Em 2027 o Tecon Rio Grande, operado pela Wilson Sons, completará 30 anos desde que o primeiro container foi içado, marcando o início das atividades. Por meio de um investimento superior a R$ 1,1 bilhão em infraestrutura portuária até 2030, a operadora busca ampliar a capacidade do terminal e atender à crescente demanda logística do Rio Grande do Sul, além do objetivo de concentrar as cargas do Cone Sul.
O investimento deverá atender à necessidade de ampliação que acompanha um movimento impulsionado pelo crescimento da produção dos exportadores e pelo aumento do transbordo de contêineres provenientes de países como Uruguai, Argentina e Paraguai. “Esses países têm problemas físicos para receber grandes navios, problema de calado e são portos dentro das cidades, que não tem como crescer, e nós temos em Rio Grande todas essas possibilidades”, afirma o diretor-presidente do Tecon Rio Grande, Paulo Bertinetti.
No ano passado, o terminal chegou a uma movimentação de contêineres superior a um milhão. Neste, a projeção é de um crescimento entre 10% e 12% maior do que os números registrados em 2025.
Desafios
Em entrevista à Rádio Pelotense, o diretor-presidente do Tecon cita a questão logística do acesso de caminhões ao terminal como um dos pontos centrais a serem solucionados, com o objetivo de diminuir o tempo em que os veículos levam para acessar o porto. Bertinetti também cita a necessidade de facilidades e vantagens tributárias para a atração de indústrias, tanto no Porto de Pelotas quanto no de Rio Grande, que auxiliam na movimentação de cargas. “Temos uma área fantástica que não é utilizada. Isso nos traria uma competitividade grande, mais empresas, mais recursos para a região, mais desenvolvimento, mais emprego e, consequentemente, um giro maior de turismo. Nós teríamos um desenvolvimento da nossa região sem depender das regiões produtoras que hoje o nosso porto depende”, reforça.
Com a rapidez em que o setor cresce, o representante do terminal portuário rio-grandino destaca que a utilização de contêineres tornou-se o melhor processo logístico no comércio internacional.
Crescimento
O projeto inclui ainda a ampliação da retroárea, a pavimentação de mais de 180 mil metros quadrados e a aquisição de novos equipamentos, como três guindastes de cais (STS), 14 guindastes de pátio (RTGs) e 26 tratores. Todos são elétricos, com automação embarcada e operação remota, além de sistemas de telemetria de última geração para monitoramento dos ativos.
O investimento também deve impulsionar o desenvolvimento socioeconômico da região, com a geração estimada de cerca de 220 empregos diretos, além de 500 durante as obras e mais de cinco mil postos indiretos ao longo da cadeia logística. “Esse nosso projeto é de 2013, porque já prevíamos um crescimento que estava acontecendo no mundo. Em 2015, compramos equipamentos novos e em 2017 já tínhamos equipamentos que atendiam navios, que hoje são os maiores navios navegando no mundo. Então, chegou o momento de fazer [a expansão] a partir de um projeto de concentrar as cargas do Cone Sul, porque o Brasil cresce em termos de contêiner, mas não na velocidade dos outros portos mundiais”, reitera Bertinetti.