquisador Rudolf Heinz Gerwing havia descoberto imensas jazidas do mineral no subsolo daquele município.

Saraiva explicou porque não era possível encontrar o mineral (Foto: Reprodução)
A notícia teve repercussão imediata pelo impacto que poderia ter na economia da região. “Vários fatores científicos-geológicos contrariam a afirmativa do ilustre doutor Gerwing recentemente divulgadas pelo prefeito daquele município gaúcho”, falou Saraiva.
Na época, Saraiva disse que a região de São José do Norte não foi afetada pelo vulcanismo. “Os efeitos vulcânicos vieram mais ou menos até Santaninha e parte do município de Canguçu. Sabe-se que, por exemplo, o cobre das minas do Camaquã ocorre em uma formação sedimentar de pouca espessura e numa zona geralmente atingida por efeitos vulcânicos”, comentou.
Método contestado
Anélio Saraiva ainda expôs um ponto delicado na análise de Gerwing. O método utilizado pelo engenheiro para produzir o laudo: a radiestesia. “…Ele não tem base científica e sim intuitiva-espiritual”, disse Saraiva.
Fonte: Acervo BPP