Por anos, talvez desde sempre, existiu uma leitura errada, mas até justificável, sobre o papel das universidades, sobretudo as públicas. Muita sala de aula, uma bolha fechada, sem contato com o mundo real. Falavam para dentro e não ecoavam que a rua diz. Agora, finalmente, o discurso, ao menos interno da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) muda. A palavra “território” aparece em praticamente todas as entrevistas de gestores da instituição. O tripé, formado por ensino, pesquisa e extensão, parece estar finalmente sendo posto em prática e o contrato que será assinado hoje, junto à Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) é um desses passos fundamentais para que se conecte a instituição à comunidade onde ela está inserida.
Em muitas frentes, como a Odontologia, por exemplo, a universidade já presta apoio às comunidades. Gere também um hospital e algumas unidades de saúde. Mas, dos mais de cem cursos, alguns ainda aparecem pouquíssimo para o grande público que é quem, no fim do dia, paga a conta através dos seus impostos. Ao abrir as portas da instituição para que prefeituras e a universidade tenham maior contato e que o trabalho no território seja executado diretamente para as comunidades, com real impacto nelas, a universidade devolve à população o investimento que faz na manutenção do serviço público.
A UFPel vem trabalhando há bastante tempo para espantar o ranço que alguns setores da sociedade têm da educação pública. E a receita para isso é uma só: mostrar trabalho na prática. A universidade tem tudo para ser um dos motores do desenvolvimento regional através da aplicação técnico-científica dos conhecimentos produzidos por aqui. Se olhamos para o polo empresarial de saúde, o petróleo e o agronegócio como as grandes apostas do futuro, isso tudo passa pela nossa capacidade intelectual. Aproximar os cursos das demandas da sociedade é uma solução para diversos problemas, e certamente garantirá mais vozes a favor da ampliação de investimentos na manutenção das instituições.
