AVC supera infarto e se torna a principal causa de mortes

Corpo e mente

AVC supera infarto e se torna a principal causa de mortes

Em 2025, mais de 85 mil brasileiros morreram por causa da doença, segundo dados do Portal da Transparência do Centro de Registro Civil

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AVC supera infarto e se torna a principal causa de mortes
Entre 80% e 85% dos casos são do tipo isquêmico. (Foto: Reprodução)

O risco de sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), aumentou em cerca de 50% nos últimos 20 anos, conforme diagnóstico da Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso significa que um a cada quatro adultos será acometido por esse evento repentino e devastador. Além de mortal, o derrame deixa marcas irreversíveis em quem sobrevive a ele, em forma de sequelas em diversas funções cerebrais.

No Brasil, o perigoso avanço do AVC se traduz no número crescente de vítimas. No ano passado, as mortes pela causa superaram as ocasionadas pelo infarto, o equivalente a um óbito por Acidente Vascular Cerebral a cada seis minutos. Sem contar a quantidade de sobreviventes com incapacidades permanentes.

Esse cenário preocupante mundial, motivou neste ano, a aprovação pelos países membros da OMS da primeira resolução global voltada especificamente ao AVC. O documento pede ações nacionais e internacionais para fortalecer a prevenção, o atendimento de emergência, a reabilitação e a preparação dos sistemas de saúde. “É uma doença muito prevalente. Além de apresentar alta mortalidade, é uma das principais causas de incapacidade”, ressalta o neurologista Adolfo Bonow.

O que é um AVC

O AVC ocorre quando o fluxo de sangue para uma região do cérebro é interrompido ou reduzido. Isso pode acontecer porque uma artéria é obstruída ou devido ao rompimento de um vaso sanguíneo. “O AVC é como um infarto do cérebro. O infarto significa justamente que uma determinada região deixou de receber sangue”, explica Bonow.

Existem dois tipos da doença:

  • AVC isquêmico: acontece quando uma artéria é obstruída e o sangue deixa de chegar a determinada região do cérebro.
  • AVC hemorrágico: ocorre quando uma artéria se rompe e provoca sangramento no tecido cerebral.

O tipo mais comum e os fatores de risco

Entre 80% e 85% dos casos são do tipo isquêmico. Já os hemorrágicos representam entre 15% e 20%. O neurologista chama à atenção para a pressão alta, que é um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento do AVC.

Os principais fatores de risco são os mesmos das doenças cardiovasculares:

  • hipertensão arterial;
  • colesterol elevado;
  • diabetes;
  • tabagismo;
  • obesidade;
  • sedentarismo.

Os sintomas aparecem de forma repentina

Os sinais da ocorrência de um AVC costumam surgir de forma súbita, já que a interrupção da circulação cerebral provoca rapidamente alterações na região afetada.

Os sintomas variam conforme a área do cérebro comprometida e podem incluir:

  • fraqueza ou perda de força em um lado do corpo;
  • formigamento ou alteração da sensibilidade;
  • dificuldade para falar ou compreender a fala;
  • alterações na visão;
  • perda de equilíbrio ou dificuldade para caminhar.

Como identificar rapidamente

De acordo com o neurologista em caso de suspeita, uma forma simples de reconhecer um possível AVC, é utilizar o mnemônico SAMU:

S – Sorriso: peça para a pessoa sorrir e observe se um lado da face fica caído.

A – Abraço: peça para levantar os dois braços e veja se um deles não consegue subir.

M – Música: peça para cantar uma música ou repetir uma frase simples para identificar alterações na fala.

U – Urgência: diante de qualquer alteração, procure atendimento imediatamente.

Cada minuto faz diferença

O neurologista ressalta que o AVC é uma emergência médica, por isso, em caso de reconhecimento de qualquer um desses sinais, a pessoa deve ser encaminhada rapidamente ao Pronto Socorro. A rapidez no atendimento influencia diretamente nas chances de sobrevivência e de recuperação. Bonow destaca a estimativa de que a cada minuto sem tratamento, cerca de dois milhões de neurônios morrem na região do cérebro sem oxigenação adequada.

O neurologista explica que após chegar ao hospital, são realizados exames no paciente para identificar o tipo de AVC e definir a melhor abordagem. Nos casos de AVC isquêmico, existe um medicamento capaz de dissolver o coágulo que obstrui a artéria. Esse tratamento pode ser realizado, em geral, até quatro horas e meia após o início dos sintomas. “No entanto, quanto maior a espera pela intervenção mais extensos poderão ser os danos cerebrais”, diz.

O que não fazer diante de um AVC

O neurologista alerta que algumas atitudes podem agravar a situação. Conforme Bonow, em caso de suspeita de um AVC não se pode de nenhuma maneira administrar ao paciente medicamentos como aspirina (AAS) antes da avaliação médica, já que, em caso de AVC hemorrágico, isso pode aumentar o sangramento.

Também não é recomendado tentar reduzir a pressão arterial por conta própria. “Muitas vezes a pressão está elevada porque o próprio organismo tenta manter a circulação na área afetada, que está em sofrimento. É uma resposta fisiológica e reduzir nesse momento pode piorar o quadro.”

As sequelas

As consequências variam conforme a região atingida, o tamanho da lesão e a rapidez com que o tratamento foi iniciado, mas conforme Bonow, os principais comprometimentos são motoras. “Mas pode ter até distúrbio cognitivo. Existe um tipo de demência chamada de demência vascular, que é quando o paciente começa a ter muitos AVCs”, acrescenta.

Entre as sequelas mais frequentes incluem:

  • dificuldades motoras;
  • alterações da fala;
  • déficits cognitivos;
  • problemas de memória.

Após a fase aguda, muitos pacientes necessitam de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e outros tratamentos de reabilitação das funções comprometidas pelo AVC.

Quem já teve AVC pode ter outro?

De acordo com o neurologista, os cuidados após um AVC devem ser redobrados, por mais leves que tenha sido o impacto, pois uma vez acometidos, os pacientes apresentam maior risco de novos episódios. Por isso, é fundamental descobrir a causa do primeiro evento e controlar os fatores responsáveis. “Nós chamamos isso de prevenção secundária. É preciso identificar por que o AVC aconteceu para evitar novos episódios.”

O alerta do AIT

Antes de um AVC, frequentemente os pacientes têm o chamado Acidente Isquêmico Transitório (AIT), conhecido como um “mini-AVC”. Esse episódio apresenta sintomas semelhantes ao de um AVC de fato, no entanto, passam em pouco tempo e não causam sequelas. Porém, o neurologista explica que o AIT é um importante sinal de alerta e aumenta significativamente o risco de um AVC definitivo nos dias seguintes. Por isso, mesmo com melhora completa dos sintomas, a pessoa deve procurar atendimento médico imediatamente.

A prevenção continua sendo a melhor estratégia

Assim como no caso do infarto e doenças crônicas (diabetes, hipertensão e obesidade) a maior parte dos fatores de risco para o AVC pode ser controlada. Conforme estimativa da OMS, evitar as causas de problemas cardiovasculares ao longo da vida poderiam evitar entre 50% e 80% dos casos de derrame. “A grande maioria dos fatores de risco é modificável. Isso significa que é possível prevenir boa parte dos casos de AVC”, salienta Bonow.

A receita para a saúde e a prevenção de doenças continua a mesma e cada vez mais importante:

Praticar atividade física regularmente, manter uma alimentação saudável, controlar a pressão arterial, o diabetes e o colesterol, não fumar e realizar acompanhamento médico periódico são medidas capazes de reduzir significativamente o risco da doença.

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