A tradição dos doces portugueses e cristalizados continua sendo a grande marca da Fenadoce de Pelotas, mas a Feira Nacional do Doce também tem espaço para quem busca uma alimentação mais equilibrada ou tem alguma restrição alimentar. Entre opções zero açúcar, proteicas e adaptadas para diferentes necessidades, os visitantes encontram alternativas que permitem aproveitar a experiência gastronômica, sem abrir mão dos cuidados com a saúde.
Essas opções não são voltadas apenas para quem tem diabetes ou intolerâncias, mas também para pessoas que praticam atividades físicas, seguem dietas específicas, ou simplesmente desejam consumir doces com moderação, reforçando que o equilíbrio permite aproveitar a Fenadoce sem excessos.
O médico nutrólogo, Adriano Gasparin, reforça que a tradição doceira não precisa deixar de ser apreciada por conta de calorias e que as opções de doces zero são uma importante mudança para contemplar um maior público dentro da festa da cultura pelotense. “Todo mundo pode e deve comer o seu doce favorito, mas fazer escolhas conscientes. É cuidar para não comer de forma compulsiva”, alerta.
O que o doce causa no nosso cérebro?
O nutrólogo explica que nós temos no nosso sistema metabólico várias vias regulatórias que nos levam a um maior ou menor consumo, não só dos doces, mas de alimentos em geral. No caso do açúcar, a ligação é com a via dopaminérgica que é responsável por uma liberação massiva de dopamina, é um importante neurotransmissor produzido pelo cérebro que atua no controle da motivação, do sistema de recompensa e dos movimentos corporais. No caso de recompensa, a dopamina estimula a sensação de prazer e satisfação quando realizamos atividades essenciais ou recompensadoras, o que pode ser relacionado com o doce de Pelotas e a felicidade que sentimos ao prová-los.
O estímulo visual e olfativo que a feira traz também é um convite para se deliciar com aquilo que é nosso patrimônio. “O açúcar refinado, enquanto carboidrato simples, tem uma liberação muito rápida de insulina e ela vai ativar a via seratoninérgica. […] Então, a serotonina vai dar aquele prazer imediato”, diz Gasparin.
Doces mais nutritivos
O médico defende que não é o consumo de um doce isolado que irá determinar prejuízos para a saúde de uma pessoa, e sim todo o contexto da sua alimentação, prática de atividade física e histórico clínico.
Gasparin destaca que o impacto maior está relacionado aos episódios de descontrole, que podem ser evitados com as escolhas conscientes e a percepção de toda essência de afeto, de compartilhar momentos com a família, e o que representa a participação na principal festa do segmento no país.
Entre os doces tradicionais de Pelotas, o Quindim é o doce menos calórico, onde meia porção tem 96 calorias, 1,5 gramas de proteína e 11,7 gramas de carboidrato. A opção mais proteica seria o Camafeu, com 179 calorias, em meia porção, mas 3,9 gramas de proteína devido à sua composição, sendo uma das maiores taxas entre os analisados.
Para além destas questões, o nutrólogo defende que ir à Fenadoce não precisa significar o abandono dos objetivos de saúde ou estéticos. No entanto, mais importante do que procurar o doce com menos calorias, é desenvolver uma relação saudável com a comida.
Doces proteicos
Em seu segundo ano participando da Feira Nacional do Doce, a “Nina Doce Fit” ganha espaço entre aqueles que seguem uma dieta que prioriza o consumo de proteína, ou que tem neste macronutriente a opção de agregar valor nutricional aos doces que podem ajudar na adesão ao plano alimentar.
De acordo com Ítalo Caldeira, nutricionista e idealizador da linha de doces, que faz parte da “Nina Doces”, o mais procurado é o bombom de morango proteico que, mesmo não sendo um dos que leva o selo de doce tradicional de Pelotas, é um dos doces preferidos do público que comparece à Fenadoce.
Sobre o processo de criação, Ítalo destaca que foram precisas diversas tentativas até chegar a um doce que ficasse palatável, que também trouxesse a essência da doceria, com nutrientes alinhados à proposta. “Os pacientes me procuravam com receitas fit que não matavam a vontade do doce, e aí pensei em unir o doce de Pelotas, com menos açúcar, e que pudesse ajudar na dieta”, conta.
Tradição e inovação
Dentro da Berola, marca tradicional na venda de doces e tortas em Pelotas, o crescimento dos segmentos zero impulsionou a retomada de um braço da doçaria, que ganhou um estande especial em destaque na Cidade do Doce. A “Pérola” havia encerrado as atividades em 2009, em função da expansão da marca principal. “A Fenadoce foi o cenário perfeito para essa retomada, onde no estande da Pérola focamos na nossa linha zero, que virou referência”, destaca Daniela Falavigna, uma das proprietárias.
O modelo de fabricação é o mesmo, mas a marca acabou sendo direcionada na feira para a linha de doces zero açúcar e lactose, além da produção de sorvetes a partir dos doces tradicionais.
Dicas
Para aqueles que desejam colocar o equilíbrio em prática durante o período da Fenadoce, o nutrólogo dá algumas dicas que podem auxiliar nas tomadas de decisão durante a visita à Cidade do Doce, como: evitar estar em jejum; fazer uma refeição com bom aporte de proteínas antes de ir para a feira; estar hidratado; frutas são bem vindas nos momentos antes de conferir o que tem disponível nas docerias; dividir os doces com alguém; comer devagar; e levar unidades de doce para casa para ir fracionando durante a semana, evitando comer muitos em curto espaço de tempo.
Além disso, Gasparin cita que manter-se em movimento é uma garantia de que a energia dos doces será muito bem aproveitada, principalmente se esse movimento for caminhar pelos estandes do Centro de Eventos da Fenadoce, prestigiando tudo que a feira tem a oferecer.
