O Brasil não saiu do G4 de uma rodada para outra. Foi um desgaste lento, jogo após jogo, até chegar ao cenário atual. Ao longo de maio, a equipe foi perdendo força, confiança e rendimento. Chegou a seis jogos sem vencer na Série D e viu um futebol que antes gerava esperança se transformar em preocupação.
A cada rodada parecia faltar alguma coisa. Uma peça, uma resposta, uma reação. O time trocou jogadores, mudou o esquema, trocou o treinador, mas as dificuldades continuaram aparecendo.
Agora, depois da derrota para o Blumenau, o cenário ficou ainda mais delicado. O Brasil já não depende apenas de si para buscar a classificação. A margem de erro diminuiu e a última rodada, em Pato Branco, diante do Azuriz, ganha contornos de decisão.
O que chama atenção é que as condições oferecidas ao elenco são muito diferentes das encontradas em outros momentos da história recente do clube. Estrutura, campo de treinamento e questões financeiras deixaram de ser os principais obstáculos. Existe organização fora das quatro linhas.
Mas o futebol continua cobrando respostas.
E quando um time passa mais de um mês sem vencer, normalmente a explicação não está apenas na parte tática.
Falta algo que não aparece em planilhas, relatórios ou vídeos motivacionais.
Falta liderança.
Não necessariamente liderança para escalar jogadores ou definir o esquema tático. Mas aquela presença diária que cobra, respalda, incentiva e percebe os sinais antes que eles apareçam dentro de campo. A figura que olha nos olhos dos atletas e entende o momento do grupo.
O Brasil avançou em muitos aspectos fora de campo. Mas segue encontrando dificuldades justamente no coração de qualquer clube de futebol: o departamento de futebol.
E à frente desse caminho precisa estar quem comanda o clube.
A derrota para o Blumenau não pode entrar apenas na conta de Laécio Aquino. Afinal, ele recém chegou, teve poucos treinamentos e assumiu uma equipe em um momento delicado da competição. Talvez uma decisão ou outra pudesse ter sido diferente, mas o treinador não pode pagar essa conta sozinho.
Assim como Gilson Maciel não era o único responsável pelos resultados ruins, Laécio também não pode ser o único a responder por eles.
Porque a questão já ultrapassou a troca de treinador. São seis jogos sem vencer. Mais de um mês sem uma vitória. É um cenário que vai muito além de uma escalação, de uma substituição ou de um sistema tático.
Nesse momento, o torcedor precisa ouvir seu líder. Precisa ouvir quem comanda o futebol e o clube. Alguém que dê respostas, apresente convicções e mostre qual é o caminho para que a confiança siga existindo.
Porque este não é um momento para interrogações. É um momento para afirmações.
A semana será difícil. Na Copinha vai tudo muito bem, obrigado. O aproveitamento é de 100% e o Brasil demonstra ser superior aos seus adversários. Ainda assim, terá pela frente um jogo duro na Pedra Moura contra um Bagé que saiu de Pelotas ferido pela derrota.
Não foi o time sem centroavante nos minutos finais, nem uma bola defensável ou um erro de passe que mais chamou atenção nos últimos dias.
O que mais preocupa é a sensação de que falta alguém conduzindo o coração do clube.
Porque o departamento de futebol é isso. É o coração que mantém um projeto vivo. E, neste momento, ele precisa bater mais forte do que nunca.
Estamos apenas começando o sexto mês do ano. A Série D ainda reserva a última rodada da primeira fase. Na Copinha, o Brasil apresenta superioridade técnica em relação aos adversários e tem tudo para seguir como protagonista.
Ainda há objetivos possíveis e ainda existe tempo para corrigir essa ausência. Mas o tempo do futebol corre mais rápido do que qualquer planejamento. A confiança no projeto precisa ser alimentada todos os dias.
Porque a ausência que preocupa não está dentro das quatro linhas. Ela está justamente onde deveriam nascer as respostas.
Os desafios estão apenas começando. E ninguém atravessa uma caminhada longa sem uma liderança capaz de apontar a direção.