O palco da Praça de Alimentação da 32ª Fenadoce recebe nesta segunda-feira (20), um dos maiores expoentes da música nativista gaúcha. O pelotense Joca Martins é a atração aguardada às 20h30min para um espetáculo gratuito que promete ser um dos momentos mais emocionantes da Feira deste ano. O show marca o reencontro do cantor e compositor com sua terra natal no momento mais significativo de sua trajetória: o ano em que celebra 40 anos de estrada.
Para o artista, a oportunidade de comemorar quatro décadas de música em Pelotas carrega um simbolismo único. Mais do que festejar marcas comerciais, Joca encara este momento como um ciclo de partilha e reconhecimento a todos que o apoiaram desde os tempos em que era estudante na cidade.
“Esses 40 anos têm sido vividos com muita emoção. Quando a gente olha para trás, percebe quantas pessoas fizeram parte dessa caminhada: compositores, músicos, produtores, minha família e, principalmente, o público, que sempre manteve essa história viva. Eu costumo dizer que ninguém faz 40 anos de carreira sozinho”, reflete o músico.
Entre os clássicos e o novo
O público que comparecer à Fenadoce pode esperar um espetáculo minuciosamente planejado para equilibrar a nostalgia dos grandes sucessos com o frescor de suas novas composições. Canções consagradas que atravessaram gerações dividirão espaço com lançamentos recentes, como a faixa Corcoviando. De acordo com o cantor, os sucessos indispensáveis jamais poderiam ficar de fora, pois ganharam vida própria ao longo das décadas.
“Quem vai ao meu show sabe que os clássicos sempre terão um lugar especial. Eles construíram a minha história e, mais do que isso, fazem parte da memória afetiva de muita gente. Eu costumo dizer que essas músicas já não pertencem mais aos artistas, pertencem ao público”, comenta Martins.
Para desvendar o segredo da longevidade de memoráveis composições, como Eu sou bagual e Domingueiro, o compositor aponta para a honestidade das composições nativistas, que conversam diretamente com a alma do homem do campo e da cidade. “O regional não envelhece quando é autêntico. O cavalo, o campo, a família, a amizade, a saudade, a liberdade… tudo isso continua existindo no coração das pessoas, mesmo que o mundo mude”, explica.
Sentimento de pertencimento
Fazer o show no Centro de Eventos de Pelotas ativa memórias afetivas profundas na mente do tradicionalista. Mesmo tendo percorrido palcos de todo o Brasil e da América Latina, o cantor enfatiza que o solo pelotense mantém uma conexão íntima inabalável com sua arte.
“Sempre digo que a gente pode conhecer o mundo inteiro, mas existe um lugar que mora dentro da gente. Para mim, esse lugar sempre será Pelotas. Subir ao palco na minha cidade é cantar em casa, e isso tem um valor que prêmio nenhum consegue medir”, confessa o artista.
Para este grande reencontro em casa, Joca Martins montou uma linha de frente de instrumentistas gabaritados para acompanhá-lo. O time no palco contará com Luciano Fagundes (violão), Yuri Menezes (violão e voz), Ricardo Comassetto (gaita de botão) e Carlos De Cesaro (baixo), sob o comando técnico de som de Alexandre Scherer.
Ao fazer um retrospecto de sua caminhada, o pelotense expressa serenidade e orgulho de sua história, concluindo que o tempo lapidou sua melhor versão. “Nem tudo aconteceu como eu sonhava, mas aconteceu como precisava acontecer para eu chegar até aqui”, finaliza, convidando toda a comunidade a cantar junto nesta noite repleta de gratidão.
