Pelotas mira Brasília com 14 pré-candidatos

Opinião

Pedro Petrucci

Pedro Petrucci

Jornalista

Pelotas mira Brasília com 14 pré-candidatos

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Se as convenções confirmarem o cenário atual, Pelotas terá ao menos 14 nomes na disputa pela Câmara dos Deputados. A lista é extensa, mas a realidade política da cidade é bem mais estreita: há uma cadeira efetivamente em jogo. Duas representações locais seriam um resultado excepcional, enquanto terminar sem nenhuma também não é impossível.

A primeira regra é que não existe uma vaga reservada para Pelotas ou para a Zona Sul. A disputa ocorre em todo o Rio Grande do Sul, que elegerá 31 deputados federais. A segunda é que a eleição segue o sistema proporcional: antes de definir quem entra, os votos determinam quantas cadeiras cada partido ou federação terá. Somente depois elas são ocupadas pelos candidatos mais votados dentro de cada grupo.

O caso de Daniel Trzeciak (PSDB) é o melhor exemplo. Em 2022, a Federação PSDB-Cidadania conquistou três vagas no Estado. Foram eleitos Lucas Redecker, com 119.069 votos, Any Ortiz, com 119.039, e ele, com 77.232. Redecker e Any migraram, respectivamente, para PSD e PP. Com as duas saídas, Daniel passou a ser a principal referência da federação.

A mudança abre espaço, mas também enfraquece o conjunto. PSDB e Cidadania perderam os dois nomes mais votados da nominata passada e agora precisam reconstruir a votação que produziu três cadeiras. É aí que entra Catarina Paladini (Cidadania). Ex-deputado estadual e ex-secretário, ele reforça a federação e ajuda Trzeciak na soma coletiva, embora também seja seu concorrente interno. É uma das peculiaridades do sistema: os dois colaboram para conquistar vagas e, depois, disputam quem irá ocupá-las.

Marciano Perondi (PL) aparece como o principal nome novo pela força demonstrada na eleição municipal. Terminou o segundo turno de 2024 com 49,64% dos votos válidos e perdeu a prefeitura para Fernando Marroni (PT) por apenas 1.263. Essa densidade o coloca num patamar diferente dos demais estreantes, mas eleição majoritária e proporcional obedecem a lógicas distintas. Para chegar à Câmara, Perondi precisará ampliar sua presença fora de Pelotas e ficar bem posicionado numa nominata estadual do PL que reune outros candidatos fortes.

Jurandir Silva (PSOL) já conhece essa matemática. Em 2022, recebeu 16.933 votos e ficou como primeiro suplente. A Federação PSOL-Rede conquistou apenas uma cadeira, ocupada por Fernanda Melchionna, que concentrou 199.894 votos. Mesmo com uma puxadora próxima dos 200 mil, o conjunto não produziu a segunda vaga. Para ele, portanto, não basta ampliar sua própria votação: o PSOL também precisa formar uma bancada maior. No mesmo partido, Guido CNR tentará converter o reconhecimento da música em votos.

Miriam Marroni (PT) entra em uma federação com capacidade comprovada de eleger vários deputados, mas também com forte concorrência interna. A mudança da disputa estadual para a federal integra uma articulação petista para fortalecer a nominata ao Congresso. Vereadora, ex-deputada estadual e ex-secretária municipal, ela terá a estrutura partidária e a ligação com o governo local, mas precisará conquistar espaço entre parlamentares e lideranças consolidadas em outras regiões.

Daniel Mussi (PSD) parte dos 18.478 votos recebidos para deputado federal em 2022. Terá o apoio de Eduardo Leite e poderá formar dobradinha com Paula Mascarenhas, pré-candidata à Assembleia. O PSD chega fortalecido, inclusive pela filiação de Redecker. Isso aumenta a possibilidade de formar uma bancada, mas também eleva a concorrência pelas cadeiras.

Cauê Fuhro Souto leva ao Podemos a exposição de quem exerce mandato de vereador. No PDT, Reginaldo Bacci carrega os 6.514 votos obtidos para prefeito em 2024, enquanto Francisco Isaías aposta na passagem pela Secretaria Municipal da Saúde. Os dois somam para o mesmo partido, mas disputam a posição interna que poderá dar acesso às vagas conquistadas pela legenda.

O ex-vereador José Paulo Bennemann será o nome do Democrata Cristão. Já Professora Alicéia Ceciliano representará o PSB a partir da trajetória na educação e no serviço público. Eduardo Carreira, presidente do Centro Português, será um dos nomes do Novo, junto com Coronel Napoleão. São candidaturas com menor acúmulo eleitoral, mas que também cumprem a função de ajudar seus partidos a alcançar votação para formar bancada.

Esse é o ponto que relativiza a preocupação com a quantidade de candidatos. Dividir votos dentro do mesmo partido ou federação não é necessariamente prejudicial, porque eles são somados. O risco para Pelotas aparece quando os votos locais ajudam diferentes grupos a conquistar cadeiras, mas nenhum representante da cidade termina bem colocado dentro deles.

Nesse caso, o eleitorado pelotense contribui para eleger deputados de outras regiões.

Voto por gênero

A pesquisa Paraná Pesquisas coloca Luciano Zucco (PL) na liderança da corrida ao Piratini, com 34,2%, seguido por Juliana Brizola (PDT), com 30,1%. Gabriel Souza (MDB) aparece em terceiro, com 13%. O recorte por gênero ajuda a explicar a vantagem do candidato do PL: ela é sustentada principalmente pelo desempenho entre os homens.

No eleitorado masculino, Zucco alcança 42,1%, contra 26% de Brizola, uma diferença de 16,1 pontos. Entre as mulheres, a ordem se inverte, mas com distância menor: Brizola tem 33,8% e

Zucco, 27,1%. Ou seja, o avanço da candidata entre as mulheres reduz a vantagem de Zucco, mas não compensa a diferença aberta por ele entre os homens.
O comportamento se repete na corrida ao Senado. No resultado geral, Manuela d’Ávila aparece com 30,7%, Marcel Van Hattem tem 28,6% e Germano Rigotto, 26,3%. Entre os homens, Van

Hattem lidera com 37,1%, enquanto Manuela registra 24,5%. Entre as mulheres, Manuela chega a 36,2%, contra 21,1% de Van Hattem. Rigotto apresenta equilíbrio quase absoluto: 26,6% entre os homens e 26,1% entre as mulheres.

As duas disputas apontam a mesma tendência: as candidaturas da direita têm desempenho melhor entre os homens, enquanto as representantes do campo progressista avançam entre as mulheres. Não se trata de uma divisão absoluta — 27,1% das mulheres escolhem Zucco e 26% dos homens preferem Brizola —, mas de uma diferença capaz de definir a liderança.

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