Uma boa notícia chega para os produtores rurais da região. Após a instalação da 9ª Delegacia Especializada na Repressão aos Crimes Rurais e Abigeato (Decrab) em Rio Grande, Pelotas deve ganhar um novo reforço no enfrentamento à criminalidade no campo. O 4º Batalhão de Polícia Militar (4º BPM) e o Sindicato Rural de Pelotas estão estruturando uma parceria voltada ao combate aos crimes rurais, especialmente o abigeato, que voltou a preocupar produtores nos últimos meses.
O anúncio foi feito pela comandante interina do 4º BPM, major Pâmela Mühlemberg Tavares Saueressig. Segundo ela, uma reunião já está agendada com o presidente do Sindicato Rural de Pelotas, Augusto Rassier, para definir os detalhes da iniciativa. A expectativa é que o projeto amplie a integração entre produtores e forças de segurança, fortalecendo ações preventivas e de monitoramento no interior do município.
A movimentação ocorre após uma sequência de ocorrências registradas entre o final de maio e o início de junho, que resultaram em éguas carneadas, nove animais furtados e a prisão em flagrante de um suspeito no bairro Fragata por envolvimento com crimes rurais. Pelas estatísticas da Secretaria de Segurança Pública do Estado, de janeiro a abril deste anos, foram nove registros de abigeatos. Em todo 2025, os registros chegaram a 48, no total.
Para Augusto Rassier, a segurança é um dos pilares fundamentais para a permanência e o desenvolvimento da atividade agropecuária. Segundo ele, o Sindicato Rural atua para aproximar os produtores das forças de segurança e colaborar com o trabalho realizado pela Brigada Militar, Patrulha Ambiental (Patram) e Polícia Civil. A comandante destaca que a Patrulha Rural é uma das principais ferramentas de proteção aos moradores do interior. O serviço funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, com policiais especializados em ocorrências ligadas ao meio rural.
Integração
Nas últimas semanas, equipes do 4º BPM realizaram reuniões com a delegada Paula Vieira, titular da Decrab, em Rio Grande, para alinhar estratégias de atuação conjunta. O objetivo é integrar as informações levantadas pela Brigada Militar e pela Polícia Civil, ampliando as possibilidades de investigação e responsabilização dos envolvidos nos crimes. “Esse é um tipo de crime muito difícil de conseguir pegar flagrantes porque eles são feitos de forma oculta na grande maioria das vezes. Tem ainda a questão de que esses indivíduos, que são autores, permaneçam presos. Muitas vezes, fazemos o flagrante e eles saem antes mesmo de finalizar a ocorrência. É muito complexo”, destaca a comandante.
Denúncias
A Brigada Militar reforça que o registro das ocorrências é essencial para o planejamento das ações de segurança. Atualmente, a Patrulha Rural realiza visitas frequentes às propriedades e está ampliando o cadastramento dos estabelecimentos rurais por meio de formulários específicos. “O 190 é o canal para que isso aconteça. A nossa patrulha rural é 24 horas por dia. Então, independente do horário em que for feita a denúncia, a gente consegue deslocar esse efetivo especializado, que já tem conhecimento, tem treinamento, que visita as propriedades e identifica as alterações para que a Brigada Militar consiga chegar na prisão em flagrante desses indivíduos, que é tão difícil de acontecer”.
De acordo com a comandante, o trabalho policial é baseado em indicadores criminais e mapas de calor que apontam os locais com maior incidência de delitos. Sem o registro formal das ocorrências, torna-se mais difícil direcionar efetivos e operações para as áreas mais vulneráveis.
Cavalos preocupam
Além dos tradicionais casos envolvendo bovinos e ovinos, as forças de segurança passaram a registrar ocorrências envolvendo cavalos. Segundo a comandante, esse tipo de crime não era frequente na região, mas passou a chamar atenção nos últimos meses. Uma das investigações em andamento apura a destinação da carne desses animais e a possível participação de receptadores. “Em uma operação realizada no final de abril, apreendemos mais de duas toneladas de carne armazenadas em condições precárias, além de animais silvestres abatidos e materiais que podem auxiliar na identificação da origem dos produtos”, relata a major Pamela. As ações contam com apoio da Vigilância Sanitária e do Comando Ambiental da Brigada Militar, que atuam na fiscalização e rastreamento de possíveis irregularidades.
Crimes urbanos
Apesar da preocupação com os delitos no campo, a comandante afirma que Pelotas registrou redução significativa dos índices criminais urbanos em maio. Segundo ela, os roubos a pedestres e furtos ainda preocupam, especialmente em áreas próximas às universidades e ao Centro da cidade. “O comando prepara novas operações para junho, com foco na redução desses delitos”, adianta. A comandante também destacou o trabalho da Polícia Civil no cumprimento de mandados de prisão contra criminosos reincidentes, especialmente envolvidos em furtos e roubos para sustentar o consumo de drogas.
