Chegou ao fim a primeira fase da Série D. E o Brasil vai em busca daquilo que parecia ser seu durante boa parte da competição: uma vaga à segunda fase.
Mas a rodada que ninguém esperava não é apenas a última. É a forma como ela chegou. O Brasil entra nela na quinta colocação, com nove pontos. Pode terminar em terceiro lugar e avançar. Pode seguir fora da zona de classificação. E, em uma combinação de resultados, até terminar na última posição do grupo.
Poucos imaginavam esse cenário quando a competição começou. E menos ainda quando o Brasil passou praticamente toda a caminhada como inquilino do G-4. Ainda no fim do primeiro turno, em entrevista à Rádio Pelotense, um dos gestores da SAF, Emerson da Rosa, admitia não esperar ver a equipe naquela situação. De lá para cá, o cenário não apenas estagnou. Piorou.
O Brasil saiu do G-4 e transformou a última rodada em decisão.
Ao longo de oito rodadas, a equipe esteve no G-4. Saiu justamente na nona. E isso, por si só, ajuda a explicar o peso desta rodada.
Se voltarmos à estreia, lá contra o Azuriz, a expectativa era enorme. O Brasil era uma das poucas equipes que ainda não tinha estreado na temporada. Havia curiosidade sobre como o time reagiria, mas também esperança pelo novo modelo de gestão implementado no Bento Freitas.
A vitória sobre o Azuriz reforçou a expectativa. Mais do que os três pontos, alimentava a sensação de que o Brasil poderia fazer uma campanha segura e competitiva.
De lá para cá vieram derrotas, empates frustrantes, apenas mais uma vitória diante do São Joseense e a queda de rendimento da equipe. O futebol foi perdendo força até chegar ao cenário atual.
O Brasil, que passou quase toda a competição como inquilino do G4, viu o São José ultrapassá-lo e o próprio Azuriz entrar novamente na disputa. O que parecia encaminhado transformou-se em decisão.
Mais uma decisão.
Talvez seja justamente isso que torne esta rodada tão simbólica.
O adversário da estreia é o mesmo da última rodada. Noventa minutos que ligam o começo e o fim desta primeira fase.
Agora não há mais margem para esperar. O torcedor quer a resposta. Quer a classificação.
Laécio Aquino, ao que tudo indica, não deve abrir mão de suas convicções. O sistema com três zagueiros tende a ser mantido diante do Azuriz, uma equipe que ainda não venceu dentro de casa, mas que chega embalada por resultados importantes como visitante. Um adversário que gosta de jogar em transição e que, depois de parecer eliminado em vários momentos da competição, chega vivo à última rodada.
Dentro dessas convicções, algumas mudanças podem acontecer. Nos dois jogos sob o comando de Laécio, ficou a impressão de que ele não vê o centroavante fixo como peça indispensável. Contra o Blumenau, começou com dois atacantes de referência e terminou sem nenhum. Na Copinha, elogiou as atuações de Givigi e Guty, jogadores com mais mobilidade e participação na construção.
A ausência de Edson e a não utilização de Davi diante do Bagé também abrem espaço para a mudança no gol que o torcedor pediu. Davi será o titular em Pato Branco. Será a vez do jovem goleiro receber a oportunidade na partida mais importante da primeira fase.
Será que, mesmo fiel às suas convicções, como vimos nos dois jogos até aqui, Laécio pode apresentar alguma surpresa? Talvez Givigi e Guty estejam entre os titulares. A resposta virá quando a escalação for divulgada.
O que não pode faltar é a entrega.
A vontade de encerrar a sequência sem vitórias, de quebrar a dificuldade longe de casa e de buscar uma classificação que parecia encaminhada durante boa parte da competição.
Porque, se vier, começará um novo campeonato.
A Série D que parecia um rito de passagem se transformou em uma prova de resistência.
A rodada que ninguém esperava chegou. E o Brasil precisará mostrar que também está pronto para ela.