O bolso precisa doer

editorial

O bolso precisa doer

O bolso precisa doer
(Foto: Jô Folha)

Pelotas é uma cidade com coleta seletiva em 100% da área urbana. Cinco ecopontos. Centenas de contêineres. E, ainda assim, é uma cidade vista pela maioria da sua população, e até por visitantes, como suja. O problema é público e nenhum governo, até agora, conseguiu reverter, seja por falta de capacidade, seja porque o desafio é maior do que os braços do Sanep e das secretarias. Mas o fato é que, infelizmente, a solução prevista no novo Código Municipal de Limpeza Urbana é uma cartada lamentável, mas necessária: se todas as ações de educação e comunicação não funcionaram até aqui, precisa doer no bolso.

Vivemos às vésperas da primeira onda climática de fortes chuvas influenciadas pelo El Niño. E aqui vai um exercício de futurologia com a resposta mais óbvia de todas: vai chover, vai entupir, vai alagar. Por mais que o Sanep diariamente noticie limpeza de canais. Por mais que a limpeza urbana atue. A falta de educação é mais rápida e ágil do que a atuação do poder público. Por exemplo, recentemente o Sanep precisou tirar um fogão preso na casa de bombas do Anglo. Há poucos dias, um sofá flutuava no canal do Pepino, frente ao Navegantes. E temos ainda os restos de obras, as incontáveis sacolas plásticas e tantas outras coisas.

O cidadão precisa ser honesto consigo mesmo na análise. O nosso problema é comportamental e há tentativas de reverter isso, seja nas escolas, nas campanhas publicitárias ou na própria cobrança de pessoas já educadas frente aos mal educados. Ainda assim, a coisa não muda. Por isso, multar é a saída. E aí é preciso que o poder público seja assertivo e não tenha vergonha de fazer a lei. Os governos precisam se ligar à crítica às multas, de que seriam uma indústria. Ora, seja no trânsito, seja nisso, quem não faz coisa errada, não é multado. Quem for, precisa ser punido, de maneira exemplar, no bolso.

Pelotas é uma cidade linda, que acaba “enfeiecida” pelo próprio cidadão que não zela por ela. É hora de dar um basta nisso, e os mecanismos legais são o caminho para reverter esse absurdo.

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