O Grêmio Esportivo Brasil formalizou nesta quinta-feira (25) o novo plano de recuperação judicial e a atualização do laudo de viabilidade econômico-financeira, ou seja, como o clube pretende renegociar suas dívidas para quitá-las dentro do processo de Recuperação Judicial (RJ).
O valor total listado na RJ é de R$ 28,6 milhões, que seriam transformados em R$ 4,7 milhões conforme a proposta. Neste montante não está incluído o passivo tributário, estimado em R$ 29,7 milhões e negociado diretamente com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
A proposta será analisada pelo escritório Feversani, Pauli & Santos, de Santa Maria, responsável pela Administração Judicial (AJ) da RJ do Xavante, antes da definição de uma nova data para a realização da Assembleia Geral de Credores (AGC), que estava agendada para maio, mas acabou adiada por determinação judicial.
O documento apresentado nesta quinta-feira cita as três classes de credores existentes e prevê formas específicas de pagamento para cada uma delas. Além disso, menciona os objetivos de ascensão esportiva do Rubro-Negro nos cenários estadual e nacional, o que impulsionaria a entrada de receitas nas contas do clube.
Parcelas por tipo de credor
De acordo com a proposta, os credores trabalhistas terão prioridade. Quem está listado no processo da RJ com valores de até R$ 6 mil receberá o montante integral, sem desconto. Já para valores superiores, o plano determina o pagamento inicial dos R$ 6 mil e aplica um deságio (redução) de 90% sobre o saldo restante, até o limite de 150 salários mínimos.
Acima desse limite, os créditos passam a seguir as regras aplicáveis aos credores quirografários. Na prática, o credor trabalhista receberá 10% desse valor em sete parcelas mensais. Desta maneira, as dívidas de cunho trabalhista seriam zeradas um ano após a eventual homologação do plano.
Os demais credores também terão seus créditos renegociados segundo a classe em que se enquadram, com prazos e condições definidos no plano de recuperação judicial. O objetivo é adequar os pagamentos à capacidade financeira do clube e permitir a continuidade de suas atividades.
Credores quirografários, microempresas e empresas de pequeno porte receberiam parte dos valores em parcelas mensais nos cinco primeiros meses após a homologação do plano, com uma pausa nos sete meses seguintes. Os débitos voltariam a ser quitados quando a homologação do plano completasse um ano, com pagamentos anuais até o 11º ano (para credores quirografários) e até o oitavo ano (para empresas).
A proposta ainda prevê que a empresa que acertou a aquisição de 90% das ações da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Brasil, a Xavante Participações, assumirá o compromisso de cumprir o plano e conduzir a reestruturação financeira da instituição.
Desempenho esportivo
Além da renegociação das dívidas, o documento estabelece que a recuperação do Brasil dependerá diretamente do desempenho esportivo. O laudo de viabilidade afirma que o calendário de competições é um dos fatores mais importantes para o sucesso da recuperação e destaca que, sem investimentos capazes de tornar a equipe mais competitiva, não será possível viabilizar economicamente o clube.
Dentro desse planejamento, o Brasil projeta o acesso para a elite do Gauchão já na atual temporada, por meio da Série A-2 que começa em agosto. Para 2027, outra expectativa é estar na Série D do Brasileirão. Para isso, precisará garantir vaga por meio do título da Copa FGF, em que inicia a semifinal contra o Santa Cruz neste sábado (27).
O acesso à Série C aparece projetado para 2028, divisão nacional na qual o clube permaneceria até 2032. Já para 2033, o plano engloba o retorno à Série B do Campeonato Brasileiro, onde o Xavante ficaria até pelo menos 2035. O cronograma também considera campanhas progressivamente melhores na Copa do Brasil e na Copa Sul-Sudeste.
Receita estimada em R$ 114 milhões em 2035
Para sustentar esse crescimento esportivo e financeiro, o documento prevê a ampliação das receitas em diversas áreas. Entre elas estão o aumento das cotas de televisão e da participação em competições, crescimento da arrecadação com bilheteria e programa de sócios, valorização dos contratos de patrocínio, exploração comercial da marca e do estádio Bento Freitas, fortalecimento das categorias de base, negociação de atletas, licenciamento de produtos e desenvolvimento de novos projetos comerciais ligados à SAF.
Com essas premissas, o estudo estima que a receita bruta anual do Brasil passe dos atuais R$ 3,6 milhões em 2026 para aproximadamente R$ 114 milhões em 2035. Segundo o laudo, as projeções foram elaboradas com base em um cenário considerado conservador, “sem depender de campanhas esportivas extraordinárias, mas do cumprimento gradual das metas previstas e da profissionalização da gestão por meio da SAF”.
Transferência de ativos
Enquanto isso, a SAF do Brasil permanece integralmente sob controle do clube associativo. A Xavante Participações acertou a aquisição de 90% das ações, mas a transferência dos ativos ainda não ocorreu. A nova gestão trabalha por procuração.
A razão é uma determinação judicial atrelada ao processo de RJ. O juiz Alexandre Moreno Lahude solicitou informações adicionais relativas aos contratos assinados entre os investidores e a direção executiva do clube.
