As cores que se transformam em memória

Raízes & Propósitos

As cores que se transformam em memória

Muito além dos jogos, a Olimpíada das Cores é o elo que une gerações de estudantes e ex-estudantes do Colégio Gonzaga. Ao longo de quase três meses, o evento é uma experiência completa que proporciona o espírito de liderança, solidariedade, pertencimento e cidadania

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As cores que se transformam em memória
Desafios estimulam a cooperação, liderança e a solidariedade (Foto: Divulgação)

O branco e o vermelho trazem vida aos corredores. A arquibancada do ginásio se enche de bandeiras, balões e faixas. Os gritos de incentivo da torcida ecoam alto, assim como a expectativa e a emoção que toma conta de todos que vivem a Olimpíada das Cores na sua essência, da abertura oficial pelas ruas de Pelotas até o desfile final. Por um período no ano, o Colégio Gonzaga que foi pioneiro na cidade ao colocar o esporte como forma de unir ainda mais os estudantes, deixa de ser apenas o local com salas de aulas e passa a viver um dos momentos mais aguardados da proposta pedagógica, que é transformar experiências em valores para a vida.

Mais do que uma tradição, o projeto reúne estudantes da Educação Infantil ao Ensino Médio em torno de desafios que estimulam cooperação, liderança, responsabilidade, solidariedade e o senso de coletivo. Ao envolver também famílias, ex-alunos e a comunidade, a iniciativa ultrapassa os muros da escola e reafirma uma marca que acompanha gerações de gonzagueanos: o pertencer.

Os times disputam as modalidades de handebol, vôlei, basquete e futsal, sendo que este são com equipes mistas. O sentimento de união ultrapassa as quatro linhas já que os alunos também realizam arrecadação de alimentos e agasalhos que são doados para instituições que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade. A supervisora pedagógica Adriana Rosinha destaca que formar cidadãos conscientes do papel que ocupam e terão na sociedade no futuro é um dos pilares do Gonzaga. “Quando vemos nossos alunos mobilizados em campanhas solidárias, percebemos que o projeto cumpre sua essência. Eles deixam de estudar cidadania apenas nos livros para vivê-la na prática, compreendendo que podem transformar a realidade das pessoas ao seu redor.”

A Olimpíada das Cores também foi pensada para proporcionar vivências no coletivo. Os estudantes assumem diversas responsabilidades, como a confecção e distribuição das camisetas de cada cor, a tomada de decisões para a execução das tarefas e a importância do trabalho em equipe. “A Olimpíada é uma experiência formativa duradoura. É um projeto que envolve toda a escola, fortalece vínculos e deixa aprendizagens que acompanham nossos alunos em toda caminhada.” Adriana explica que a liderança fica a cargo dos alunos do 2º ano do Ensino Médio, algo que é aguardado por muitos ao longo da trajetória escolar. Além disso, ela reforça que o objetivo, assim como todo projeto pedagógico, é unir conteúdo e vivências. “O projeto é muito mais amplo do que apenas a disputa das partidas. É um legado que o Gonzaga deixa para a cidade e que cumpre um papel fundamental, que é a experiência formativa para toda a vida”.

Muito além do esporte

Para quem sempre estudou no Gonzaga, participar da Olimpíada das Cores não é apenas uma atividade escolar. É um sonho que começa ainda na infância. A ex-aluna Isadora Buss fez parte do Terceirão em 2025, atualmente cursa Jornalismo na Universidade Católica de Pelotas (UCPel) e Letras – tradução Inglês/Português na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e conhece bem esse sentimento. Gonzagueana desde pequena, ela lembra que, a cada ano, a expectativa aumentava para chegar ao 2º ano do Ensino Médio e assumir a liderança de uma das equipes. Segundo ela, esse período marcou profundamente sua formação por ensinar competências que hoje fazem parte da vida acadêmica nas duas faculdades. “Ser líder na Olimpíada me ensinou que liderança não é mandar nas pessoas. É entender cada integrante da equipe, reconhecer diferentes habilidades e deixar o ego de lado para construir um trabalho coletivo. Foi uma das maiores lições que levei da escola”, destaca com sorriso no rosto.

