Projeto da UFPel encerra ciclo no histórico no Theatro Sete de Abril

Música

Projeto da UFPel encerra ciclo no histórico no Theatro Sete de Abril

Encontros no Choro terá também concerto didático nesta segunda-feira, no Centro de Artes

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Projeto da UFPel encerra ciclo no histórico no Theatro Sete de Abril
Professor Raul d'Ávila conduz um dos ensaios didáticos no Conservatório de Música da UFPel. (Foto: Jô Folha)

O choro, um dos gêneros mais genuínos da música brasileira, vive um momento de celebração e despedida em Pelotas. Após anos de dedicação à salvaguarda dessa tradição, o projeto de Ensino e Extensão Encontros no Choro – Introdução e Vivência, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), encerra o seu ciclo atual com duas apresentações esta semana. O concerto didático ocorre nesta segunda-feira (13), às 19h, no recém-reinaugurado auditório do Centro de Artes da UFPel. A entrada é gratuita.

O grande encerramento será no Theatro Sete de Abril, nesta sexta-feira (17), às 19h, integrando a aguardada programação de reabertura do histórico teatro pelotense. Para este evento os ingressos estão esgotados, porém a organização orienta que os interessados sem ingresso compareçam ao local para aguardar em uma fila de espera por eventuais desistências.

O fechamento do lendário Bar Liberdade, que por décadas foi o principal reduto dos chorões pelotenses, acendeu um alerta na comunidade cultural: a tradição corria o risco de ser descontinuada. Foi nesse cenário que, no segundo semestre de 2023, os professores Rafael Henrique Velloso e Raul Costa d’Ávila idealizaram o projeto para estruturar pedagogicamente o ensino do gênero, incentivar a prática instrumental e formar novas gerações de músicos e ouvintes.

Do regional à grande orquestra

Os espetáculos serão divididos em dois momentos que mostram a versatilidade e a evolução do projeto. A primeira parte traz o Regional Encontros no Choro, composto pelos professores e músicos profissionais que lideraram as oficinas: Lucas Borba (violão 7 cordas), Fabrício Moura (violão), Pedro Nogueira (cavaco solo), Julinho do Cavaco (cavaco base), Gabriel Pinheiro (percussão), Everton Maciel (pandeiro), Gustavo Baldi (clarinete), Manuh Graciano (flauta), além dos professores Raul d’Avila (flauta) e Rafael Velloso (saxofone). O Regional apresentará a célula básica do choro, focando em autores da “velha guarda” pelotense.

Na segunda parte, o palco será tomado pela Orquestra Encontros no Choro, um imenso grupo com mais de 46 instrumentistas, incluindo os alunos do projeto. Com arranjos inéditos e uma instrumentação estendida que soma cordas dedilhadas, sopros, contrabaixo e percussão, a orquestra dará voz a um repertório autoral e contemporâneo.

O programa destaca a riqueza local, incluindo obras de compositores da região como Paulinho Martins, Avendano Júnior, Arnóbio Madruga “Toinha”, Aloyn Soares, Jorge Meleti, além dos próprios coordenadores. O repertório também homenageia nomes nacionais, como Pixinguinha, a histórica pianista carioca Carolina Cardoso de Menezes e a flautista santista Júlia Alves, ex-aluna da universidade.

Legado para o futuro

Embora o projeto estruturado nos moldes atuais chegue ao fim, motivado também pelo afastamento de Rafael Velloso para o período do pós-doutorado, o legado construído desde 2023 está consolidado, avalia o professor. Com o apoio inicial de uma emenda parlamentar e a gestão da Fundação Simon de Da Silveira, o projeto expandiu suas atividades do Centro de Artes para o Conservatório de Música em 2025, profissionalizando sua equipe de ensino.

“A gente está deixando a cena de choro muito mais rica e viva do que estava antes. Formamos não só músicos, mas público para essa cena”, avalia, ao destacar o surgimento de novos grupos liderados por jovens músicos na cidade.

Para garantir que o conhecimento não se perca, o material didático desenvolvido ficará disponibilizado no site oficial do Encontros no Choro. Além disso, o mapeamento da memória musical continuará vivo por meio do acervo digital integrado à Rede de Museus da UFPel, que recentemente ganhou um desdobramento focado na história dos músicos negros do choro em Pelotas.

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