O técnico Gustavo Corrêa sabe da necessidade de adaptação às circunstâncias do jogo no Bento Freitas, mas o objetivo do Gramadense é se manter fiel ao conceito responsável por nortear seu caminho até a decisão da Copa Carlos Caetano Verri. Afinal, a partida desta quinta-feira (23) coroa um projeto cujos resultados rápidos surpreendem os próprios envolvidos na direção do clube da Serra, adversário do Brasil.
A característica do time comandado pelo jovem treinador de 31 anos já havia sido resumida como propositiva com a posse de bola pelo comandante do Xavante, Laécio Aquino, antes mesmo do duelo de ida da final. Foi desta maneira, com a ideia de atacar o Rubro-Negro sempre que possível, que o Gramadense construiu a vantagem de um gol em Porto Alegre, dia 12.
“O mais importante é a equipe ser equilibrada e entender os momentos do jogo. Se a situação permitir jogar, a equipe deve jogar. Mas vai ter momentos em que vai ser muito difícil, e tem que entender e se adaptar”, afirma Gustavo Corrêa em entrevista à Rádio Pelotense 99,5 FM.
O modelo de futebol é uma premissa do projeto de profissionalização iniciado em 2022 no chamado Trem da Serra. Outro padrão envolve a baixa média de idade do elenco: apenas um atleta com 30 anos ou mais começou como titular nos primeiros 90 minutos da decisão da Copinha.
O diretor de futebol do Gramadense, Lucas Roldo, explica.
“É uma equipe jovem, mas com conceitos. Nas contratações, buscamos atletas com essas características. O retorno do Gustavo [treinador que voltou após passagem na base do Grêmio] foi justamente para criar um plano de jogo em que pudesse usar a Copa FGF como base para, na Divisão de Acesso, ser também competitivo”, sustenta o dirigente.
“A gente sempre pede para os atletas manterem o padrão de jogo e estimula os atletas a terem coragem para jogar. O futebol não pode perder sua essência. Tem a questão tática, mas temos que deixar a questão técnica aflorar nesses jovens”.
Série D ou Sul-Sudeste
A classificação à decisão do torneio já rendeu ao Gramadense o alcance de um feito inesperado internamente: vaga em uma competição nacional. Se for campeão na Baixada, o clube vai disputar a Série D do Brasileirão em 2027; caso acabe com o vice, assegura lugar na Copa Sul-Sudeste, também organizada pela CBF, na próxima temporada.
“O Gramadense, ao longo dos anos, quer crescer com ordem. A gente tem um cronograma com pé no chão. Queremos dar a melhor estrutura possível aos atletas, mas sem fazer loucura, para não endividar o clube e não comprometer os próximos anos. Muito pé no chão, temos que aproveitar esse momento”, completa Roldo.
A primeira competição disputada na FGF pelo Trem da Serra foi a Terceirona há quatro anos, com queda nas quartas de final para o São Borja. Em 2023, o acesso escapou nas semifinais da mesma divisão para o Cruzeiro. Na temporada seguinte, entretanto, o clube conseguiu subir para a Série A-2 ao eliminar o São Paulo de Rio Grande nos pênaltis.
A ascensão faz com que o time esteja, em 2026, na mesma prateleira da dupla Bra-Pel no futebol gaúcho – será rival do Xavante novamente e também do Pelotas ao longo da Divisão de Acesso. “O Gramadense vem mantendo uma constância desde que se profissionalizou”, diz Lucas Roldo.
Jogando pelo empate contra o Brasil nesta quinta-feira para ser campeão pela segunda vez na história (ergueu a taça da Terceirona em 2024), o Gramadense deve atuar com Maicon; João Vitor, Dieter, Keven Oliveira e Iago Cousseau; Lucas Daros, Murilo Xavier, Igor, Ryan e Wilsinho; Kerlly.
