Fruto do empreendedorismo de uma mãe para ajudar na renda familiar, a história da Imperatriz Doces Finos começou a ser construída há cerca de 30 anos, com a simples venda de brigadeiros. Hoje, a iniciativa de Maria Helena Jeske está consolidada em três lojas, uma planta industrial, 50 funcionários diretos e uma produção média de 100 mil doces mensais.
Recém-casada e com uma criança pequena para criar, por volta de 1997, Maria Helena não conseguia trabalhar fora, mas aproveitava o turno da noite, quando o marido estava em casa, para estudar. E foi na escola o início da venda dos brigadeiros, como uma alternativa de renda própria. Pouco tempo depois, ela começou a aprender as receitas dos doces finos para ampliar a oferta aos clientes. “Eu comecei a conhecer a história dos doces tradicionais, como se fazia o quindim, e aí começou aquela realeza dentro de mim, de querer fazer mais e sonhar. Sonhar, planejar”, conta.
Um ano depois, o negócio foi formalizado e, a cada ano que passava, ela projetava alguma novidade para o cardápio. Junto com a construção da marca de Maria Helena, o filho David Jeske crescia em meio aos doces. Ao ter a mãe como exemplo, ele se tornou não só um confeiteiro, mas uma pessoa com olhar para o empreendedorismo e, já adulto, seria responsável por um salto nos negócios da Imperatriz Doces Finos.
“Como eu morava na indústria, eu comecei a ajudá-la a ter mais produtividade e mais receitas também, e foi quando veio a ideia de fazer as lojas”, diz David. Cerca de 15 anos depois do início da venda de brigadeiros, foi aberta a primeira doceria própria da marca, no Mercado Central. Conforme o filho, até aquele momento a Imperatriz só havia tido estandes de comercialização própria na Fenadoce, mas, a partir da primeira loja, eles passaram a investir também no fortalecimento da marca.
“Deu muito certo, e aí comecei a vender para ela. A partir daí, ela não fazia mais só doce; agora, ela iria vender histórias”, conta o filho. Maria Helena e David se aprofundaram na história e na cultura de Pelotas para transmitir aos clientes aspectos como o significado dos doces finos como patrimônio imaterial tombado pelo Iphan e a relevância da indicação geográfica de procedência.
“A gente começou a trabalhar não mais com o doce como um produto, e sim como uma história. A gente entende o doce como uma identidade local de Pelotas”, acrescenta David.
A valorização do turismo e a expansão das docerias
Com a primeira loja e o crescimento na comercialização também para fora de Pelotas, principalmente para a região metropolitana de Porto Alegre e Santa Maria, o próximo passo da Imperatriz foi a construção de uma fábrica com planta industrial capaz de produzir mais de 100 mil doces mensais. No novo espaço, inaugurado em 2019, David e Maria Helena incorporaram a integração do turista.
A fábrica disponibiliza visitas guiadas, onde é possível observar e aprender sobre todos os processos de produção dos doces finos e ainda saborear os produtos com um cafezinho. “Ele [o visitante] conhece a história do doce, como ele é feito e todo o processo que envolve o produto”, explica David.
A família adotou como estratégia integrar a Imperatriz ao fomento do turismo em Pelotas, buscando criar uma doceria com um diferencial em relação aos demais estabelecimentos do setor. “A empresa entrou muito para o turismo local, e isso deu um grande diferencial para competir, sendo uma loja de doces voltada para o turismo”, diz Jeske.
Com o posicionamento de tornar a Imperatriz uma marca de receptividade ao turista e de valorização da cultura pelotense, a família Jeske conta que a Imperatriz recebe um grande volume de moradores locais que conhecem a qualidade dos doces da marca e que querem apresentar aos visitantes o patrimônio mais famoso da cidade.
O grande volume de clientes possibilitou a abertura de mais duas lojas nos últimos anos, uma localizada na rua Sete de Setembro e outra no Shopping Pelotas. Já o estabelecimento do Mercado Central se tornou a primeira loja exclusiva de souvenires de Pelotas. “A nossa ideia é continuar atuando mais firmemente junto à cidade e no turismo, para trazer mais desenvolvimento a Pelotas como um todo. A gente quer vender não só o doce, mas a cidade”, reafirma David.
Criada para contribuir com a renda de casa, hoje a doceria de Maria Helena é um negócio de sucesso e o sustento dela e do marido, do filho, da esposa e dos netos. A fábrica é gerida por ela, as lojas por David e a logística de entregas em outras cidades pelo marido. “A minha história eu comecei a criar, mas a minha história não é eu sozinha; eu tenho um império que me acompanha, que são eles [família]”, diz Maria Helena.
