Começou o trabalho de limpeza do Clube Comercial de Pelotas. Apesar de ter sido inicialmente adiada por conta das condições climáticas, a ação foi retomada pelo receio do atraso no cronograma de obras. A previsão de conclusão da retirada dos materiais é até quinta-feira (23).
A etapa é considerada emergencial e inclui ações como limpeza, troca de vidros e desobstruções que permitam acesso ao interior do prédio. Depois da ação completa, será a vez de buscar recursos para a restauração completa, segundo o administrador judicial do clube, Victor Hugo Siqueira.
“Ainda não sei quanto custará o restauro. Isso depende dos projetos. Vou buscar recursos em órgãos competentes, por meio de leis de incentivo à cultura, em Brasília e em outras instituições. Esse é o caminho que acredito ser essencial para viabilizar a recuperação do Clube Comercial.”
De acordo com Siqueira, a quantidade de material acumulado no interior do prédio é assustadora e vem exigindo esforço de uma empresa especializada no assunto. “Eles fazem toda essa organização da limpeza. Estão retirando o que restou de ferro e muito lixo que havia aqui. Tinha muito material acumulado.”
Seleção dos itens é o próximo passo
O segundo passo será realizado pela equipe da Casa de Cultura de Pelotas, que será responsável por organizar tudo que está disponível no prédio e catalogar o acervo restante do clube. O objetivo é identificar o que pode ser reaproveitado e o que é possível restaurar para reutilização.
“Agora é a parte que a gente vai mexer porque tem algumas coisas, pelo menos, que dá para aos poucos separar e recuperar. Tem algumas mesas de sinuca, armários, móveis. Alguns estão com cupim por cima, mas acredito que dê para salvar. Como é a parte histórica, esse será o segundo passo.”
Após a seleção, será a vez do Exército Brasileiro adentrar ao prédio e fazer a retirada dos entulhos. “O Exército deverá vir fazer a retirada. Depois disso será feita mais uma seleção para identificar o que realmente pode ser aproveitado.”
Exposição de aniversário busca arrecadar fundos
Para comemorar os 145 anos de inauguração, o clube irá promover uma exposição artística e cultural com o objetivo de arrecadar fundos para o custeio de algumas obras. O evento será realizado no Clube Caixeiral, no dia 17 de agosto. “A ideia é fazer um evento reunindo tudo aquilo que conseguirmos recuperar do patrimônio do clube, tanto o que ainda está aqui quanto objetos que estejam em outros locais e possamos trazer de volta, relembrando aquilo que o Clube Comercial sempre teve de melhor: sua beleza, suas obras de arte, esculturas, quadros e todo o patrimônio cultural.”
História destroçada
Inaugurado em 1881, o Clube Comercial de Pelotas está há mais de 10 anos fechado. O prédio, construído com arquitetura eclética, que mescla uma sacada em Neoclássico, aberturas Barrocas e marquise em Art Nouveau, sofreu com a deterioração do tempo e ações humanas.
O Hall da Escadaria precisa ser acessado com cautela. São raros os pontos seguros para pisar nos degraus. O Grande Salão de Baile, localizado no andar superior do prédio, palco de milhares de festas, hoje está com acesso restrito pela possibilidade de desabamento. As tradicionais salas Dourada e Verde também estão inacessíveis. Das obras de Aldo Locatelli, que decoravam as paredes laterais das salas, sobraram apenas as molduras.

Das obras de Aldo Locatelli sobraram apenas as molduras. (Foto: Junior Ebersol)
Além de todo patrimônio extraviado, boa parte da riqueza do clube foi destruída pelo tempo. Um dos itens mais simbólicos é o piano, que foi depenado por criminosos. O que restou da estrutura de madeira foi afetado por goteiras, concluindo a destruição do instrumento. “É um crime contra o patrimônio histórico e contra a cultura. Tinha rato morto, pomba morta, sujeira por todo lado. Encontramos peças amassadas no chão, documentos espalhados. Eram cenas muito tristes.”
