A pouco mais de dois meses do primeiro turno das eleições deste ano, em que elegeremos representantes para duas vagas no senado, deputados federal e estadual, governador e presidente da República, o debate toma, mais uma vez, um rumo aleatório. Até aqui, os temas apresentados, sobretudo na majoritária presidencial, são puramente ideológicos, com candidatos preferindo se posicionar como “do contra” do que trazer propostas factuais. E, além disso, temas que já deveriam estar superados há décadas, como a confiabilidade da urna eletrônica, surgem com uma roupagem fantasmagórica, passando a impressão de que vale discutir tudo, menos os caminhos para melhorar a vida do cidadão brasileiro.
Esse caminho é o mais fácil e tranquilo para os partidos e candidatos, afinal, requer pouquíssimas propostas práticas e muita gritaria. O nós contra eles leva para uma discussão mais emotiva e menos prática, tirando a obrigação de apresentar discussões sólidas. Enquanto isso, o poder de compra do brasileiro, o rombo crescente das contas públicas, a segurança pública e a gestão da saúde, entre outros assuntos tão caros para o brasileiro, ficam em segundo plano.
Criar factóides e lutar contra moinhos de vento é artimanha política desde que o mundo é mundo. O que não pode é seguirmos aceitando que o rumo eleitoral brasileiro siga nesse caminho puramente ideológico, em que as principais manchetes do país são norteadas por declarações de candidatos para reposicionar as peças do tabuleiro. A imprensa, aliás, na onda de entrar nas manchetes declaratórias, torna-se um peão nesse jogo e dá espaço a coisas que deveriam estar em segundo ou terceiro plano, servindo de plataforma de polêmicas, ao invés de agir como instrumento de cobrança que ecoa a voz do povo.
É fundamental que haja exigência por um debate realmente aproveitável, que discuta as primeiras necessidades do país para que cresça e garanta, à população, maior qualidade de vida. A eleição serve para isso, não para firmar posicionamento em temas aleatórios.