O Ministério da Saúde anunciou, em coletiva realizada na tarde desta segunda-feira (8), em Brasília, que irá paralisar temporariamente a vacinação contra a dengue, de maneira preventiva, com o imunizante do Instituto Butantan. O motivo é um efeito adverso da vacina que está sob investigação.
Segundo o ministro da saúde, Alexandre Padilha, foram identificadas reações severas em pessoas que receberam o imunizante. Há, ainda, duas mortes, que ainda não possuem relação direta comprovada com a aplicação da vacina.
A suspensão vale apenas para a vacina produzida pelo Butantan, e não inclui o imunizante Qdenga, produzido pelo laboratório Takeda e aplicado no Sistema Único de Saúde (SUS).
A estratégia de vacinação com o imunizante do Butantan estava voltada a profissionais de saúde da Atenção Primária à Saúde e, de forma ampliada, para o público de 15 a 49 anos, de três cidades: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG).
Padilha afirmou que a suspensão seguirá em vigor até que todas as investigações sejam realizadas pelo órgão. Foram aplicadas 500 mil doses do imunizante no Brasil e identificados 42 episódios de reações consideradas mais severas, que estão associadas ao momento em que foi aplicada a vacina. Entre os casos, há reações consideradas “absolutamente inesperadas”, porque não haviam sido observadas nos 16 estudos clínicos, nem nos estudos das fases 2 e 3.
O Instituto Butantan afirmou que fará uma avaliação com o maior rigor científico. Segundo o diretor do instituto, Esper Kallás, serão realizadas análises aprofundadas para investigar a natureza das reações registradas e ampliar a avaliação dos dados da vacina. Ele citou ainda dados dos estudos e afirmou que o imunizante protegeu durante cinco anos os voluntários participantes em uma média estimada de 65%.
Região Sul
Pelotas e Rio Grande já não estavam realizando a imunização contra a dengue. As doses foram enviadas de forma pontual para os municípios.
Com um baixo índice de casos confirmados de dengue, Pelotas, que tinha iniciado a vacinação para o público-alvo de crianças e adolescentes entre dez e 14 anos de idade em fevereiro, não recebeu repasses dos imunizantes desde então, não prosseguindo com a estratégia vacinal.
A Secretaria de Município da Saúde (SMS) de Rio Grande afirma que em maio já não estava recebendo mais o repasse das doses. Com isso, a imunização ficou restrita aos trabalhadores da saúde, sem abertura para a comunidade em geral.