Criança não tem dono

editorial

Criança não tem dono

Criança não tem dono
(Foto: João Pedro Goulart)

O bebê de apenas um ano e sete meses morto na sexta-feira em Pelotas, aparentemente vítima de maus tratos, infelizmente é só mais um caso de violência contra crianças que resultam em óbito. Só mais um porque as notícias chegam dia após dia, semana após semana, e nada muda. Campanhas são feitas. Casos ganham os jornais. Todos se chocam. E os casos voltam a se repetir. O diagnóstico é um só: para muita gente, crianças ainda são cidadãos de segunda classe, descartáveis e propriedade dos pais.

Há menos de duas semanas, o Estado se chocou com a morte do menino Oliver, brutalmente espancado pelo pai em Viamão. Recentemente, a morte da menina Kerollyn, em Guaíba, também causou comoção. Pouco antes, o menino Bernardo, em Três Passos, ganhou as manchetes. Tem o caso Isabella Nardoni, o caso Miguel e tantos outros a nível nacional. O roteiro é quase sempre o mesmo: haviam sinais, ninguém se meteu, a criança morreu, a sociedade se chocou, alguém bradou “basta!” e, ali na frente, tudo se repetiu.

No mês passado, neste mesmo espaço editorial, apresentamos uma pesquisa de que no primeiro quadrimestre deste ano mais de 115 mil menores de idade haviam sofrido violência. A maioria meninas e em casa. Inacreditavelmente, em muitas situações, o lar é o ambiente menos seguro para uma criança. Os motivos podem ser os mais variados, mas é papel da comunidade no seu entorno notar isso. É preciso ir contra a corrente e realmente meter o “bedelho” na vida alheia em alguns casos. Notar comportamento arredio, marcas no corpo e ouvir as crianças.

A ideia de que “eu educo meu filho como eu quiser” é ultrapassada e maléfica. A criança que vive em um ambiente de violência, mesmo que sobreviva, se tornará um adulto arranhado por todas as marcas físicas e mentais que essa situação deixa. Quando as pessoas que deveriam dar amor e carinho lhe entregam violência, é impossível ficar bem.

Algo precisa mudar na alma da nossa sociedade. Não podemos mais permitir que a violência siga ceifando a vida dos nossos pequenos. Olhe, cuide e denuncie. Por mais duro e tenso que seja denunciar um pai ou uma mãe, você fará a diferença para o bem do futuro daquela criança.

Acompanhe
nossas
redes sociais