Justiça Eleitoral procura Cauê

Opinião

Pedro Petrucci

Pedro Petrucci

Jornalista

Justiça Eleitoral procura Cauê

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A Justiça Eleitoral registrou dificuldade para cumprir comunicações no processo que envolve o mandato do vereador Cauê Fuhro Souto, do Podemos. Em certidão anexada aos autos, uma oficial de Justiça informou que não conseguiu citá-lo por não localizá-lo na Câmara de Vereadores, nem obter retorno dos contatos realizados.

Na ida à Câmara, a oficial foi informada de que Cauê não estava no local, deixou um contato para retorno e, no dia seguinte, tentou falar com ele por WhatsApp. A pessoa que respondeu disse que o número não pertencia ao vereador. Em seguida, ela tentou outro telefone, mas não recebeu resposta. A oficial também relatou que voltou a contatar o gabinete do vereador e um assessor informou que Cauê estava afastado das atividades presenciais e fora da cidade. Ela deixou novamente um contato para retorno, mas não houve resposta até a devolução do mandado ao cartório.

O registro não indica tentativa de evitar a citação. O que consta nos autos é que a Justiça Eleitoral não conseguiu cumprir o ato naquele momento. Nesta semana, Cauê participou da sessão de terça-feira da Câmara. Na quarta-feira, apresentou justificativa de ausência e não compareceu.

O processo também enfrentou dificuldade para comunicar o Podemos municipal. Em outra certidão, a Justiça Eleitoral registrou tentativa frustrada de intimação do diretório municipal no endereço informado nos autos. Segundo o documento, o local era um condomínio residencial, e a portaria informou que não havia ali pessoa com o nome procurado.

O caso integra a disputa judicial iniciada após a saída de Cauê do Partido Verde e sua filiação ao Podemos. O vereador deixou o PV no último dia do prazo legal de filiação para as eleições de 2026, em movimento ligado ao projeto de concorrer a deputado federal. A mudança provocou reação da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e dos diretórios municipal e estadual do PV. O grupo acionou o TRE-RS pedindo a perda do mandato por infidelidade partidária. Se o pedido for aceito, a vaga poderá ser ocupada pelo primeiro suplente da Federação, Ronaldo Quadrado, do PT.

Antes disso, o próprio Cauê recorreu à Justiça Eleitoral para obter o reconhecimento do direito de deixar o PV sem perder o mandato. Sua principal justificativa é uma carta de anuência assinada pelos presidentes estadual e nacional do partido, que, segundo ele, autoriza a desfiliação.

O PV e a Federação contestam o argumento. Sustentam que a carta não tem validade por não ter passado pelas instâncias internas adequadas, sem deliberação colegiada e sem participação da direção municipal de Pelotas. A executiva municipal do partido rejeitou formalmente a concessão da anuência em reunião registrada em ata.

O TRE-RS deverá decidir se a carta apresentada por Cauê era suficiente para permitir sua saída do PV sem perda do mandato. Se entender que sim, ele permanece na Câmara. Caso contrário, a filiação ao Podemos poderá ser considerada infidelidade partidária, com a convocação do suplente da Federação.

Ginásio do Pestano

A Prefeitura de Pelotas comunicou à Câmara de Vereadores que recebeu os recursos destinados à execução da obra de recuperação do ginásio do Bairro Pestano. O valor é de R$ 343 mil e provém de emenda parlamentar do deputado federal Daniel Trzeciak (PSDB), viabilizada por meio do Ministério do Esporte. A confirmação consta de ofício do gabinete do prefeito Fernando Marroni (PT), encaminhado à Câmara, que também acompanha o termo de referência com os materiais e equipamentos a serem adquiridos.

A liberação resultou da articulação do vereador Rafael Dutra, o Barriga (UB), que mantém trabalho identificado com o Pestano. O município entra com contrapartida de 1% sobre o valor da emenda, o que corresponde a cerca de R$ 3,4 mil. Os próximos passos envolvem a abertura do processo licitatório para a compra dos materiais e equipamentos, o empenho do recurso e o início da aplicação no ginásio. A Câmara recebeu a documentação para conhecimento, e o termo de referência permite verificar quais itens serão adquiridos com a verba.

CMPC no radar

O projeto de expansão da CMPC voltou a aparecer no debate público do Estado, agora pela Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa. A comissão acolheu pedido de nova audiência pública sobre o licenciamento ambiental da nova fábrica de celulose, prevista para Barra do Ribeiro. Pesquisadores e representantes de comunidades alertam para possíveis impactos no Guaíba, na qualidade da água, na pesca e em territórios indígenas e quilombolas.

O tema também interessa diretamente à Zona Sul. O investimento da CMPC tem reflexos previstos na logística regional, especialmente pela relação com os portos de Pelotas e Rio Grande. Há obras e planejamento de estrutura portuária conectados à expansão da produção de celulose, o que coloca o projeto dentro da agenda de desenvolvimento econômico regional. Ao mesmo tempo, o processo segue travado por pendências ligadas ao Iphan, por causa da necessidade de análise sobre possíveis impactos.

De um lado, há um investimento privado de grande porte, com potencial de movimentar logística, obras, empregos e atividade portuária. De outro, há questionamentos ambientais e institucionais.

Novos cidadãos

A Câmara de Pelotas começou a receber os projetos de lei que concedem títulos de Cidadão Pelotense, homenagem tradicionalmente entregue na semana de aniversário do município, em julho. Entre os novos nomes protocolados estão Marciano Perondi (PL), indicado pelo vereador Júnior Fox (PL), e Paulo Cesar Acosta Dias, indicado pelo vereador Daniel Fonseca (PSD).

Perondi, de Caxias do Sul, é pré-candidato a deputado federal em dobradinha com Fox e foi derrotado no 2º turno das últimas eleições municipais para prefeito. É ligado aos setores da construção civil e da educação. A justificativa cita sua atuação na retomada do empreendimento Torre Central Park, no Centro, e a fundação do Colégio Praça XV. Já Paulo Cesar Acosta Dias é 1º tenente da Brigada Militar, natural de Jaguarão, e atua no 5º Batalhão de Polícia de Choque, com participação em ações de segurança pública em Pelotas e na região.

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