Alunos de escolas municipais têm a primeira vivência no Sete de Abril

peça teatral

Alunos de escolas municipais têm a primeira vivência no Sete de Abril

Projeto Sesc a Mil, em parceria com a prefeitura, proporciona espetáculo teatral gratuito

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Atualizado segunda-feira,
13 de Julho de 2026 às 17:05

Alunos de escolas municipais têm a primeira vivência no Sete de Abril
(Foto: Nátalli Bonow)

Foi com um olhar curioso e passinhos determinados, que mais de uma centena de crianças entre 10 e 8 anos, oriundas de escolas municipais, entraram pela primeira vez no Sete de Abril. No palco esperava por eles um cenário instigante, que de cara aguçou o interesse dos pequenos. E se tinha uma conversa entre amigos e dedinhos apontados para lá e para cá, foi só soar o primeiro sinal que a magia do teatro começou a fazer o seu efeito: fez-se silêncio e a atenção se voltou para as cortinas que se fecharam. Esse momento de pura fruição cultural ocorreu na tarde segunda-feira (13), proporcionado pelo projeto Sesc a Mil, que, em parceria com a Prefeitura, também integra a programação de reabertura do Sete.

A incrível jornada em busca do dragão perdido, produzida pelo Coletivo Nômade, de Porto Alegre, foi a atração da tarde. O mesmo espetáculo terá mais duas apresentações nesta terça-feira (14) , às 9h30min e às 14h30min, também para o público infantil das escolas do município. Apesar de ter os estudantes do Ensino Fundamental como prioridade na plateia baixa, o público em geral também pode assistir à peça gratuitamente, ocupando os camarotes. Quem tiver interesse de ir e levar algum familiar ou amigo, basta chegar na portaria do Theatro, minutos antes do começo da função.

Formação de plateia

Receber os alunos das escolas municipais integra um projeto de formação de plateia iniciado agora com a reabertura do Sete de Abril. “Pra gente pensar em formação de plateia, precisamos inicialmente garantir o primeiro o acesso, que as crianças possam, primeiramente, frequentar o Theatro, ter o acesso físico, e posteriormente também o acesso linguístico, para que eles consigam compreender os signos que estão sendo apresentados no palco, que levem também as suas subjetividades e consigam relacionar com a sua experiência de vida”, fala a professora Maureen Nogueira, coordenadora artístico-pedagógica do Theatro Sete de Abril.

Acostumar uma plateia aos ritos do teatro vai além de proporcionar esse encontro, comenta Maureen. Para a coordenadora, esse trabalho de formação precisa ser permanente e passa também por um processo de educação patrimonial. “No sentido de compreensão desse espaço que é diferente de assistir a um show num estádio de futebol ou num barzinho. O estar dentro desse espaço, que é um patrimônio cultural, um prédio histórico tombado requer que a gente também tenha um outro estado de contemplação, uma outra postura enquanto espectadores. E isso precisa ser formado, haja vista que a gente teve aí 16 anos e um hiato onde boa parte da população ficou sem acesso a esses tipo de espaço público”, argumenta a coordenadora.

Dez escolas contempladas

Ao todo dez escolas, quase 500 estudantes da rede municipal, serão contemplados com esse acesso gratuito, nestas três sessões. A Coordenadora Pedagógica, professora Elsa Beatriz Falk, acompanhou as turmas de terceiro e quarto anos da Escola Municipal Dona Maria Joaquina, escola do 3º Distrito de Pelotas. Comentou que essa primeira experiência dos alunos é de extrema importância para a formação deles. “Porque eles estão desenvolvendo a memória cultural. Eles estão tendo uma oportunidade que talvez nem os pais tiveram, de ter esse contato, de apreciar, aprender a ter gosto pela cultura aqui de Pelotas”, comentou a professora. O passeio rendeu até uma visita pelo Centro Histórico, outra novidade para alguns, que não conheciam esse setor da cidade.

Opinião que vai ao encontro do que pensa a professora Júlia Montardo, Supervisora Pedagógica da Emef Dunas, que levou as turmas de terceiros anos. “Nenhum deles conhecia o espaço e gostaram bastante. Estavam muito empolgados. É importante que eles tenham essas vivências até para aprenderem a se expressar, principalmente sendo comunidades que vêm da periferia”, falou Júlia.

Orientadora Educacional, a professora Fernanda Marques Costa, da Emef Nossa Senhora das Dores, que acompanhou duas turmas de segundo ano da escola, também relatou o entusiasmo das crianças pela experiência, desde a semana passada, quando eles tiveram de receber a permissão dos pais para o passeio. “Eu que tenho formação inicial em Artes acho uma maravilha. Eles tendo contato com arte nesse teatro, sempre que eu puder vou trazer eles para conhecerem e contemplarem um pouquinho da nossa história”, falou a professora Fernanda.

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