Entidades acreditam em reversão do veto às exportações de carnes para a União Europeia

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Entidades acreditam em reversão do veto às exportações de carnes para a União Europeia

Restrições passam a valer a partir de setembro e governo brasileiro faz investidas para voltar à lista de países autorizados

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Entidades acreditam em reversão do veto às exportações de carnes para a União Europeia
A restrição passa a valer a partir de 3 de setembro e deve impactar quase US$ 2 bilhões ao ano em exportações brasileiras (Foto: Divulgação)

Após publicação no Diário Oficial da União Europeia (UE), na última semana, o Brasil foi excluído da lista de países autorizados a exportar carnes ao bloco. A restrição passa a valer a partir de 3 de setembro e deve impactar quase US$ 2 bilhões ao ano em exportações brasileiras. A justificativa é de que o país não forneceu garantias sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária, situação que é contestada por entidades e representantes do setor.

Em nota conjunta dos ministérios das Relações Exteriores, da Agricultura e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o governo brasileiro classificou a decisão como injustificada. As conversas com a UE foram intensificadas na tentativa de reverter o veto.

Segundo o comunicado, as exportações brasileiras de produtos de origem animal para o bloco europeu ocorrem normalmente e não há impactos imediatos sobre o fluxo comercial. Além da carne bovina, o Brasil está excluído da lista de exportações de carne de frango e de cavalo, além de tripas, peixe e mel.

De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), os países da UE foram o terceiro maior destino de exportações de carne brasileira em 2025, atrás de EUA e China. Quanto ao Rio Grande do Sul, o relatório de comércio exterior da Farsul aponta que a exportação de carnes gaúchas teve um crescimento de 22% no acumulado de janeiro a abril deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. A União Europeia aparece como o quarto maior destino.

Os antimicrobianos são utilizados para tratar e prevenir infecções em animais. A Confederação Nacional da Agricultura defende que o Brasil é referência mundial em qualidade e sanidade animal, resultado do compromisso dos produtores rurais e do rigor dos controles sanitários do país.

Possibilidade de reversão

Entidades ligadas ao setor do agronegócio brasileiro classificam a restrição como uma medida protecionista do mercado interno europeu, e reforçam o destaque brasileiro como uma das referências sanitárias e de qualidade animal. O presidente do Sindicato Rural de Pelotas, Augusto Rassier, avalia que a decisão deixa de questionar o sanitarismo de outros países. “É uma pressão política por parte do setor produtivo europeu, uma pressão legítima. Austrália e EUA têm práticas sanitárias semelhantes às brasileiras e não sofreram restrições”, reitera.

Sobre o impacto da medida no mercado brasileiro e, em especial da produção agropecuária da Zona Sul, Rassier diz esperar que o destravamento nas exportações da carne brasileira para a Europa aconteça, mas deverá levar mais tempo. “Sigo acreditando na entrada da produção nacional em solo europeu através do acordo de livre comércio. Momentaneamente, o mercado será impactado com a diminuição na exportação, o que implicará em mudanças no preço pago ao produtor”, analisa o presidente do Sindicato Rural.

O que diz o setor

Em nota, a ABPA afirmou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que será demonstrado à União Europeia que o Brasil tem um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, e que é capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias.

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