Filho de José do Patrocínio é presença ilustre em evento da LJP em Pelotas

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

Filho de José do Patrocínio é presença ilustre em evento da LJP em Pelotas

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Há 100 anos

Com a presença ilustre do diplomata, escritor e jornalista José do Patrocínio Filho, também conhecido como Zeca Patrocínio, foi realizada uma sessão solene em homenagem ao pai do visitante, o abolicionista José do Patrocínio, patrono da Liga de times de futebol de Pelotas. O evento aconteceu em 5 de junho de 1926, antecipando a celebração do sétimo aniversário da entidade.

O evento contou com a presença do escritor e professor Jorge Salis Goulart, representando o intendente (prefeito) municipal, o jurista e político Ildefonso Simões Lopes Filho, Barros Cassal e o poeta Theodorico Silva, que recitou uma poesia. O escritor e orador Fernando Osório, em saudação e homenagem à luta da raça negra no Brasil. O visitante também foi saudado pelo orador da Liga José do Patrocínio, Guilherme da Rosa

O evento contou ainda com uma conferência de Patrocínio Filho, que falou sobre a raça negra e os ideais da pátria. A festa foi seguida por confraternização em torno de uma mesa de doces, enquanto que no palco tocava a orquestra do maestro Romeu Tagnini.

Resposta organizada

Na dissertação de mestrado em História, intitulada Racismo ‘nas quatro linhas’: os negros e as ligas de futebol em Pelotas (1901-1930), pela Universidade Federal de Pelotas, o pesquisador Christian Ferreira Mackedanz apresenta a Liga José do Patrocínio (LJP) como uma resposta organizada da comunidade negra pelotense contra a segregação racial vigente no futebol e na sociedade local.

A entidade foi fundada em 10 de junho de 1919, na sede do Clube 7 de Setembro. O nome homenageou o jornalista e líder abolicionista José do Patrocínio.

A entidade surgiu como uma alternativa ao futebol da elite, controlado pela Liga Pelotense de Futebol (LPF), que excluía jogadores afrodescendentes. A LJP era tratada como uma “causa santa” e uma “questão de honra” para bater-se contra o preconceito racial.

De acordo com Mackedanz, um dos grandes objetivos iniciais era a aquisição e o cercamento de um campo próprio (chamado de ground, na época) para oferecer conforto e segurança às famílias negras. Dessa forma elas seriam protegidas dos insultos proferidos em campos abertos.

Clubes Integrantes

A Liga começou com quatro clubes e chegou a contar com seis em seu auge. Eram fundadores: S. C. Juvenil, S. C. América do Sul, G. S. Vencedor e S. C. Universal. Posteriormente ingressaram o G. S. União Democrata e o G. S. Luzitano, no início da década de 1920.

Com uma profunda conexão com a imprensa e a política, muitos fundadores e diretores da LJP eram também figuras centrais no jornal A Alvorada e na Frente Negra Pelotense (FNP), como Armando Vargas, Dario Nunes e Joaquim Rollo Sobrinho.

Combate ao racismo e sociabilidade

O trabalho da Liga de enfrentamento ao racismo não se limitava ao esporte; em 1927, liderou uma moção de protesto contra um ato discriminatório ocorrido no Teatro 7 de Abril, assinada pelos presidentes de todos os seus clubes filiados.

A LJP também tinha seu papel de socialização comunitária, tornando-se um centro de convivência, organizando inúmeros bailes, festivais e quermesses. Os eventos ocorriam frequentemente nos salões da Liga Operária ou em sedes de clubes sociais negros como o Depois da Chuva.

Embora as mulheres não jogassem, elas eram fundamentais na gestão e sustentação financeira dos clubes, organizando eventos de arrecadação de fundos e atuando como torcedoras fervorosas.

Competitividade

O S. C. América do Sul foi o maior vencedor dos primeiros anos, sendo tetracampeão em 1923. Por sua vez, o S. C. Juvenil também se destacou, sendo tricampeão em 1926.

O fim da Liga

Na década de 1930, a Liga começou a enfraquecer à medida que clubes daLiga Pelotense de Futebol (LPF), a exemplo do Grêmio Esportivo Brasil, passaram a aceitar gradualmente jogadores negros. Em 1931, a LJP era chamada de “velha entidade”.

O último registro de atividade significativa, de acordo com o historiador, data de 1936, quando a LJP participou de uma passeata cívica organizada pela Frente Negra Pelotense. Posteriormente, os clubes negros passaram a ser classificados como parte do “futebol menor” da cidade.

Fontes: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense; dissertação Racismo ‘nas quatro linhas’: os negros e as ligas de futebol em Pelotas (1901-1930), de Christian Ferreira Mackedanz (PPG História – UFPel, 2016)

Há 50 anos

TV Piratini se organiza para transmitir Miss RS para Pelotas

(Foto: Reprodução)

A TV Piratini prometeu transmitir ao vivo para Pelotas o concurso de Miss Rio Grande do Su, na noite de 5 de junho de 1976. Naquela época, seria a volta ao ar, ao menos provisoriamente, daquele canal, após alguns anos de ausência da cidade.

Fontes porto-alegrenses, davam conta de que a TV Piratini entraria em Pelotas naquele dia ainda em caráter experimental, porque o equipamento completo ainda não havia chegado na cidade.

A promessa era de que, após o concurso de Miss Rio Grande do Sul, o canal sairia do ar e retornaria definitivamente em poucos dias. Desde o dia anterior pela manhã, técnicos, engenheiros e demais funcionários trabalhavam intensamente.

A correria era para que os pelotenses pudessem assistir diretamente da cidade de Rio Grande, com imagens em cores, o certame de beleza. Em Pelotas, o canal que captava as imagens da TV  Piratini era o 13. Naquele ano concorreu pelo município a Miss Maria Alice Oliveira, porém o título ficou com de Ane Elizabeth Horst, de Estrela.

Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense

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