Comissão de Saúde articula diálogo com a Prefeitura antes de CPI

Opinião

Pedro Petrucci

Pedro Petrucci

Jornalista

Comissão de Saúde articula diálogo com a Prefeitura antes de CPI

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A Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores articula uma aproximação com a Prefeitura para discutir, ponto a ponto, as questões levantadas no requerimento da CPI que pretende investigar a Secretaria Municipal de Saúde. A conversa vai envolver o presidente da comissão, vereador Tauã Ney (PSDB), também o presidente da Câmara, Michel Promove, além das secretarias de Saúde e de Governo.

O movimento ocorre no momento em que a CPI está pronta para ser instalada. Todos os assentos já foram indicados pelas bancadas, o que remove o último obstáculo formal para o início dos trabalhos. A comissão será presidida pelo vereador Daniel Fonseca (PSD), autor do requerimento. Os demais assentos foram preenchidos por Éder Blank (PSD), Ivan Duarte (PT), Jurandir Silva (PSOL), Tauã Ney (PSDB), Arthur Halal (PP), Marcelo Bagé (PL), Cristiano Silva (União), Cauê Fuhro Souto (Podemos), Cesinha (PSB) e Paulo Coitinho (Cidadania).

A composição demorou especialmente pelas indicações de PT e PSOL, partidos que integram a base do prefeito Fernando Marroni. A relutância tinha explicação política: indicar nomes significava participar formalmente de uma comissão criada para investigar o governo que os dois partidos sustentam. Como o requerimento já tinha 13 assinaturas, acima das sete exigidas pelo regimento, a base não tinha como impedir a criação da CPI. Restava escolher entre ficar fora da comissão ou ocupar os espaços para acompanhar os trabalhos por dentro.

O requerimento lista seis eixos de apuração. Entre eles estão a fila do SUS, a falta de divulgação da escala de profissionais nas unidades de saúde, o pagamento de horas extras sem comprovação do trabalho realizado, servidores em funções diferentes das previstas nos cargos, denúncias de assédio moral e casos de pacientes que teriam agravamento do quadro ou morte enquanto aguardavam atendimento determinado pela Justiça.

Com a composição concluída, o próximo passo é a instalação formal da CPI. Nessa primeira reunião, os vereadores confirmam a presidência e definem o relator, responsável por conduzir a redação do relatório final. A comissão terá prazo de 120 dias para concluir os trabalhos, com possibilidade de prorrogação mediante votação em plenário.

A dúvida, agora, é o que esse diálogo pretende produzir. Se for apenas uma conversa institucional, a CPI segue seu curso com a Prefeitura já avisada sobre os pontos que terá de responder. Se a tentativa for construir uma saída antes da instalação, o movimento ganha outro peso, porque a comissão já nasceu com assinaturas suficientes, composição definida e fato político instalado. Nesse cenário, reduzir desgaste também passa a ser parte da disputa.

Catarina deve disputar vaga à Câmara

O ex-deputado estadual Catarina Paladini está filiado ao Cidadania e deve disputar uma vaga de deputado federal na eleição de outubro. A movimentação recoloca Catarina no tabuleiro eleitoral da Zona Sul. Deputado por dois mandatos e ex-secretário estadual, ele tem trajetória política ligada a Pelotas e circula em diferentes regiões do Estado. A pré-candidatura à Câmara dos Deputados marca uma nova tentativa de retorno ao Legislativo, agora em uma disputa federal.

O dado político mais sensível está no arranjo partidário. O Cidadania integra a federação com o PSDB, partido do deputado federal Daniel Trzeciak, que vai buscar a reeleição com base eleitoral em Pelotas e na região. Com Catarina no Cidadania, os dois passam a dividir o mesmo campo federativo na disputa proporcional.

A presença dos dois nomes abre uma dúvida importante para a pré-campanha. Catarina e Trzeciak serão concorrentes diretos pela mesma base regional ou poderão funcionar como candidaturas complementares dentro da federação? A resposta depende da montagem da nominata, da distribuição de apoios locais e da estratégia adotada pelo grupo ao longo dos próximos meses.

Na eleição proporcional, os votos dos candidatos ajudam a formar a votação total do partido ou da federação. Por isso, um nome competitivo pode contribuir para ampliar o desempenho coletivo da chapa. Ao mesmo tempo, quando duas lideranças buscam espaço em uma mesma região, a disputa por prefeitos, vereadores, bases municipais e apoiadores tende a ficar mais sensível.

Paralelepípedos preservados

Foi sancionada pelo prefeito Fernando Marroni a lei que cria diretrizes para preservar a pavimentação em paralelepípedo nas ruas de Pelotas. A regra veda a substituição por asfalto ou outro material impermeável, salvo em casos justificados por obras essenciais de infraestrutura, risco à segurança viária ou situação de calamidade pública.

A lei é de iniciativa de Julio Moura, da Rede, que exerceu mandato de vereador por 60 dias. O texto também proíbe o simples recobrimento das vias de paralelepípedo com camada asfáltica, prática apontada como de baixa durabilidade, mais cara para manutenção e prejudicial à drenagem urbana.

Além da preservação do patrimônio histórico e da estética urbana, a medida tem impacto ambiental. O paralelepípedo permite maior permeabilidade do solo em comparação ao asfalto, o que ajuda a reduzir problemas de escoamento da água da chuva e alagamentos. Pela lei, eventuais substituições precisarão ser justificadas por estudo técnico, ato administrativo fundamentado e registro documental da via antes da intervenção.

Audiência pública sobre meio ambiente

A Comissão de Meio Ambiente da Câmara, presidida pelo vereador Marcola (UB), realiza, na segunda-feira, dia 8 de junho, às 9h30, uma audiência pública alusiva à Semana do Meio Ambiente. A atividade ocorre na sequência do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, e tem como proposta abrir espaço para mobilização, escuta e construção de encaminhamentos sobre sustentabilidade no município.

Conforme a divulgação da comissão, a audiência busca envolver poder público, escolas, empresas e comunidade em ações coletivas para enfrentar desafios ambientais e estimular mudanças práticas de hábitos. O debate coloca o tema ambiental na agenda da Câmara em um período no qual Pelotas discute pautas diretamente ligadas à preservação, ocupação urbana, drenagem, arborização, resíduos e sustentabilidade.

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