Agroindústrias familiares apostam na inovação para atrair os visitantes da Fenadoce

32ª edição

Agroindústrias familiares apostam na inovação para atrair os visitantes da Fenadoce

Pavilhão da Feira da Agricultura Familiar é um dos mais movimentados

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Atualizado sexta-feira,
24 de Julho de 2026 às 17:47

Agroindústrias familiares apostam na inovação para atrair os visitantes da Fenadoce
(Foto: Yan Oliveira)

O Dia do Colono, celebrado neste sábado, dia 25 de julho, ganha um significado especial para os 89 expositores do Pavilhão da Agricultura Familiar da 32ª Fenadoce. Com corredores movimentados desde as primeiras horas do dia, consumidores circulam entre estandes repletos de vinhos, licores, sucos, queijos, salames, geleias, doces, conservas, artesanato e artigos para o lar, confirmando o espaço como um dos mais visitados da feira. As agroindústrias familiares apostam na inovação para conquistar novos clientes e fazer com que o público volte a cada edição em busca de novidades.

A diversidade é uma das principais marcas do pavilhão. Agricultores de diferentes regiões do Rio Grande do Sul apresentam produtos tradicionais ao lado de lançamentos desenvolvidos especialmente para eventos como a Fenadoce. A estratégia tem dado resultado, transformando a feira em uma vitrine para pequenos empreendedores ampliarem mercados e fortalecerem suas marcas.

Foi dessa busca por inovação que nasceu um dos produtos mais curiosos da edição: o salame com nozes. A novidade foi criada pela Salumeria Smidler, de Nova Pádua, na Serra Gaúcha. Representando a agroindústria familiar, Cristiane Cavagnoli conta que a ideia surgiu da vontade de oferecer algo diferente aos visitantes.

Cristiane Cavagnoli falou sobre a criação do salame com nozes. (Foto: Cíntia Piegas)

“A gente estava buscando um produto novo e testando algumas combinações. Como na nossa cidade acontece a Festa da Abertura da Colheita da Noz, pensamos: por que não colocar nozes no salame? Deu supercerto”, relata. Participando pela segunda vez da Fenadoce, ela afirma que a experiência anterior motivou o retorno. “Há dois anos estivemos aqui e foi maravilhoso. Agora tivemos uma nova oportunidade e esperamos receber ainda mais visitantes.”

Outra criação que desperta curiosidade é a geleia de queijo parmesão produzida pela Casa do Sabor Artesanal, de Paraí. A receita nasceu justamente durante uma preparação para a Fenadoce. Segundo Raquel Pelegrini, a intenção era surpreender o público com um produto exclusivo.

“A gente observou que queijo era um dos produtos que mais vendiam na feira e pensamos em criar algo diferente. Começamos os testes e quem provava sempre se surpreendia positivamente. Hoje ela continua sendo um sucesso e quem compra vira fã”, afirma. A geleia agridoce é indicada para acompanhar bruschettas, salgados, carnes e batatas rústicas, tornando-se um dos itens mais procurados do estande.

Raquel Pelegrini conta como a geleia de queijo parmesão foi criada. (Foto: Cíntia Piegas)

A criatividade também aparece nos licores artesanais. Vindos do município de Imigrante, no Vale do Taquari, os produtores apostam neste ano em dois novos sabores: limoncello e amora. As pequenas garrafas decoradas ajudam a atrair os visitantes, mas é a degustação que conquista os consumidores. “Esse é o nosso segundo ano na Fenadoce. As pessoas chegam pela apresentação e acabam experimentando. Depois uma indica para outra, principalmente o licor de figo, que já ficou conhecido entre os visitantes”, conta Giuliana dos Santos.

A erva-mate, símbolo da cultura gaúcha, também ganhou novos formatos. De Ilópolis, conhecida como a Capital Nacional da Erva-Mate, a agroindústria trouxe um licor elaborado à base da planta e um blend com capim-cidreira, ampliando o portfólio além da tradicional bebida para chimarrão. “Hoje não apresentamos apenas a erva-mate. Trouxemos bebidas exclusivas e mais sabores de licor para que o público conheça outras possibilidades de consumo”, explica Fabrício Gomes Nunes. A erva-mate também está presente no queijo.

A inovação também está presente em produtos como geleias sem açúcar, molhos especiais, tomate confit, chimichurri, pesto, doces cristalizados, caponatas e compotas, demonstrando como as agroindústrias familiares vêm agregando valor às matérias-primas produzidas no campo.

Feito a mão

No setor de artesanato, a criatividade também chama a atenção dos visitantes. Peças em lã inspiradas em personagens infantis, imagens sacras, tábuas de carne personalizadas para o Dia dos Pais e utensílios produzidos em madeira dividem espaço com artigos confeccionados a partir da própria produção das propriedades rurais. Apesar do momento de celebração, os agricultores lembram que ainda existem desafios para o setor. Alexandre Silveira Ramos, produtor de Santo Antônio da Patrulha, reconhece os avanços obtidos nos últimos anos, principalmente com a ampliação dos espaços destinados às feiras, mas ressalta que o apoio ao produtor ainda precisa crescer.

“Temos muito para comemorar porque a agricultura familiar conquistou reconhecimento e mais oportunidades de participar de feiras. Mas ainda falta apoio nas propriedades. Depois das enchentes, muitos agricultores seguem pagando essa conta, e os recursos nem sempre chegam no tempo necessário”, observa. No artesanato rural, a percepção é semelhante. A artesã Teresinha Schwert, de Candiota, acredita que o segmento ainda precisa de maior valorização.

Mesmo diante das dificuldades, o movimento intenso registrado na Fenadoce reforça a importância da feira para a agricultura familiar gaúcha. Entre receitas tradicionais e lançamentos inusitados, os produtores encontram na feira uma oportunidade de ampliar mercados, fidelizar consumidores e mostrar que inovação e tradição podem caminhar juntas.

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