“O samba nasceu nos terreiros e carrega essa ancestralidade em sua essência”

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“O samba nasceu nos terreiros e carrega essa ancestralidade em sua essência”

Grupo Nosso Quintal

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“O samba nasceu nos terreiros e carrega essa ancestralidade em sua essência”
(Foto: Divulgação)

Há três anos levando o samba de raiz para bares, eventos e rodas de samba em Pelotas, o Grupo Nosso Quintal tem conquistado público ao unir clássicos do gênero, valorização da ancestralidade afro-brasileira e composições próprias. Formado por Alexander Alencastro, Renan Vaz, Cibele Marques, André Carpe, Gilmar Sacramento e Jhon Uilson, o grupo aposta na tradição das rodas de samba, na conexão com a cultura dos terreiros e na força da música como instrumento de identidade e encontro. Em entrevista à Rádio Pelotense, os integrantes falaram sobre a trajetória do grupo, a presença feminina no samba, o processo de criação musical e os próximos projetos.

Como surgiu o Grupo Nosso Quintal e qual é a proposta do trabalho?
Alexander Alencastro:
Depois que um amigo com quem eu tocava teve um problema de saúde, senti a necessidade de seguir em frente com a música e criei o Grupo Nosso Quintal. A ideia era manter viva a roda de samba, especialmente nos espaços onde já atuamos. O grupo nasceu há três anos e foi crescendo com músicos que compartilham o mesmo objetivo: valorizar o samba de raiz. Nossa proposta é trazer para Pelotas a essência das rodas de samba do Rio de Janeiro, com o público participando, cantando e vivendo essa experiência de forma próxima.

Qual a importância da presença feminina no samba atualmente?
Cibele Marques:
Historicamente, o samba sempre foi um espaço mais ocupado por homens. Felizmente isso vem mudando. Hoje vemos mais mulheres ocupando lugares de destaque, seja no canto, na composição ou na percussão. Ainda somos poucas, mas há uma caminhada importante acontecendo. Para mim, integrar o Nosso Quintal significou justamente encontrar um projeto alinhado com aquilo que eu buscava: fortalecer a presença feminina dentro do samba sem perder o respeito pela tradição.

O grupo também trabalha com músicas ligadas à ancestralidade e aos terreiros. Como o público recebe esse repertório?
Alexander Alencastro:
A aceitação é muito positiva. O samba nasceu nos terreiros e carrega essa ancestralidade em sua essência. Nós utilizamos instrumentos como atabaques e incluímos músicas de axé e samba de terreiro porque entendemos que isso faz parte da história do gênero. Sempre apresentamos o repertório aos contratantes e respeitamos cada espaço, mas a receptividade costuma ser excelente. Quando começamos essa parte do show, o público canta junto, bate palma e participa de uma forma muito emocionante.

Como funciona o processo de composição e o que inspirou a canção Oxalá?
Renan Vaz:
As músicas surgem das histórias da vida. Muitas vezes são experiências pessoais, mas também podem ser relatos de amigos ou situações observadas no dia a dia. Eu transformo essas histórias em letra, construo uma harmonia no cavaquinho e compartilho com os demais integrantes. Depois vêm os ajustes de tom, os ensaios e toda a construção coletiva. O público vê a apresentação acontecendo de forma natural, mas existe muito trabalho por trás para que tudo funcione. A música surgiu numa madrugada, quando comecei a refletir sobre a minha trajetória e tudo o que já havia construído. Escrevi a letra e depois contei com a colaboração do professor William King, que ajudou na harmonia. Mais tarde, o Márcio Jaguarão trabalhou a composição e a levou para o Rio de Janeiro, onde ela acabou integrando um de seus CDs.

Quais são os próximos projetos e apresentações do Nosso Quintal?
Renan e Alexander:
Junho será um mês bastante movimentado. Teremos apresentações em diferentes espaços da cidade, incluindo um evento especial no Beco da Cultura, no dia 13, com uma grande roda de samba aberta ao público. Também participaremos de uma feijoada beneficente e seguiremos com apresentações em locais tradicionais da cidade, como o Beco da Bete. Nosso objetivo é continuar fortalecendo a cultura do samba em Pelotas e levar essa música para cada vez mais pessoas.

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