O mercado pelotense de veículos terminou o primeiro semestre com números positivos, de acordo com o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Rio Grande do Sul (Sincodiv-RS/Fenabrave). Em reunião com concessionários da Zona Sul, nesta terça-feira, a federação apresentou os números do setor, reivindicações ao governo estadual e federal e ações de educação no trânsito.
Segundo o presidente do sindicato, Jefferson Fürstenau, o mercado automotivo brasileiro vive uma revolução nos últimos dez anos. O sindicato atribui esse impacto à forte chegada das montadoras chinesas, o aumento da eletrificação da frota e a mudança no perfil de consumo, com um aumento expressivo de motocicletas nas ruas. “Nós estamos vivendo uma grande revolução, a maior revolução automotiva na história do mercado brasileiro. Quando a gente esteve aqui em 2024 falávamos muito pouco em veículos elétricos e hoje eles representam uma parcela importante do mercado. Também foi a primeira vez na história do Brasil que se vendeu mais motocicletas do que automóveis de passeio”, explica.
Para o gerente de vendas da Super AutoBR Ford, Daniel da Silva Cardoso, o crescimento brasileiro acompanha a tendência mundial, inclusive o aumento da circulação de motocicletas. Para Cardoso, o mercado regional vem crescendo, mas abaixo do esperado e a expectativa da categoria é de uma aceleração no segundo semestre. “Eu esperava um crescimento um pouco maior. A tendência é o segundo semestre ter um volume de emplacamentos mais interessante. A minha expectativa é acompanhar o crescimento da marca nacional aqui na região.”
Eletrificados são quase um terço do mercado gaúcho
Apesar dos emplacamentos registrados no ano passado, 188 mil, serem menores do que há 10 anos, 201 mil, a diversidade de marcas no Brasil dobrou de 30 para 60. A participação chinesa no mercado, nesse mesmo período, avançou de 1% para 15%.
O grande salto registrado é na venda de veículos 100% elétricos. Nos últimos seis meses foram 7.702 carros, com um crescimento de 233,56%. Veículos híbridos registraram um aumento de 63,27% com 5.858 unidades comercializadas. Liderados pelas marcas chinesas, os números já representam quase um terço do mercado gaúcho. “Hoje 29% do nosso mercado já são veículos eletrificados. No mês de julho os eletrificados já representam 34% do mercado. “As marcas chinesas hoje representam mais de 15% da venda de automóveis no Brasil.”
Mais espaço para as motos
Fürstenau destaca que o ticket médio para veículos no Rio Grande do Sul atingiu cerca de R$ 105 mil, um valor pelo menos duas vezes maior do que era considerado o preço do carro popular há 10 anos atrás. O encarecimento ajuda a explicar o crescimento nas vendas de motocicletas. “Não existe mais carro popular. O carro popular de novo é a motocicleta.” Outros motivos apontados pelo sindicato são a mobilidade urbana e o aumento nos deliverys.
Lutas da categoria
Para incentivar ainda mais o mercado de motocicletas, o plano do sindicato é lutar pela isenção do IPVA para motos de até 200 cilindradas. Estados como Santa Catarina e São Paulo já tem a isenção. Outras reivindicações do setor incluem a mudança de tributação para carros de test drive, ampliação de linhas de crédito para caminhões e inteligência de mercado com dados estaduais em tempo real. “A gente está toda semana batendo na porta do governo. Nós não ficamos pedindo nada que vá prejudicar o Estado.”
O sindicato defende ainda a cobrança de pedágios que permitam a manutenção da trafegabilidade das rodovias e a ampliação da malha rodoviária, desde que o valor cobrado não seja abusivo. “Nós defendemos sim a concessão de rodovias, contando que elas tenham um pedágio justo.”
Campanha Sincodiv-RS Educa
O sindicato promove uma campanha educativa para redução de acidentes de trânsito. A maior preocupação é o uso do celular ao volante. “O nosso trânsito no Brasil mata mais do que uma guerra. Quem acha que consegue utilizar o celular e dirigir ao mesmo tempo está errado.”
