Quando vi fantasmas

Opinião

Felipe Lannes Gonçalves

Felipe Lannes Gonçalves

Psicólogo

Quando vi fantasmas

Por

“Mãe, olha, um fantasma” – eu os via todas as noites quando criança.  Apontava para o céu. Esse era o nome que eu dava para as estrelas enquanto deitava na grama molhada de sereno.

Ontem olhei novamente para o céu. A vida adulta me faz mais concreto, mas ainda assim mantive vivo meu lado imaginativo, e me vejo pensando sobre como devem ser os pensamentos de quem já foi até lá, no espaço.

Quais as saudades que um astronauta sente?

O que ele pensa sobre como nós nos tratamos?

Qual o tamanho do problema de uma xícara de café virada no sofá?

Um dia saberei, mas por hora apenas contemplo o tabuleiro de alfinetes espetados no escuro piscando sua luz para mim, que ainda sou muito terreno. Descobri alguns anos atrás que essas luzes representam estrelas que morreram há milhares de anos. Essa descoberta me confortou, lembrando que há legado até no céu e, quando há legado, há esperança.

Olho para as estrelas e percebo também que as coisas podem continuar brilhando mesmo depois que passaram pela nossa vida. Lembro do Vô Maciel, que continua brilhando por aqui através dos seus ensinamentos. “A gente aprende até morrer, Felipe.” Talvez nossos melhores momentos sejam como estrelas.

Sejam astros ou memórias, ambas iluminam nossos passos nos pedaços do tempo.

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