Um século de educação na avenida Saldanha Marinho

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

Um século de educação na avenida Saldanha Marinho

Por

Atualizado quinta-feira,
04 de Junho de 2026 às 17:39

Há 100 anos

No ano de 1926 a imprensa local registrava um marco decisivo para a instrução popular e o urbanismo de Pelotas. Sob a promessa de ser uma “fecunda realização contra o analphabetismo”, a oficialização do contrato para a construção do edifício da Escola Dona Antônia, localizada na avenida Saldanha Marinho, representou não apenas o avanço educacional, mas um sopro de modernidade para a cidade.

A planta escolhida foi criada pela empresa Xavier, Duarte e Cia. Após a análise das propostas pelo diretor da 2ª Diretoria municipal, a oferta dos engenheiros-construtores Tellini & Soares foi considerada a mais vantajosa para os cofres públicos. Com o acordo assinado, os “hábeis construtores” assumiram o compromisso de iniciar as obras no prazo de 15 dias, estipulando a entrega do imponente prédio em apenas cinco meses.

Ladrilhos e calçada

O projeto arquitetónico destacava-se pela imponência e funcionalidade, planeado para abrigar com dignidade o crescente número de estudantes. O edifício contava com dois pavimentos de idênticas acomodações, conectados por uma escadaria em cimento armado. A preocupação com a durabilidade e a higiene era evidente nas especificações técnicas: com exceção das salas de aula e da administração, todas as dependências seriam revestidas com ladrilhos em mosaico, além de uma larga calçada de concreto a circundar a estrutura.

Construção foi uma demanda do médico Edmundo Berchon (Foto: Reprodução)

O Grupo Escolar D. Antônia foi inaugurado em 1927 por Augusto Simões Lopes, em um contexto de reforma educacional e em conjunto com o Grupo Doutor Joaquim Assumpção e mais dez escolas rurais e urbanas. A concepção se deu a partir da Fundação Antônia Chaves Berchon des Essarts, criada, em 1925, pelo Dr. Edmundo Berchon des Essarts em memória de sua esposa, com o intuito de premiar e estimular o ensino na cidade.

Compromisso com Berchon

A obra foi um compromisso do então intendente (prefeito), Augusto Simões Lopes, com o doutor Edmundo Berchon, que comprou uma grande quantidade de apólices municipais, na condição de que os recursos fossem empregados na instalação de escolas nas áreas urbanas e rurais.

Todas as entidades construídas surgiriam a partir da Fundação Antônia Chaves Berchon des Essarts, criada em 1925 por Edmundo Berchon des Essarts em memória de sua esposa, com o objetivo de premiar e estimular o ensino na cidade.

Berchon era natural de São Gabriel, mas morava em Pelotas desde a infância. Formado em Medicina, no Rio de Janeiro, era médico da Santa Casa de Misericórdia, desde 31 de março de 1890. Morreu em 14 de março de 1942, aos 78 anos.

Museu

O prédio histórico passou por restauro pelo Sanep e, em 2022, no local foi inaugurado o Museu do Saneamento de Pelotas (Musa). A entidade abriga toda a herança cultural e patrimonial dos serviços de água, esgoto, drenagem e resíduos ligados ao último século.

Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense; site da Academia de Medicina do Rio Grande do Sul; microblog Abra Arquitetura

Há 50 anos

Companhia estadual garante recursos para captação de água no São Gonçalo

Canal adutor foi construído na década de 1970 (Foto: Divulgação)

O presidente da Companhia Estadual para o Desenvolvimento Industrial e Comercial (Cedic), Carlos Alberto Anchau, afirmou que existiam recursos suficientes para o início das obras de abertura do canal adutor do São Gonçalo. O projeto que seria executado, ainda em 1976, levaria água doce para o Distrito Industrial de Rio Grande.

Carlos Anchau concordava, na época, que o município de Rio Grande precisava de mais investimentos no sistema de abastecimento de água, um ponto crítico para a viabilização do Distrito Industrial. “Os estudos concluídos, até agora, nos demonstraram que para levarmos água ao Distrito Industrial e ao Superporto, há a necessidade de abertura de um canal adutor para o São Gonçalo. Exigirá dos poderes públicos a locação de recursos acima de 350 milhões de cruzeiros”, comentou.

À imprensa local, Anchau contou ainda que os recursos permitiam a contratação do projeto de engenharia final do canal e do sistema viário. Os projetos seriam entregues em dois ou três meses.

Projeto concluído

Conforme o projetado, a água é captada no São Gonçalo. No sistema de adução, a água percorre cerca de 22 quilômetros por gravidade até a região próxima ao Distrito Industrial. Na Estação de Recalque (ER3), a água é bombeada tanto para o uso industrial não tratado quanto para a Estação de Tratamento de Água (ETA), garantindo o atendimento a todo o polo.

Fontes: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense; Prefeitura Municipal de Rio Grande

Acompanhe
nossas
redes sociais