O curso de Fonoaudiologia da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) surge em meio a uma demanda regional tanto de mercado como de formação. Vista como uma necessidade antiga da metade sul do Rio Grande do Sul, a falta de uma graduação presencial na área fez com que já na primeira turma, o número de alunos ultrapassasse o de vagas. São 43 graduandos para 40 vagas, turma que avança para o segundo semestre.
Segundo a coordenadora do curso, Liza Gutierrez, a região convive há anos com um déficit de fonoaudiólogos. “Não existe um curso presencial de Porto Alegre para baixo e há uma demanda reprimida muito significativa em hospitais, clínicas, escolas e serviços públicos”, afirma.
O cenário acompanha uma tendência nacional. O envelhecimento da população, o aumento da expectativa de vida e o crescimento dos diagnósticos de transtornos do neurodesenvolvimento têm ampliado a procura por atendimento fonoaudiológico. Para a coordenadora, entretanto, a profissão vai muito além dessas áreas. “O fonoaudiólogo acompanha o ser humano desde antes do nascimento até os cuidados paliativos”, resume.
Além do atendimento a crianças com alterações na linguagem e no desenvolvimento, o profissional atua com pacientes que apresentam perda auditiva, doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer, distúrbios de deglutição, reabilitação após acidentes vasculares cerebrais (AVCs), câncer de cabeça e pescoço e cuidados com a voz.
Tendência natural
Liza explica que o próprio envelhecimento da população faz com que a necessidade desses profissionais aumente nos próximos anos. A perda auditiva, por exemplo, tende a crescer naturalmente com a idade. “Todos nós ficaremos surdos depois dos 60 anos. É uma lei natural, pouca gente presta atenção nisso, mas a ação da gravidade é implacável, então as células ciliadas da audição vão sofrer a ação do tempo”, alerta.
Um leque de oportunidades
O mercado de trabalho também se diversificou. Hoje, o fonoaudiólogo pode atuar em hospitais, clínicas, Unidades Básicas de Saúde (UBSs), escolas, empresas e clínicas multiprofissionais. Além disso, profissionais que utilizam intensamente a voz, como jornalistas, professores, advogados, cantores e produtores de conteúdo, têm buscado cada vez mais orientação para melhorar a comunicação e prevenir problemas vocais.
Expectativa do curso
Diante da procura, a UCPel ampliou o ingresso já na primeira seleção. Com duração de cinco anos, o curso forma profissionais generalistas, preparados para atuar nas diferentes áreas da Fonoaudiologia antes de buscar especializações.