Organização do evento e arrecadação de itens para doação mobiliza cerca de 1,7 mil estudantes (Foto: Divulgação)

Ao coordenar estudantes da Educação Infantil ao Ensino Médio, Isadora precisou organizar cronogramas, administrar recursos e distribuir tarefas. Para ela, cada etapa foi fundamental para executar cada passo com responsabilidade. “Aprendi a lidar com organização, responsabilidade e planejamento. Hoje percebo o quanto essa experiência me preparou para desafios que continuo vivendo fora da escola”, destaca.

A vivência da olimpíada

Aluna desde o Pré-A, Ester Damé da turma 221, vive esses momentos com orgulho e intensidade. Ela faz parte da comissão responsável pela cor branca e conta que sempre sonhou em fazer parte da organização com os amigos e que, assim como Isadora, irá levar para além do colégio os valores aprendidos na Olimpíada. “A união com meus amigos, tudo isso ficou ainda mais evidente, em especial na arrecadação dos alimentos e agasalhos. Saber que pessoas que precisam irão receber desperta um orgulho enorme”.

A Rafaela Xavier,  da turma 222, representa a comissão organizadora do vermelho e também sonhava com esse momento. O Gonzaga é parte de sua vida desde o Maternal B. Ela conta que há muito trabalho, mas que esta é a melhor parte de todos os eventos os quais participou. Por estar na organização, o sentimento já é de dever cumprido. “Todo o aprendizado nas competições, em especial o ganhar e o perder, são lições para a vida adulta e memórias que irei levar por toda minha vida”.

Para quem ensina os valores do esporte, o sentimento de orgulho também prevalece. A Daiane Dias Lima é professora de educação física há quase uma década e trabalha com alunos do infantil ao 1º ano do Ensino Médio. Conectar o esporte desde cedo na vida dos jovens traz benefícios muito além da saúde física e as Olimpíadas ajudam nesse processo. “Por meio do esporte mostramos que as experiências dentro da quadra e o trabalho em equipe refletem nas atitudes fora dela, como a solidariedade e a empatia”, destacou.

Registros para as futuras gerações

Há três anos acompanhando a organização do projeto como coordenador de Comunicação do Colégio Gonzaga, Henrique Vetromilla conhece de perto a dimensão – e a importância – do evento. Muito além da cobertura fotográfica ou da divulgação das atividades, a equipe participa da construção que começa ainda no primeiro semestre e envolve cerca de 1.700 estudantes. “A responsabilidade é grande porque a gente ajuda a entregar um dos maiores eventos do colégio. Mas é justamente isso que torna tudo tão gratificante. Somos uma pequena engrenagem de um projeto enorme, que envolve toda comunidade escolar. Sinto que não estamos apenas registrando imagens, estamos ajudando a preservar uma história que se renova todos os anos.”

A Olimpíada das Cores é construída ao longo de três meses. O planejamento inicia em maio com a formação das comissões, campanhas solidárias, cerimônia de abertura, a semana dos jogos, provas de conhecimento e o momento mais esperado será no dia 14 de agosto, com o tradicional desfile temático. Para Henrique, acompanhar cada uma dessas etapas significa contar a história presente para futuras gerações. “Os alunos vivem tudo com tanta verdade que o registro acaba acontecendo naturalmente. Quando a gente vê pais, ex-alunos, professores e estudantes reunidos por um mesmo propósito, percebo que estamos gravando muito mais do que a Olimpíada em si, mas o registro de memórias”, conta.

O que as memórias são capazes de despertar não ficam restritas apenas a um evento. O que as memórias afetivas são capazes de despertar vão além dos anos vividos na Olimpíada das Cores do Colégio Gonzaga.

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