Há 37 anos, Belmar Vargas iniciou a trajetória na área da beleza como auxiliar de cabeleireiro. Quase quatro décadas depois, o profissional comanda uma equipe de 26 pessoas, está há 23 anos à frente da própria empresa e consolidou a Belmar Vargas Hair Design como uma das principais referências do segmento em Pelotas. A receita, segundo ele, nunca mudou: estudar, se adaptar e respeitar a profissão.
Instalado no Shopping Pelotas desde 2014, o salão nasceu depois de mais de dez anos de experiência acumulada em outros estabelecimentos. Belmar conta que decidiu empreender quando percebeu que precisava de um espaço que permitisse desenvolver a própria identidade profissional. “Eu queria ter a minha marca. Antes de abrir o salão, quitei todas as minhas contas, desenhei cada móvel que queria, comprei tudo e só depois procurei o ponto comercial”, relembra.
A mudança para o Shopping Pelotas também exigiu coragem. Na época, o empresário já possuía um projeto para construir um novo salão na cidade, mas mudou completamente os planos após receber uma proposta da administração do centro comercial. Hoje, afirma que a decisão foi determinante para fortalecer a empresa. “No shopping, o cliente procura a marca. Isso dá uma segurança muito maior para o negócio.”
Conhecimento como diferencial
Mesmo em um mercado altamente competitivo, Belmar acredita que o principal concorrente do profissional é ele próprio. “Se o cabeleireiro busca conhecimento, tem técnica e trata bem o cliente, ele se destaca. O maior concorrente é ele mesmo”, resume.
Para ele, atualização constante é uma necessidade permanente. Se antes as tendências eram acompanhadas por revistas, jornais e cursos presenciais, hoje chegam quase em tempo real pelas redes sociais. “O cliente chega mostrando uma tendência que viu na internet. Tu precisas já conhecer aquilo para dizer se funciona ou não.”
Essa preparação também envolve conhecer profundamente os produtos utilizados. Segundo Belmar, quando começou na profissão trabalhava com poucos itens. Atualmente, o salão utiliza dezenas de produtos específicos para diferentes tipos de cabelo e tratamentos.
Honestidade também fideliza
Outro ponto que Belmar considera essencial é a sinceridade durante o atendimento. Segundo ele, nem toda tendência combina com todas as pessoas, e cabe ao profissional orientar o cliente, mesmo que isso signifique recusar um pedido. “Às vezes a pessoa chega com uma foto do Instagram e eu explico que aquele resultado não vai ficar bom para ela. É melhor ser honesto do que criar uma expectativa que não será atendida.”
Essa postura ajuda a construir relações duradouras. Muitos clientes acompanham seu trabalho há mais de três décadas e hoje levam filhos e netos ao salão.
Vaidade masculina cresce
Ao longo da carreira, Belmar também acompanhou uma mudança significativa no comportamento do público masculino. O empresário acredita que o homem passou a investir muito mais na própria aparência e hoje ocupa espaço semelhante ao das mulheres dentro dos salões. “O homem está muito mais vaidoso. Hoje ele procura qualidade, tratamento, coloração, produtos específicos e é, muitas vezes, até mais exigente que a mulher.”
Segundo ele, procedimentos discretos, como a coloração natural dos fios, têm conquistado cada vez mais clientes justamente por preservarem um aspecto natural.
Gestão além da tesoura
Além do trabalho técnico, Belmar também precisou desenvolver habilidades de gestão. Atualmente, coordena uma equipe de 26 profissionais e afirma que nenhum setor funciona sozinho. “Recepção, assistentes, cabeleireiros… Todo mundo é importante. Quando cada um entende seu papel e se sente respeitado, o atendimento acontece da forma como precisa acontecer.”
Grande parte dos profissionais que atuam no salão passou pelo período de formação ao seu lado antes de assumir uma cadeira de atendimento, mantendo o padrão de qualidade da empresa.
Profissão que escolheu o caminho
Embora hoje seja uma referência no setor, Belmar revela que nunca planejou ser cabeleireiro. A oportunidade surgiu ainda na adolescência, aos 15 anos, quando começou como auxiliar em um salão de beleza.
Depois de enfrentar dificuldades financeiras, trabalhar com o pai na madeireira e até servir ao Exército, decidiu voltar definitivamente para a profissão. Desde então, nunca mais saiu da área. “Eu costumo dizer que não fui eu quem escolheu a profissão. Foi a profissão que me escolheu.”